Autoridades precisam salvar a Rio +20 da falta de ambição

O texto em negociação apresentado hoje pela manhã na Rio+20 não foi bem recebido pelas entidades civis nem por países que participam diretamente das negociações

  
  
Rio + 20

O texto em negociação apresentado hoje pela manhã na Rio+20 não foi bem recebido pelas entidades civis nem por países que participam diretamente das negociações.

Países árabes e União Europeia pedem "mais ambição" ao documento e impactos nos objetivos de desenvolvimento sustentável, por exemplo. Já países africanos e em desenvolvimento pedem maiores comprometimentos em relação a financiamentos.

Para o WWF-Brasil, está claro que os diplomatas estão fracassando na definição de um texto ambicioso e na tomada de decisões fortes sobre assuntos relevantes. Não há um compromisso com um texto ambicioso e estão priorizando interesses nacionais em detrimento de acordos que beneficiem todo o planeta.

"Não há sentido falar em interesses nacionais sem um planeta saudável. Por isso, esperamos que os chefes e ministros de Estado salvem a Rio+20 nos próximos três dias. Nossos governantes não foram eleitos nem são pagos para fugirem de suas obrigações", ressaltou Maria Cecília Wey de Brito, secretária-geral do WWF-Brasil.

Confira a avaliação do WWF sobre alguns pontos do texto apresentado:
Economia Verde: Muitas oportunidades foram desperdiçadas. A definição de outros indicadores além do PIB para avaliar o desenvolvimento dos países não evoluiu. O documento final reabre um processo de mais 20 anos, nos colocando na mesma posição em que estávamos ao final da Rio 92. Sobre produção e consumo sustentável, o documento estabelece a estrutura de um programa voluntário dentro de um período de 10 anos, quando ideal seria um compromisso mandatório dos países.

Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODSs): O que poderia ser o grande sucesso da Rio +20 ficou limitado a um novo processo de negociação para sua definição. Não estão sendo definidas áreas temáticas para esses objetivos, o que é essencial para direcionar o processo. Outro ponto lamentável é que esses objetivos estão sendo considerados ‘voluntários’.

Energia: A linguagem sobre o tema é muito fraca e não enfatiza a necessidade do aumento do uso de energia de fontes renováveis, além de não apresentar nenhum comprometimento neste ponto. Este processo não criou o compromisso entre os países para trabalhar de forma integrada por energia sustentável para todos.

Água: Apesar de reconhecer o papel fundamental da água e dos serviços dos ecossistemas para desenvolvimento sustentável, o texto não é orientado a ações. Não há novos compromissos em relação ao gerenciamento da água além do que foi definido em Johanesburgo 10 anos atrás. Há pouco direcionamento para a cooperação entre os países para manutenção da qualidade da água.

Oceanos: Nos últimos dias criou-se uma expectativa grande em torno de compromissos concretos em relação a um instrumento de implementação da Convenção das Nações Unidas sobre a Lei dos Direitos do Mar. No entanto, texto final ficou fraco no que diz respeito à conservação e uso sustentável da biodiversidade em áreas além de jurisdições nacionais, levando a apenas um instrumento voluntário.

Três dias de negociações
Nos próximos três dias, chefes de Estado e autoridades dos países irão discutir o documento apresentado pelos diplomatas e definir o que de fato ‘sairᒠda Rio+20.

Diante da pouca ambição do documento apresentado até o momento, a esperança é que eles ‘salvem’ a Rio + 20 de ficar marcada como uma conferência que definiu apenas uma nova agenda de negociação. “Os processos de discussões que estão acontecendo são sempre relevantes, mas as decisões até agora são incrivelmente fracas e não podemos correr o risco de sair daqui sem soluções”, afirmou a secretária-geral do WWF-Brasil.

Para Maria Cecília, os líderes precisam mostrar a que vêm e tomar atitudes de peso que mudem o rumo das negociações feitas até o momento.

Fonte: WWF-Brasil

  
  

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