Desmatamento na Amazônia deve ser maior do que o divulgado pelo governo

Os números do desmatamento da Amazônia no período agosto 2003-agosto 2004 divulgados pelo governo federal -entre 23.100 e 24.400 km2 - confirmam que o Plano de Ação para Prevenção e Controle do Desmatamento não cumpriu seus objetivos em 2004, conforme dem

  
  

Os números do desmatamento da Amazônia no período agosto 2003-agosto 2004 divulgados pelo governo federal -entre 23.100 e 24.400 km2 - confirmam que o Plano de Ação para Prevenção e Controle do Desmatamento não cumpriu seus objetivos em 2004, conforme demonstrado pelo Greenpeace na última segunda-feira.

Os números do governo, com base na análise das áreas mais críticas da região e uma projeção para as demais, foram apresentados ontem durante uma reunião em Brasília (DF).

O ambicioso plano contra o desmatamento, lançado em março deste ano, contém uma série de medidas a serem implementadas por 13 ministérios, sob a coordenação da Casa Civil.

Os dados do governo são baseados num novo sistema - o DETER (Detecção de Desmatamento em Tempo Real),desenvolvido pelo INPE (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais). Tradicionalmente, o INPE calcula o desmatamento com base em outro sistema, o PRODES (Projeto de Estimativa de Desmatamento da Amazônia).

No período agosto 2002-agosto 2003, a perda de cobertura florestal apontado pelo PRODES para a Amazônia foi de 23.750 km2, o segundo maior da história.

`Os números do DETER, finalmente tornados públicos, são alarmantes. Mas ainda não refletem toda a extensão da tragédia. A área total destruída na Amazônia tende a ser ainda maior`, disse o coordenador da campanha Amazônia, do Greenpeace, Paulo Adário.

`Embora não se possa comparar os números do PRODES e do DETER, que usam bases de cálculo diferentes, nossas análises não deixam espaço para otimismo`.

Segundo o próprio INPE, o objetivo do DETER não é estimar a área total desmatada. O sistema foi concebido para emitir alertas que permitam ao governo agir rapidamente.

`O DETER usa imagens dos satélites Terra e Acqua, com resolução espacial de 250 x 250 metros - ou seja, detecta desmatamentos de no mínimo 25 hectares`, explica Adário.

`Já o PRODES utiliza imagens dos satélites Landsat e CBERS, que permitem detectar desmatamentos em áreas muito menores, de 6,4 hectares. Somando os milhares de desmatamentos provocados por pequenos fazendeiros e posseiros, podemos ter um incremento de até 20%. Não custa lembrar que, há alguns dias, a imprensa divulgou que o desmatamento total na Amazônia pode chegar a 30 mil km2`.

Pelo plano de combate ao desmatamento, os dados do DETER, que só a partir de hoje estão disponíveis ao público, permitiriam que os diversos órgãos do governo agissem de forma rápida e coordenada para barrar a destruição na origem. A sociedade teria `participação ativa` no monitoramento e acompanhamento das medidas.

`Infelizmente, isso não ocorreu a tempo. A destruição da Amazônia continua caminhando a passos largos`, disse Adário. Há dois dias (29/11), a organização ambientalista fez uma avaliação extremamente crítica do plano de combate ao desmatamento e culpou a falta de ação efetiva do governo Lula para implementar a proposta. `Mais uma vez, há um descompasso entre discurso e ação - o que é uma triste e histórica característica do Brasil`.

Imagens do satélite CBERS processadas pelo Greenpeace mostram que o desmatamento na Terra do Meio em 2004 aumentou 35% em relação ao ano passado e já chega a 70 mil hectares.

Nos últimos três anos, o total destruído na região (176 mil ha) é maior do que todo o desmatamento acumulado até 2001. A Terra do Meio é uma das regiões prioritárias no plano de combate ao desmatamento.

Fonte: Greenpeace

  
  

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