Despoluição da Baía de Guanabara (RJ) tem nova chance

Faltam 15 meses para Centro, Zona Norte e Ilha pararem de jogar, por dia, uma quantidade de esgoto suficiente para encher um Maracanãzinho e meio na Baía de Guanabara. O anúncio pode parecer apenas mais uma promessa frente aos 12

  
  

Faltam 15 meses para Centro, Zona Norte e Ilha pararem de jogar, por dia, uma quantidade de esgoto suficiente para encher um Maracanãzinho e meio na Baía de Guanabara.

O anúncio pode parecer apenas mais uma promessa frente aos 12 anos de atraso no Plano de Despoluição da Baía (PDBG). Mas o presidente da Companhia Estadual de Águas e Esgotos (Cedae), Wagner Victer, não viu outra alternativa senão abrir os cofres do Estado. Vai gastar R$ 70 milhões do Tesouro estadual no Sistema de Tratamento de Alegria, no Caju, na tentativa de reverter o que, na sua opinião, foi o maior erro do PDBG: a decisão do Estado: abrir várias frentes de obras e não concluir nenhuma.

Com o financiamento estrangeiro esgotado - o dinheiro do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) e do Japan Bank for Internacional Cooperation (JBIC) acabou no ano passado - Victer decidiu pôr os pés no chão e optar pelas obras que teriam prioridade. A escolhida foi a do sistema de Alegria, que deve consumir R$ 70 milhões para ficar pronto até maio do ano que vem e vai tratar 3.600 litros de esgoto por segundo. Elevatórias de esgoto, instalação de tubulações e manutenção de outras estão entre as intervenções a serem concluídas.

Um dos maiores obstáculos do plano foi a falta de pagamento da contrapartida do Estado, o que impedia a liberação de recursos dos bancos internacionais. A inadimplência do governo causou um prejuízo ainda maior, porque o Tesouro tinha de pagar juros de um dinheiro que sequer podia sacar. Só no sistema de Alegria, em sete anos de obras inacabadas, o Estado perdeu R$ 55 milhões com juros, de acordo com relatório do Tribunal de Contas do Estado divulgado ano passado.

- A região servida pela Estação de Tratamento de Alegria é a que mais despeja esgoto na Baía - classifica Victer. - Ao fim das obras, a estação vai eliminar não só os resíduos sólidos, mas vai deixar a água 98% tratada, sem impacto ambiental ao ser lançada na baía.

Nos cálculos do presidente da Cedae, para concluir a primeira fase do PDBG, o Estado ainda precisa investir R$ 250 milhões. Uma das formas de adiantar outros sistemas de tratamento será bater à porta da Casa Civil da União e entregar projetos para o recém-anunciado Plano de Aceleração do Crescimento (PAC). Victer já se encontrou mês passado com a ministra Dilma Rousseff para que a Cedae tenha um dos primeiros projetos contemplados pelo PAC. Na mira do pacote federal estão os sistemas de tratamento de Sarapuí e Belford Roxo, na Baixada Fluminense.

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Por: Duilo Victor / Jornal do Brasil

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Editoria: Guto Bertagnolli

  
  

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