Brasil assume presidência da Rio+20 e deve promover resultados concretos

Os destaques da participação do WWF-Brasil na conferência nesta sexta (15) foram o lançamento de publicações sobre o consumo consciente e o gerenciamento de parques nacionais e outras unidades de conservação federais

  
  

O Brasil assumiu o comando das negociações na Rio+20 e, conforme o embaixador Luiz Figueiredo, negociador-chefe do Brasil na Rio+20, os esforços serão focados em atingir o máximo de consensos até o próximo dia 19, um dia antes das reuniões do chamado "segmento de alto nível", com a presença de chefes de Estado e de Governo dos países-membros das Nações Unidas. "Queremos chegar lá com um documento limpo. O Brasil não tem um texto na manga", comentou o diplomata.

"O Brasil poderá influenciar de forma mais efetiva as negociações, levando aos debates posições balanceadas e verdadeiras, buscando sempre o equilíbrio entre as propostas dos países presentes. É preciso avançar em uma agenda com 20 anos que trouxe poucos resultados concretos, driblando aquelas posições que procuram manter as coisas como estão. Esperamos que o Brasil contribua com resultados concretos para a Rio+20, como o fortalecimento da questão ambiental junto às Nações Unidas e para um reconhecimento crescente sobre os valores dos recursos naturais planetários", ressaltou a secretária-geral do WWF-Brasil, Maria Cecília Wey de Brito.

"Agora nós precisamos do Brasil para atuar na política assim como ele joga futebol", disse Lasse Gustavsson, diretor-executivo de Conservação do WWF- Internacional. "Nos próximos dias, o Brasil será o anfitrião da Rio+20 e sofrerá muita pressão para que o encontro tenha objetivos concretos, evitando que os governos presentes voltem para casa com suas caudas entre as pernas", ressaltou.

Foco - Os destaques da participação do WWF-Brasil na Conferência da ONU sobre Desenvolvimento Sustentável hoje trataram de consumo consciente e dos avanços no gerenciamento de parques nacionais e de outras unidades federais de conservação, em todo o país. A entidade também passou a integrar a Rede Brasileira da Carta da Terra.

Em evento aberto ao público na Fundação Planetário, na Gávea, foi lançado o “Pequeno guia de consumo em um mundo pequeno”, uma realização do Programa Água Brasil. O manual lembra que consumir é uma necessidade humana, mas que o hábito de comprar produtos que vão além de nossas necessidades reais é uma das principais causas da crise socioambiental que o planeta enfrenta. Por isso o guia indica caminhos para um consumo consciente, com dicas e sugestões sobre como cada um pode melhorar seu consumo e diminuir seu impacto sobre a natureza.

“Por trás de tudo que consumimos, há natureza”, lembrou Fábio Cidrin, coordenador do Programa Educação para Sociedades Sustentáveis do WWF-Brasil e responsável pela publicação, que oferece dicas simples, como essa: “Brinquedos com pilhas brincam sozinhos. Crianças adoram companhia. Bons brinquedos são aqueles que instigam o raciocínio, a curiosidade e permitem a interação. O melhor brinquedo para seus filhos?
Você”.

"Bom é chegar logo em casa. Ruim é congestionamento. Pior é cada um sozinho no seu carro, entupindo tudo. Faça a rua mais livre, promovendo carona solidária, andando de bicicleta e caminhando. Utilize serviços próximos à sua casa. Cobre do poder público sistemas mais eficientes de ônibus, metrôs e ciclovias. Para achar as melhores maneiras de percorrer seus caminhos na cidade, consulte a prefeitura”, traz outro trecho do guia, que tem 40 páginas e formato de bolso.

Foram impressas 17 mil cópias em português e 3 mil cópias em inglês da publicação para a Rio+20. Mais informações e download do guia em
http://www.wwf.org.br/informacoes/noticias_meio_ambiente_e_natureza/?31644

Áreas Protegidas - Em parceria com o Ministério do Meio Ambiente, o WWF-Brasil apresentou hoje, durante evento no Parque dos Atletas, a publicação "Efetividade de Gestão das Unidades de Conservação Federais do Brasil: resultados de 2010". A análise engloba contexto, insumos, processos, planejamento e resultados, e revela um aumento na efetividade do gerenciamento das áreas protegidas sob responsabilidade da União: em 2005, 13% das UCs alcançaram valores de efetividade alta, 36% média e 51% baixa; já em 2010, 23% das UCs apresentaram efetividade alta, 46% média e 31% baixa. Mais informações em http://www.wwf.org.br/informacoes/noticias_meio_ambiente_e_natureza/?31646

“As unidades de conservação são essenciais para a conservação da biodiversidade e para o desenvolvimento econômico e social sustentável de regiões importantes para toda a humanidade, como a Amazônia, o Cerrado, o Pantanal e a Mata Atlântica. O lançamento dessa análise é estratégico, pois é fundamental que essas áreas tenham os recursos e o reconhecimento necessários para que sigam nos auxiliando a alcançar o modelo de desenvolvimento que queremos e precisamos”, ressaltou o coordenador do Programa Amazônia do WWF-Brasil, Mauro Armelin.

Carta da Terra - O WWF-Brasil se integrou formalmente à Rede da Carta da Terra durante apresentação da iniciativa na Cúpula dos Povos (Aterro do Flamengo), pelo teólogo e escritor Leonardo Boff, de Mirian Vilela (Carta da Terra Internacional), da ex-ministra Marina Silva, de Neca Setúbal (IDS) e Ana Rúbia (Abrampa). Participaram do evento por volta de mil pessoas.

A Carta da Terra é uma declaração de princípios à sociedade mundial, baseados em ética na relação com o meio ambiente. Empresas e governos deveriam usar o documento para nortear decisões e projetos. "Por isso, o apoio das principais potências mundiais é essencial que para que todo o esforço da Rio+20 tenha um resultado prático, disse o especialista em Políticas Públicas do WWF-Brasil, Kenzo Jucá Ferreira. “A falta de líderes das principais economias preocupa em relação aos resultados que serão obtidos aqui no Rio. O mundo vive uma encruzilhada e, agora, é a hora de encontrarmos novas diretrizes”, ressaltou.

Fonte: WWF Brasil

  
  

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