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Estado de Santa Catarina quer limitar a plantação de pinus

Uma das mais conhecidas madeiras da indústria moveleira, o Pinus elliottii (Pinho ou Pinheiro Americano), espécie exótica originária dos Estados Unidos, de importante valor comercial, foi acusada de “invasora biológica” e recebeu como sentença

13 de Fevereiro de 2003.
Publicado por Equipe EcoViagem  

Uma das mais conhecidas madeiras da indústria moveleira, o Pinus elliottii (Pinho ou Pinheiro Americano), espécie exótica originária dos Estados Unidos, de importante valor comercial, foi acusada de “invasora biológica” e recebeu como sentença ser erradicada de uma parte do estado de Santa Catarina.

Segundo Fernando Bechara, aluno do mestrado em Biologia Vegetal da UFSC - Universidade Federal de Santa Catarina, o pinus é a mais agressiva planta invasora do globo e, no Brasil, vem multiplicando os problemas nas regiões de restingas e campos naturais do Sul.

Em 2000 a área plantadas de pinus em todo o território nacional ultrapassava os 1.840.050 ha, sendo deste total 318.120 ha só em Santa Catarina. Estudos realizados pela UFSC mostram que o pinus, que foi plantado no Parque Florestal do Rio Vermelho há 40 anos, tornou-se à espécie vegetal invasora mais comum na região catarinense, tomando o espaço da vegetação nativa de restinga.

Esse fenômeno denominado de contaminação biológica, invasão ou poluição biológica, ocorre quando plantas exóticas introduzidas em determinada área se adaptam e se naturalizam no novo habitat, tirando o espaço das espécies nativas e promovendo mudanças no ecossistema.

Levantamento feito por Bechara mostrou que as plantações adultas de pinus encombrem e impedem o surgimento de outras espécies. A vegetação de restinga não consegue florir e frutificar contribuindo para o afastamento da fauna que dela se serve.

Um outro grande problema do pinus em relação às outras espécies está na sua fácil reprodução. Suas sementes são dotadas de pequenas abas semelhantes a asas que facilitam a sua dispersão por quilômetros. Algumas características do pinus o tornam um contaminante biológico dos mais comuns, já que a espécie não tem inimigos naturais, como predadores ou herbívoros que se alimentem de suas sementes.

O pinus não depende de animais para a polinização, tem baixa exigência nutricional e condições apropriadas para a regeneração natural.

“Esses fatores permitem sua ocupação em ambientes com condições adversas e restritas, como regiões áridas, de extremo frio, topos de montanhas e solos com alta acidez e baixa fertilidade”, explica Bechara.

Para reverter situações como essa, o Lef - Laboratório de Ecologia Florestal, ligado ao Departamento de Botânica do Centro de Ciências Biológicas da UFSC, realiza um trabalho de recuperação de um hectare da parte invadida pelo pinus no Parque do Rio Vermelho.

A área funciona como unidade demonstrativa e sua restauração servirá como modelo para o trabalho a ser desenvolvido no restante do espaço. Além de Bechara participam do trabalho o professor Ademir Reis, do Lef, e um estagiário. O pinus dipersa suas sementes durante todo o ano, sendo que em abril chega a lançar até 3 milhões de sementes por hectare, com 90% de germinação.

Para orientar a substituição dos 750 hectares da árvore pela vegetação nativa de restinga no Parque do Rio Vermelho, em Florianópolis, foi implantada uma área piloto de 1 hecatre com orientação do professor Reis e com o apoio da Fundação O Boticário de Proteção a Natureza e da Cidasc, órgão Administrador do Parque.

Nesta área, foram retiradas as árvores adultas (com mais de 2 m de altura) e empregadas quatro técnicas de restauração. Uma delas consiste em fazer o corte do pinus e o plantio de mudas de espécies nativas, como aroeiras pimenteiras, araçás e feijãozinho da praia para abafar a regeneração de pinus e restauração do solo (após o corte das árvores adultas de pinus, passam a nascer milhares de plântulas - propagação vegetal - devido a grande quantidade de sementes que fica no solo).

Outra técnica é a semeadura direta de 30 espécies também nativas. A terceira prevê, após o corte, a plantação de gramíneas anuais, ou seja, que depois de um ano já se extinguiram. Essas gramíneas anuais (Aveia e Milheto), são utilizadas por terem crescimento mais rápido que o da espécie invasora, evitando a regeneração do pinus cortados e deixando a área preparada para o retorno da vegetação nativa.

A última opção adotada é a instalação de poleiros artificiais para atrair pássaros que promovem a semeadura de outras espécies por meio das fezes. Segundo Bechara, o processo de retirada do pinus é fundamental para que haja a conservação da restinga do Parque, que abriga espécies endêmicas e ameaçadas de extinção.

“O pinus é uma importante espécie comercial, mas suas plantações devem ser feitas em áreas distantes de outras destinadas à conservação, pois invadem as mesmas implicando em perdas de diversidade, como no Parque do Rio Vermelho e na Ilha de Santa Catarina, áreas vocacionadas para a conservação e ecoturismo e não para a produção de madeira de pinus”, explica Bechara.

Ele explica que a contaminação biológica é a segunda maior causa de extinção de espécies no mundo. Quase a metade das plantas exóticas introduzidas em diferentes países, a maior parte para fins ornamentais, se tornam invasoras e alteram processos ecológicos como ciclagem de nutrientes, decomposição, processos evolutivos e polinização.

Além disso, causam a perda de ligação entre níveis tróficos e de biodiversidade, por meio da extinção de espécies, do empobrecimento dos ecossistemas e da perda de variabilidade genética. Por exemplo, no caso do Rio Vermelho, o pinus sombreou a vegetação de restinga e sem a luz solar essa vegetação não frutifica.

O bolsista defende a adoção de políticas e ações como a conscientização de órgãos ambientais e comunidades, o enquadramento nas leis já existentes, a criação de leis específicas para o plantio de contaminantes próximos ás áreas protegidas, projetos de paisagismo e recuperação ambiental. Bechara ressalta que no Rio Vermelho a restinga já está quase totalmente tomada pelo pinus.

“Se nenhuma providência for tomada, em 30 anos só haverá pinus no local, sem resquícios da vegetação nativa”, sentencia. Há um dispositivo da Lei de Crimes Ambientais que prevê detenção de seis meses a um ano, além da multa, para quem impedir ou dificultar a regeneração natural de florestas e outras formas de vegetação, lembra Bechara.

Sem fiscalização, a lei não é cumprida. O problema é agravado pela ausência do tema nas discussões que tratam do ambiente. Ao contrário de outros países, no Brasil não se discute a necessidade de implementação de práticas de controle, manejo e adoção de leis específicas para evitar a contaminação biológica.

Fonte: Agência Brasil

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Comentários

marcio frança

 postado: 21/9/2008 15:18:57editar

concordo plenamente com o prof e sua equipe e comunidade o rio vermelho merece cuidados tecnicos e cientifico como esse que esta sendo desenvolvido o brasil agradese a essa preocupação ecologica eo mundo tambem obrigado prof em breve estarei ai para plantar arvores nativas espontaniamente fazendo a minha parte como cidadão:marcio frança - geografia - umuarama pr

 

 

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