Projetos da TNC são premiados pelo Prêmio Chico Mendes de Meio Ambiente 2010

O município de Paragominas (PA) e o Centro Amazônico de Formação Indígena (CAFI) são os vencedores na categoria “Município” e “Educação Ambiental”

  
  

No próximo dia 23 de novembro o Ministério do Meio Ambiente (MMA) premiará os vencedores do Prêmio Chico Mendes de Meio Ambiente 2010. Divididos em seis categorias serão distribuídos R$ 140 mil e diplomas na cerimônia de entrega do prêmio, no Centro Comunitário da Universidade de Brasília (UnB). Entre eles, dois projetos da ONG The Nature Conservancy (TNC), realizados com parceiros locais, foram os vencedores nas categorias “Município” e “Educação Ambiental”. A cidade de Paragominas, no Pará, e o Centro Amazônico de Formação Indígena (CAFI) – iniciativa da Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira (COIAB) gerenciada pela TNC tiveram seus trabalhos reconhecidos.

Paragominas é a vencedora, em sua categoria, graças a atuação do projeto Municípios Verdes que, na cidade, conta com a parceria da Prefeitura Municipal de Paragominas, o Sindicato dos Produtores Rurais de Paragominas, com o apoio da Secretaria de Meio Ambiente do Estado do Pará (SEMA-PA), da ONG The Nature Conservancy (TNC), o Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia (Imazon) e outras organizações. O apoio financeiro do Fundo Vale. “Com o projeto, conseguimos alcançar o nosso compromisso em zerar os passivos ambientais, beneficiando o meio ambiente e a sociedade”, explica Adnan Demachki, prefeito de Paragominas que receberá o prêmio. Nesta categoria o vencedor não recebe prêmio em dinheiro, mas sim um diploma.

“Essa premiação mostra que o esforço de todos, para que Paragominas fosse um exemplo de que é possível aliar desenvolvimento econômico e proteção ambiental, não foi em vão”, comemora José Benito Guerrero, coordenador da estratégia de Conservação em Terras Privadas da TNC.

O Municípios Verdes tem como objetivo fortalecer a governança ambiental e as ações de controle e monitoramento do desmatamento em áreas críticas da região amazônica, integrando a gestão ambiental à produção agropecuária. Nele, os envolvidos trabalham com o Cadastro Ambiental Rural (CAR) uma ferramenta de identificação de imóveis rurais, obrigatória por lei. Para realizar o cadastro, o proprietário rural fornece dados sobre sua propriedade – como o perímetro e um mapeamento de vegetação nativa e áreas abertas – que permitem definir planos e estratégias para a conservação efetiva da biodiversidade, aliada à criação de benefícios e alternativas econômicas para populações locais.

A importância do cadastro é que sem ele o município entra na lista dos maiores desmatadores da Amazônia e, consequentemente, os proprietários de terra não tem acesso a créditos bancários. “Já controlamos o desmatamento e, com a adesão dos produtores ao Cadastro, finalmente conseguimos atingir nosso objetivo”, completa o presidente do Sindicato dos Produtores Rurais, Mauro Lúcio Costa.

Para sair dessa lista o município precisa atender alguns critérios, como reduzir o desmatamento para menos de 40 km2 em um ano e realizar o CAR de 80% de seu território, excluídas terras indígenas e áreas protegidas. Com o projeto foi possível realizar esse trabalho e Paragominas foi a primeira cidade a deixar lista. Em todo o Estado do Pará já são mais de 1 milhão de hectares cadastrados. “Com cerca de 2 milhões de hectares, aproximadamente 950 mil hectares de Paragominas são áreas antropizadas – isto é, áreas modificadas. O município conta, ainda, com mais de um milhão de hectares de florestas preservadas”, explica Paulo Amaral, pesquisador do Imazon.

Educação Ambiental

Já o Centro Amazônico de Formação Indígena (CAFI), vencedor na categoria “Educação Ambiental”, é o primeiro centro de formação indígena dedicado à formação para a conservação da Amazônia. Iniciativa da Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira (COIAB) gerenciada pela TNC tem o objetivo de elaborar treinamento de gestão de terras indígenas colaborando com organizações indígenas no desenvolvimento de planos de gestão para suas reservas. Para isso, fornece informações sobre as principais áreas indígenas, produz manuais e outros materiais de formação, oferece oficinas e treina jovens indígenas.

Nesse treinamento há capacitação de jovens indígenas de toda a Amazônia para que se crie uma nova geração de líderes indígenas. Esses jovens são escolhidos por suas aldeias e ficam em Manaus por nove meses e frequentam aulas todos os dias com módulos como: gestão de projetos, Sistema de Informação Geográfica (SIG), e outras tecnologias, planejamento e gestão ambiental, etnomapeamento e política ambiental e indígena. Após essa fase os alunos realizam visitas e trabalhos de campo.

Lançado em 2006, o CAFI já colhe importantes resultados, como a formação de quase 100 jovens e a admissão de alguns graduados para trabalhos relacionados ao aprendizado no projeto. Exemplo disso foi um aluno que desenvolveu o conhecimento em técnicas de sensoriamento remoto através de um estágio em um dos mais reconhecidos institutos de pesquisa da Amazônia, o Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA). Hoje ele trabalha no Conselho Indígena de Roraima (CIR), uma associação indígena da sua região, como especialista em SIG, digitalizando etnomapas e criando mapas de áreas importantes da sua reserva. “Apesar de pouco tempo de atuação, o CAFI já está deixando importantes contribuições para o futuro das lideranças e gerações indígenas”, afirma Hélcio Souza, coordenador da Estratégia de Conservação em Terras Indígenas da TNC.

Sobre o Prêmio Chico Mendes de Meio Ambiente

Criado em 2002 pelo Ministério do Meio Ambiente (MMA), o prêmio visa valorizar trabalhos realizados e desenvolvidos em prol da conservação do meio ambiente da Amazônia Legal. É o reconhecimento da contribuição de seus realizadores ao processo de melhoria da qualidade ambiental. Nesta nona edição a comissão julgadora avaliou 105 projetos de diferentes regiões do Brasil. O julgamento foi feito com base em critérios de efetividade, impacto social e ambiental, potencial de difusão, originalidade, adesão e participação social.

Além de Paragominas os outros vencedores de cada categoria são: Liderança Individual, Sérgio Roberto Lopes, do Acre; Organização da Sociedade Civil, Fundação Viver Produzir e Preservar, do Pará; Negócios Sustentáveis, Fundação Vitória Amazônica, do Amazonas; Educação Ambiental, Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia; Saúde e Meio Ambiente, Associação Paulista para o Desenvolvimento da Medicina Hospital São Paulo. A organização do prêmio é do Departamento de Articulação de Políticas para a Amazônia e Controle do Desmatamento.

Fonte: Capta Comunicação & Promoções

  
  

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