Detergentes e desinfetantes não eliminam verme da ascaridíase

Pesquisadores da Fiocruz - Fundação Osvaldo Cruz verificaram que a maior parte dos detergentes e desinfetantes utilizados na higienização de pias, banheiros e utensílios domésticos com o objetivo de eliminar germes e outros agentes patológicos não é efica

  
  

Pesquisadores da Fiocruz - Fundação Osvaldo Cruz verificaram que a maior parte dos detergentes e desinfetantes utilizados na higienização de pias, banheiros e utensílios domésticos com o objetivo de eliminar germes e outros agentes patológicos não é eficaz no combate ao Ascaris lumbricoides, mais conhecido como lombriga.

O A. lumbricoides é responsável pela ascaridíase, doença que pode causar desnutrição, deficiência cognitiva e, até mesmo, morte. Seu contágio se dá por intermédio ingestão de ovos produzidos pela fêmea e liberados pelo organismo de pessoas contaminadas pelas fezes. Mãos sujas levadas à boca ou ingestão de alimentos contaminados fazem a sua transmissão.

De acordo com artigo publicado na revista Cadernos de Saúde Pública no início do ano, “ovos de Ascaris têm grande capacidade de aderência a superfícies, o que representa um fator importante na transmissão do parasita. Uma vez presente no ambiente e em alimentos, estes ovos não são removidos com facilidade por lavagens”.

Por isso, os pesquisadores afirmam que é muito importante avaliar os produtos quanto à sua aplicação segura em ambientes e alimentos e quanto à sua capacidade de impedir o desenvolvimento dos ovos.Na pesquisa, os parasitas e os ovos foram coletados de crianças em idade escolar e levados ao laboratório.

Os produtos testados foram, segundo o artigo, detergentes e desinfetantes de uso comum em domicílios e laboratórios.

A Fiocruz disse que os nomes dos produtos não são revelados para preservar a marca comercial. Os componentes ativos, as diluições e os tempos de exposição sugeridos foram analisados e os produtos foram colocados em contado com os ovos, em diferentes concentrações e tempos.

Os resultados indicaram, de acordo com os pesquisadores, que apenas um dos produtos testados inibiu completamente o embrionamento dos ovos, em todos os tempos de exposição e diluições utilizados.

“Em relação aos demais produtos, tempos e diluições testados, os resultados dos embrionamentos mostraram surpreendente variação percentual, sem, entretanto, haver inibição total”, afirmam no artigo.

Eles observaram, ainda, que, dos produtos restantes, cinco causaram reduções de embrionamento maiores do que 50%, em seis o embrionamento ficou abaixo desse índice, em três praticamente não houve redução e um causou embrionamento superior ao do grupo controle.

Os pesquisadores explicam que “fazendo-se uma análise comparativa dos produtos, com base nas suas composições químicas, notou-se que o fator diferencial entre o Ds5 (produto que inibiu completamente o processo) e os demais produtos é a existência, em sua composição, da substância ativa orto-benzil para-clorofenol, fato que sugere ser esta a responsável pelo ótimo resultado obtido”.

Segundo eles, outros testes incluindo esta substância ativa isoladamente devem ser feitos para que seja possível esclarecer os resultados alcançados com este produto. De qualquer forma, a equipe ressalta, no artigo, que esses resultados permitem questionar as prescrições dos detergentes e desinfetantes comercializados no mercado nacional, além de mostrarem “a necessidade de se reavaliarem os procedimentos de descontaminação de ambientes, utensílios e alimentos, quando se tem por objetivo prevenir a infecção por A. lumbricoides”.

Fonte: Agência Notisa

  
  

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