Brasil e França discutem preservação da biodiversidade em evento no Rio de Janeiro

Ano da França no Brasil abre caminhos para maior cooperação científica em recursos naturais diante do desafio global de desenvolvimento sustentável

  
  

O intercâmbio e a gestão de conhecimentos e dados relacionados ao estudo dos recursos da terra, incluindo as riquezas da Amazônia brasileira, foram os temas centrais do encontro “Biodiversidade em Questão: Cooperação entre o Museu Nacional de História Natural da França (MNHN) e o Brasil, realizado nos dias 29 e 30 de setembro, na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), dentro da programação oficial do Ano da França no Brasil.

Com dois acordos assinados recentemente pelos governos brasileiro e francês sobre a biodiversidade amazônica, autoridades, professores e pesquisadores se reuniram, otimistas, para tentar ampliar a cooperação científica bilateral e melhor organizar a troca e o armazenamento de dados nesta área.

“Temos muitas pesquisas sendo realizadas sobre a biodiversidade tanto no Brasil como na França, mas precisamos definir uma estratégia comum, ou seja, identificar os assuntos prioritários. Com isso, vamos elaborar um plano de ação para submeter às autoridades e poder dar continuidade a nosso trabalho de forma mais centralizada”, explicou a coordenadora do evento, Myriam Néchad, do Museu Nacional de História Natural da França.

Na mesa de abertura do encontro, o diretor de Programas Temáticos do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), José Oswaldo de Siqueira, disse que o Ano da França no Brasil representa uma grande oportunidade para o controle e a governança das ações de cooperação em biodiversidade, recursos naturais e ecologia, que ainda são muito fragmentadas.

“Temos um imenso desafio para intensificar a colaboração com países em estados mais avançados. Nossa expectativa aqui é de estruturar esta plataforma de ações”, declarou José Oswaldo.

A parceria para a cooperação e o desenvolvimento científico e tecnológico é apenas uma das 30 áreas nas quais o Brasil e a França investem juntos, mas ela tem uma importância particular porque está relacionada com o desenvolvimento sustentável.

“A análise do funcionamento e da dinâmica da evolução da Amazônia é fundamental para enfrentarmos o desafio do aquecimento global. Neste contexto, também é importante compartilhar dados ligados às coleções da biodiversidade”, reconheceu o cônsul geral da França, Hugues Goisbault, lembrando que a França e o Brasil participarão da Cúpula da ONU sobre as mudanças climáticas prevista para dezembro em Copenhague.

Ao lado dele, o presidente do Museu Nacional de História Natural da França, Bertand Pierre Galey, fez uma apresentação interessante do trabalho detalhado desenvolvido pela instituição, como a conservação e o enriquecimento de coleções de espécies vivas, e sua luta contra a crise da biodiversidade.

Os convênios franco-brasileiros de cooperação científica permitem o compartilhamento de dados sobre organismos vivos, espécies de plantas, insetos e uma infinidade de recursos naturais de um país e de outro para preservar e restaurar os meios naturais, os recursos da terra.

“Encontros como estes são importantes para a cooperação bilateral, que pode perenizar as relações entre os laboratórios de pesquisa brasileiros e franceses no contexto do desenvolvimento sustentável”, afirmou o pesquisador francês Philippe Grand Colas, do Centro Nacional de Pesquisa Científica (CNRS, na sigla em francês).

A cooperação científica em biodiversidade é feita pelo Museu Nacional de História Natural, do lado da França, e pelo Museu de Zoologia da USP e a UFRJ, do lado brasileiro. A França representa o destino mais importante dos bolsistas brasileiros da Coordenação de Aperfeiçoamento e Pessoal de Nível Superior (Capes).

De quase 4 mil estudantes que foram para o exterior no ano passado, mil escolheram a França, segundo o diretor de Relações Internacionais da Capes, Sandoval Carneiro, presente no evento. A Capes trabalha em parceria com o Cofecub, ferramenta maior de cooperação científica e universitária com o Brasil.

Durante este encontro na UFRJ foi apresentado um protótipo do herbário virtual de Saint Hilaire, um site de livre acesso para cidadãos brasileiros e franceses com o registro de inúmeras espécies naturais para consultas e estudos.

Realização: Governo Federal do Brasil e República Francesa

Fonte: Entrelinhas Comunicação

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