Pecuária orgânica e os desafios da sustentabilidade

Esses foram os destaques do painel Pecuária Orgânica e Sustentável na Biofach/Exposustentat, a maior feira de orgânicos da América Latina

  
  

Os desafios e oportunidades da pecuária orgânica na busca pela sustentabilidade sociambiental e econômica. Esses foram os destaques do painel Pecuária Orgânica e Sustentável, apresentado nesta quarta-feira, na Biofach/Exposustentat, a maior feira de orgânicos da América Latina, que começou nesta quarta-feira (28/11) e continua até sexta-feira (30) no Transamérica Expo Center, em São Paulo.

O painel teve por objetivo discutir o desenvolvimento da cadeia da pecuária no Brasil com enfoque em sistemas sustentáveis de produção. Participaram como debatedores, o coordenador do Programa Pantanal para Sempre do WWF-Brasil, Michael Becker, o presidente da Associação Brasileira de Pecuária Orgânica (ABPO), Leonardo Leite de Barros e o gerente de Agronegócios do SEBRAE do Mato Grosso do Sul, Marcus Faria.

Em sua apresentação, Michael Becker destacou a importância do trabalho desenvolvido no Pantanal com a pecuária orgânica certificada na busca pela sustentabilidade ambiental. “A experiência com nossos parceiros no Pantanal vem mostrando que a produção de carne orgânica é uma alternativa real e viável”, ressaltou.

Desde 2003, o WWF-Brasil vem apoiando o projeto de pecuária orgânica certificada no Pantanal. A atuação com esse segmento é fundamental para as ações de conservação no Pantanal, uma vez que a pecuária é a principal atividade econômica da região.

O trabalho envolve o apoio à pecuária orgânica certificada e estímulo a práticas que aliem produção e conservação dos recursos naturais e é feito em parceria com associações de produtores orgânicos do Mato Grosso e Mato Grosso do Sul.

Responsabilidade compartilhada -Os pecuaristas do Pantanal são pioneiros nessa iniciativa que, graças a um maior envolvimento do público consumidor, tende a crescer. “Embora a carne orgânica ainda seja um nicho de mercado, a atividade é promissora, principalmente porque haverá uma cobrança cada vez maior por parte dos consumidores quanto aos critérios sociambientais do produto que está comprando”, disse Becker.

Para ele, no entanto, para que o projeto se amplie, é fundamental envolver todos os segmentos da cadeia produtiva da carne. O trabalho deve ser feito com planejamento e em longo prazo e exige o comprometimento de todos os envolvidos, com o que ele chamou de “responsabilidade compartilhada’.

Becker citou como exemplo a realização de contratos de longo prazo por parte dos frigoríficos para dar mais segurança ao produtor e também o estímulo ao consumo responsável por esse segmento, junto ao setor varejista. Outro elo importante da cadeia produtiva é o consumidor, que tem um papel fundamental neste processo. “É importante que o consumidor valorize os produtos de qualidade e certificados, cobrem mais informações, questionem sua origem”, afirmou Becker.

O sistema de produção orgânico visa o desenvolvimento econômico e produtivo que não polua, não degrade e nem destrua o meio ambiente e, que, ao mesmo tempo valorize o homem como principal integrante do processo.

De acordo com Leonardo Barros, presidente da Associação de Pecuária Orgânica (ABPO), o Pantanal tem uma vocação natural para a produção sustentável, principalmente devido às condições geográficas, históricas e ambientais. A planície pantaneira, onde existem grandes áreas que ficam alagadas por um longo período, favorece a formação de pastagens naturais. “Devido a essa abundância de pastagens, não foi necessário derrubar árvores para alimentar os animais”, disse.

No entanto, de acordo com ele, esse sistema tradicional que faz parte da cultura pantaneira vem mudando. Principalmente devido à chegada de pessoas de fora que não conhecem a realidade pantaneira e acabam usando práticas produtivas que não condizem com o tipo de solo do Pantanal e são danosas para o meio ambiente, como a introdução de pastagens.

O presidente da ABPO ressaltou que é importante ter mais políticas públicas para dar mais visibilidade ao segmento da pecuária orgânica e valorizar os produtores que estão comprometidos com a sustentabilidade. “Mais que punir, é preciso premiar com incentivos fiscais as iniciativas sustentáveis”, enfatizou. Para ele, o consumidor também tem um papel importante nesse aspecto. “Ao eleger um produto de origem certificada estará contribuindo para a sustentabilidade ambiental do país”.

Novas parcerias - Com o objetivo de ampliar o número de fazendas certificadas, o WWF-Brasil e a ABPO vem articulando o apoio de outros parceiros. Em 2008, foi iniciado um projeto junto ao SEBRAE voltado para a capacitação técnica de produtores da região para adequarem suas propriedades aos critérios exigidos pela certificação.

Esse projeto foi apresentado pelo gerente de Agronegócios do SEBRAE do Mato Grosso do Sul, Marcus Faria, que também participou do painel. “Nosso objetivo é contribuir para que as propriedades tradicionais possam, através da certificação, abrir novos, e agregar valor ao produto”, disse Faria.

GT da pecuária sustentável

Além do apoio à pecuária orgânica no Pantanal, o WWF-Brasil também atua no estímulo a boas práticas produtivas para o segmento da pecuária. Esse trabalho é feito por meio das discussões e participação no GT da pecuária sustentável, que envolve representantes dos diversos elos que compõem a cadeia produtiva da carne - produtores rurais, frigoríficos, empresas certificadores, bancos, empresas de exportação e comércio varejista.

O resultado dessas discussões foi a aprovação pelos integrantes do GT de um plano trabalho para os próximos três anos, tendo como um dos pontos principais o desmatamento zero nas atividades do segmento em todo o Brasil. O plano propõe um conjunto de ações e estratégias a serem desenvolvidas visando a sustentabilidade ambiental da atividade.

Fonte: WWF

  
  

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