Sustentabilidade da Amazônia em debate no simpósio da ABRH

Durante o evento, Machado fala sobre o monitoramento da bacia Amazônia, entre outros assuntos sobre a região

  
  

O primeiro dia do XVIII Simpósio Brasileiro de Recursos Hídricos da Associação Brasileira de Recursos Hídricos (ABRH), em Campo Grande (MS), teve como uma das três mesas redondas da parte da tarde de segunda-feira (23) o tema “A Sustentabilidade da Amazônia”.

O debate foi presidido pelo diretor-presidente da ANA, José Machado e teve entre os palestrantes a ex-ministra do Meio Ambiente Marina Silva. A senadora dividiu a mesa com o ex-diretor da ANA e professor da Universidade de Brasília (UnB), Oscar de Moraes Cordeiro Netto, a professora da Universidade Federal do Amazonas (UFAM), Elizabeth Cartaxo, e o consultor Newton de Carvalho.

“Este simpósio ajuda a aprimorar a implementação dos instrumentos de gestão, criar uma equipe técnica e robusta capaz de aplicar o conhecimento na gestão dos recursos hídricos.
Dadas as dimensões da Amazônia, é difícil ver e aplicar de maneira absolutamente mecânica o instrumental de monitoramento atual na região amazônica. O desafio de como fazer isso é muito grande”, disse Machado no início da mesa redonda.

O professor da UnB abriu as apresentações destacando a importância da bacia Amazônica, que é a maior do mundo em extensão terrestre, cobrindo sete países: Brasil, Colômbia, Bolívia, Equador, Guiana, Peru e Venezuela. “Compartilhamos a bacia Amazônica com diversos países e o que é feito nos outros países reflete no nosso território. Um dos maiores desafios é o trato da questão do aproveitamento dos recursos naturais nas áreas transfronteiriças. Para a sustentabilidade da Amazônia, a única saída é preservar. O Brasil só perde na forma de tratar interesses locais sem levar em consideração a Amazônia e sem refletir sobre propostas sobre as questões dos grandes projetos hidrelétricos o desafio da integração nacional”, disse Netto.

A senadora, como uma das maiores defensoras da Amazônia, também destacou a importância da região no equilíbrio do planeta. Ela comentou o fato de que se ocorrem chuvas nas regiões Sul e Sudeste, elas ocorrem graças à grande umidade da Amazônia e se ela for desmatada, o volume de CO2 seria tão grande que sufocaria não só o Brasil como todo o planeta. Marina ressaltou a diversidade da Amazônia, não apenas a biológica mas também a cultural. “Existem mais de 280 tribos que falam mais de 120 línguas na Amazônia”, destacou ela que lembrou que o desafio da sustentabilidade na Amazônia sem a contextualização do momento em que estamos vivendo. “Vivemos uma crise econômica e também ambiental sem precedentes. O desafio para sair dela é muito grande. É preciso pensar na Amazônia em todos os serviços ambientais. O Brasil é uma potência ambiental e precisa fazer jus dessa capacidade e para isso precisa ver com os olhos a Amazônia, a maior floresta tropical do mundo, com um bioma riquíssimo e o serviço que ela presta para o planeta é a regulação climática. A Amazônia é uma bomba de gás de efeito estufa, se for destruída o planeta não suportará”, disse.

O domínio de técnicas de reflorestamento sustentáveis foi uma das defesas de Marina. Ela criticou a tecnologia atual da pecuária e da agricultura utilizada no País. “Não se pode querer ser o maior produtor de carne e de grãos do mundo aplicando a tecnologia dos índios. É preciso aplicar técnicas sustentáveis, com culturas diversificadas, de forma a fazer com que a economia obedeça as regras da natureza. Na Amazônia há espaço para a pecuária, a soja e o turismo, mas de forma diversificada”, afirmou Marina lembrando que a definição de desenvolvimento hoje é sinônimo de desenvolvimento sustentável. “A sustentabilidade é capacidade de utilizar os recursos naturais para real necessidade sem comprometer a necessidade para aqueles que ainda não nasceram. Se fomos tolerantes com a crise econômica, temos que ser também com a questão da crise ambiental”.

A professora Elizabeth Cartaxo também demonstrou preocupação com a questão da Amazônia. “Apesar do avanço, o grau de consciência ecológica está longe de ser atingida. É quase impossível que o Brasil entenda a importância da Amazônia no mundo”, afirmou.

O consultor Newton Carvalho citou dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística que revelam que os dados de assoreamento dos corpos d’água e o desmatamento estão interligados. “A floresta amazônica já tem quase um Pará desmatado e Tocantins tem quase um estado do Maranhão. O incentivo do governo ao agronegócio deve aumentar as pastagens e isso deve comprometer a redução do desmatamento”, alertou.

Machado também informou que uma das principais preocupações da ANA é melhorar o monitoramento da bacia Amazônica. “A Agência tem feito várias parcerias e hoje está ampliando a rede de monitoramento da bacia Amazônica e estabelecendo parcerias com os estados limítrofes para melhorar e muito a capacidade de monitoramento”, disse. Ele destacou o fato de que a ANA está concluindo o plano estratégico dos afluentes da margem direita da bacia Amazônica. “O plano estratégico permitirá levar esse assunto ao Conselho Nacional de Recursos Hídricos para ter um marco regulatório para a região.”

Ao final do debate o diretor-presidente da ANA procurou também ressaltar a importância de um projeto de País para o Brasil. “É preciso que o Brasil tenha metas a serem cumpridas para que o desenvolvimento seja maior ainda”, afirmou Machado. Ele elogiou a iniciativa do governo federal em traçar metas para a COP 15 para redução das emissões dos gases causadores do efeito estufa. “Por que não também traçarmos uma meta de IDH 0.9 para 2020?”, perguntou ao encerrar o debate.

Fonte: ANA

  
  

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