Desrespeito ao meio ambiente faz membros da CTNBio abandonarem reunião

Seis representantes de ministérios e da sociedade civil abandonaram hoje a reunião da Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio) por discordarem da proposta de coexistência e monitoramento de transgê

  
  

Seis representantes de ministérios e da sociedade civil abandonaram hoje a reunião da Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio) por discordarem da proposta de coexistência e monitoramento de transgênicos aprovada pela maioria dos membros da comissão.

Com 15 votos a favor, um contra e uma abstenção, a CTNBio aprovou uma sugestão da própria presidência da comissão que facilita a contaminação de variedades de milho ao prever uma distância de apenas 100m entre uma plantação transgênica e uma convencional.

Os representantes dos ministérios e da sociedade civil também não concordaram com a decisão dos demais membros da comissão de desrespeitar a Justiça. As normas discutidas hoje pela CTNBio foram uma exigência da Justiça Federal do Paraná, que impediu a Comissão de deliberar sobre qualquer pedido de liberação comercial de milho geneticamente modificado até que fossem criadas normas de coexistência e monitoramento.

Entretanto, na reunião, logo após aprovar essa proposta que facilitaria a contaminação, a Comissão colocou em votação e aprovou a liberação comercial do milho transgênico MON810, da Monsanto.

“A CTNBio afronta a Justiça e, mais uma vez, comprova que é uma guardiã da bio-insegurança”, afirmou Gabriela Vuolo, coordenadora da campanha de engenharia genética do Greenpeace.

A proposta aprovada ontem pela CTNBio é inútil porque não especifica como deve ser feito o monitoramento e não exige das empresas estudos de impacto no meio ambiente e na saúde.

“Cada empresa desenvolverá um plano de monitoramento próprio, sem acompanhamento, fiscalização nem avaliação por parte da CTNBio. É vergonhoso ver a CTNBio a serviço das empresas”, declarou Gabriela.

Os membros que abandonaram a reunião foram: Carmem Luiza Cabral Marinho (especialista em Saúde do Trabalhador), Paulo Brack (especialista em Meio Ambiente ), Lucas de Souza Lehfeld (especialista em Defesa do Consumidor), Magda Maria Zanoni (representante do Ministério de Desenvolvimento Agrário), Paulo Yoshio Kageyama (representante do Ministério do Meio Ambiente), Rodrigo Roubach (representante da Secretaria Especial da Aquicultura e Pesca da Presidência da República).

Antes de discutir as normas de coexistência e monitoramento, os membros da CTNBio assistiram a apresentações de dois representantes do governo. Ambos destacaram os riscos que a liberação de transgênicos pode trazer para a agropecuária brasileira. Luiz Carlos Balcewicz, coordenador do Centro Irradiador de Manejo Agroecológico do Ministério do Meio Ambiente, declarou que a liberação do milho geneticamente modificado no país pode trazer problemas para as inúmeras variedades nativas de milho que existem em todas as regiões.

Já João Marcelo Intine, da Secretaria de Agricultura Familiar do Ministério do Desenvolvimento Agrário, declarou que as sementes transgênicas não são viáveis para a agricultura familiar.

“Os agricultores familiares são os maiores guardiões da agrobiodiversidade. A contaminação por transgênicos representaria um ato de extrema violação às tradições, às culturas e aos conhecimentos tradicionais”, disse.

A reunião realizada hoje teve grande público. Cerca de 90 produtores rurais tomaram as cadeiras do auditório localizado no Ministério de Ciência e Tecnologia e se manifestaram contra as decisões da Comissão. Além de aplaudirem por cinco minutos os representantes que abandonaram a reunião, abriram cartazes com mensagens como “CTNBio faz mal ao Brasil”.

Fonte : Greenpeace

Del Valle Editoria

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