Embrapa estuda potencial de espécies nativas do Pantanal

A diversidade de paisagens ambientais espalhadas pelo Pantanal é um dos fatores que mais dificultam a adoção de um plano de manejo único para a região, especialmente das pastagens. Para melhor utilizar esses recursos forrageiros, pesquisadores da Embra

  
  

A diversidade de paisagens ambientais espalhadas pelo Pantanal é um dos fatores que mais dificultam a adoção de um plano de manejo único para a região, especialmente das pastagens.

Para melhor utilizar esses recursos forrageiros, pesquisadores da Embrapa Pantanal (Corumbá, MS) - Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária,vinculada ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA) vem realizando diversos estudos de manejo, visando estimar a capacidade de suporte dos diferentes tipos de pastagens, em função das condições climáticas, e identificar o potencial de espécies nativas para cultivo,vedação e fenação das pastagens, com o intuito de elaborar estratégias de manejo sustentável.

O trabalho, conduzido pela pesquisadora Sandra Aparecida Santos, foi o destaque da última edição do `Ciência na Mesa`,evento realizado pela Embrapa Pantanal, na cidade de Corumbá, MS. A pesquisadora salienta que o maior desafio na área é estabelecer formas de manejo sustentáveis. `Não existem gramíneas milagrosas.

Para cada região ou fazenda existem espécies chaves que deveriam ser identificas e melhor manejadas para aumentar a produtividade dos rebanhos, por isso é importante que o produtor conheça bem o que tem em cada invernada, em diferentes épocas do ano`, enfatiza.

As pastagens nativas, segundo ela, precisam ser avaliadas pelo produtor de forma pontual, respeitando as características específicas da área. Uma das formas práticas de avaliar a qualidade das pastagens está na identificação da espécie forrageira dominante e preferida pelo gado.

O Pantanal Mato-Grossense abriga uma grande variedade de pastagens nativas, sendo que numa área de poucos hectares podem ser observados vários tipos de pastagens. A pesquisadora explica ser necessário avaliar o cenário considerando suas especificidades.

O capim mimoso, por exemplo, é tido como chave no manejo das áreas arenosas da sub-região da Nhecolândia, com exceção de anos extremamente secos. Já a grama-do-cerrado, espécie de extrema importância para o Pantanal, tem como característica principal a resistência à seca e a solos pobres, sendo base da alimentação dos bovinos nas partes mais altas dessa sub-região.

Segundo ela, é preciso adotar formas de manejo que propiciem o aumento das espécies nativas de qualidade na região que, podem alcançar os mesmos resultados obtidos com as pastagens exóticas.

Outro aspecto de interesse é determinar a proporção da área de pastagem disponível conforme as condições climáticas anuais. Caso isso não seja possível, a recomendação da pesquisadora é proceder um agrupamento das principais fitofisionomias, como por exemplo; campo limpo com predominância de capim-mimoso e capim vermelho; campo limpo com predominância de capim-carona; áreas baixas (borda de baías, baías temporárias, vazantes, baixadas) cerradão, campo-cerrado, entre outros.

A taxa de lotação dos animais é tida como uma das mais importantes decisões a serem tomadas pelo produtor. `Ajustar o número de animais conforme a qualidade da pastagem disponível na propriedade é difícil por estar relacionada a intensidade e a freqüência de pastejo do animal`, explica Sandra Santos.

Campo limpo, campo cerrado, campo sujo, caronal, borda de baías, vazantes estão entre os principais tipos de pastagens utilizadas para forrageamento.Independente da época do ano, os bovinos preferem pastar nas áreas mais
baixas do mesorelevo como bordas de baías, baías temporárias, vazantes e campo limpo inundável, sendo as demais áreas usadas esporadicamente.

A pesquisadora explica que a freqüência de uso dessas áreas está,provavelmente, relacionada com a maior ou menor presença de água nos campos e com as condições das pastagens, mostrando que nem todas são usadas na mesma intensidade pelos bovinos.

Ciência na Mesa :

Com o objetivo de transferir tecnologias e promover a troca de experiências entre produtores rurais da região, a Embrapa Pantanal lançou a primeira edição do Ciência na Mesa no mês de junho. Desde então, o evento vem reunindo pesquisadores, professores universitários e produtores, em torno de temas relevantes da cadeia produtiva da carne. A iniciativa conta com o apoio da Real H.

Fonte: Embrapa

  
  

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