Embrapa participou de congresso internacional sobre sistemas agroflorestais

As discussões entre expansão da agricultura e desmatamento são antigas. Nos estados brasileiros onde a floresta Amazônica é um dos biomas predominantes, a pecuária extensiva, o avanço da soja e outras atividades agropecuárias são classificadas como ameaça

  
  

As discussões entre expansão da agricultura e desmatamento são antigas. Nos estados brasileiros onde a floresta Amazônica é um dos biomas predominantes, a pecuária extensiva, o avanço da soja e outras atividades agropecuárias são classificadas como ameaçadoras à manutenção da biodiversidade.

No entanto, a Empresa Brasileira de Pesquisa
Agropecuária (Embrapa), vinculada ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, vem trabalhando no desenvolvimento de tecnologias que oferecem condições sustentáveis tanto para quem depende da exploração dos recursos da floresta quanto para quem deseja mantê-la preservada: os sistemas agroflorestais, sistemas de uso da terra em que se combinam espécies arbóreas perenes com cultivos agrícolas anuais e/ou animais.

Dentro desse contexto, a pesquisadora na área de Ciência Florestal da Embrapa Rondônia (Porto Velho-RO) Michelliny de Matos Bentes Gama apresentou quatro painéis sobre sistemas agroflorestais (SAF’s) durante o 1º Congresso Internacional de Agrofloresta, que foi realizado em Orlando, Flórida, entre os dias 27 de junho e 02 de julho.

O evento, coordenado pela Universidade da Flórida, envolve centros de referência que trabalham com a linha agroflorestal, como o World Agroforestry Centre (WAC), U.S. Department of Agriculture (USDA),National Agroforestry Centre, Inter-American Institute for Cooperation on Agriculture (IICA), Centro Agronómico Tropical de Investigación y Enseñanza (CATIE), Food and Agriculture Organization of the United Nations (FAO), entre outros.

A iniciativa teve como objetivo realizar o intercâmbio de experiências e revelar pesquisas sobre os avanços mundiais da ciência agroflorestal nos ultimos 20 anos. Paralelamente ao congresso internacional, foi realizado um fórum global para se definir as futuras estratégias de pesquisa, educação e capacitação na linha da agrossilvicultura, onde cultivos agrícolas, espécies florestais e/ou animais podem ser manejados
simultaneamente, ou escalonados no tempo e espaço.

“A utilização de sistemas agroflorestais como alternativa à deterioração dos recursos naturais é indiscutível, principalmente no ecossistema amazônico, onde o sistema de ocupação da terra se dá pela agricultura itinerante, de corte e queima”, explica a pesquisadora.

“A tecnologia de combinação de cultivos agrícolas tradicionais a espécies florestais, de alto valor econômico, deve ser disseminada”, reforça.

Pesquisas apresentadas:

A Embrapa Rondônia, um dos centros de pesquisa agroflorestais da Amazônia da Embrapa, irá apresentar resultados de investigação de 15 anos dos SAF’s implantados no Campo Experimental da empresa em
Machadinho d’Oeste, região nordeste do Estado.

Os trabalhos são de autoria dos pesquisadores Michelliny de Matos Bentes Gama, Marília Locatelli e Abadio Hermes Vieira, com a colaboração de pesquisadores da Embrapa Florestas (Colombo-PR) e Universidade Federal de Viçosa.

Retratam sistemas agroflorestais compostos originalmente pelas espécies banana, pimenta-do-reino, cupuaçu, castanha do brasil, freijó e pupunha, de grande importância na economia regional.

Compõe também o acervo de tecnologias um trabalho sobre quintais agroflorestais no estuário amazônico, objeto de estudo da pesquisadora Michelliny Bentes Gama na Ilha de Marajó (PA), onde foram caracterizadas espécies comumente utilizadas na subsistência de uma população ribeirinha, representadas por uma das formas mais tradicionais dos SAF´s nos trópicos: os quintais
agroflorestais, empiricamente implantados nas adjacências das moradias, onde predominam espécies de grande valor alimentício, como o açaí, diversas fruteiras, além de plantas medicinais.

DIAGNÓSTICO :

A pesquisa tornou disponível certas práticas e sistemas de produção mais sustentáveis, dentre os quais, os Sistemas Agroflorestais (SAF’s).

Os SAF´s são bastante difundidos e utilizados na América Tropical, e em especial nos países amazônicos, onde essa técnica tem sua origem na cultura indígena. Como sistemas alternativos de produção, os SAF´s são consagrados por suas vantagens biofísicas, ambientais e sócio-econômicas, entretanto, estudos mais detalhados acerca dos aspectos produtivos associados ao retorno econômico têm se mostrado cada vez mais necessários para comprovar a viabilidade desses sistemas e garantir sua adoção junto a agricultores e produtores locais.

Segundo a pesquisadora da Embrapa Rondônia Michelliny Bentes Gama, povos indígenas já praticavam a tecnologia, que foi sendo aperfeiçoada pelos caboclos da região amazônica, associando espécies que geravam
principalmente alimentos, e que paralelamente tinham importância econômica, tais como os cultivos agrícolas tradicionais (arroz, feijão, mandioca), juntamente com espécies perenes como o cupuaçu, a castanha-do-brasil, a pupunha, entre outras.

Caracterizado pela associação entre espécies perenes e de ciclo curto ou médio, os SAF’s, segundo a pesquisadora, podem resultar em importantes impactos na economia regional, se bem conduzidos e manejados.

“Aspectos como a segurança alimentar e a conservação da biodiversidade são propiciados pelos sistemas agroflorestais. Pelos aspectos ecológico, econômico e social refletem em geração de renda, trabalho e qualidade de vida ao produtor”, expõe.

De acordo com a pesquisadora são necessárias políticas de incentivo à implementação da técnica agroflorestal, por meio de abertura de linhas de crédito, capacitação aos técnicos e produtores e mais investimentos
em pesquisa.

“A castanha-do-brasil é uma espécie valiosa, utilizada na indústria alimentícia e cosmética. Embora ainda em pequena escala é um dos produtos que se destaca na nossa pauta de exportações de produtos não-madeireiros.

Dentro dessa linha, vários outros poderiam ser inseridos, gerando alternativas econômicas, conservando a biodiversidade local, refletindo em mais emprego e renda”, apresenta.

Os trabalhos da Embrapa Rondônia apresentados no 1º Congresso Internacional de Agrofloresta retrataram os resultados de pesquisa do experimento com SAF’s do projeto “Sistemas agroflorestais em Machadinho d’Oeste, Rondônia - avaliação de parâmetros biofísicos e econômicos”, iniciado em 1987, atualmente coordenado pela pesquisadora Marília Locatelli.

Fonte: AssCom Social Embrapa Rondônia

  
  

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