Estudo mostra que reservas pequenas não protegem algumas espécies de aves na AM

As unidades de conservação pequenas têm potencial limitado na conservação da biodiversidade na Amazônia quando se trata de espécies de pássaros. A conclusão é de um novo estudo de cientis

  
  

As unidades de conservação pequenas têm potencial limitado na conservação da biodiversidade na Amazônia quando se trata de espécies de pássaros. A conclusão é de um novo estudo de cientistas do Brasil e dos Estados Unidos, feito a partir do PBDFF (Projeto de Biologia Dinâmica de Fragmentos de Floresta), o maior experimento do tipo realizado no mundo.

O trabalho, coordenado pelo biólogo Gonçalo Ferraz, do Inpa (Instituto Nacional de Pesquisas Amazônicas), contou com levantamentos feitos desde 1979 numa área desmatada sob a supervisão de cientistas, perto de Manaus, onde foi possível avaliar o efeito da fragmentação da floresta na capacidade de sobrevivência de animais e de plantas.

A intenção dos cientistas com o projeto, foi entender qual é fator mais crucial para a sobrevivência de espécies em um determinado fragmento de mata que tenha restado numa região desmatada. É mais importante que esse fragmento seja grande ou é mais importante que ele não esteja muito isolado de outros trechos de mata"

Achar uma resposta para isso é importante para planejar unidades de conservação. E o estudo de Ferraz, publicado na edição de hoje na revista "Science" (

www.sciencemag.org

), é um reforço à idéia de que as autoridades ambientais precisam mesmo pensar grande.

"O efeito da área é muito mais forte do que nós esperávamos", disse Ferraz à Folha. "Metade das 55 espécies que nós analisamos para este estudo não são obviamente vulneráveis ao isolamento, mas estas, na maioria, são obviamente sensíveis ao tamanho da área".

Apesar de ressaltar a influência do tamanho das áreas, o estudo não descarta a importância de iniciativas como criar corredores para interligar fragmentos pequenos de mata.

O trabalho, porém, mostra que essa estratégia sozinha pode falhar na preservação de muitas espécies. Em um trabalho anterior, Ferraz já havia mostrado que o tempo de ação para preservar a biodiversidade em um fragmento de área pequeno também é limitado.

Corrida contra o tempo

"Fragmentos de 100 hectares perdem a metade do número de espécies de ave em cerca de 15 anos", diz o pesquisador, que alerta para um problema de escala exponencial. "Para diminuir dez vezes a velocidade de perda é preciso aumentar 100 vezes a área".

O estudo mais recente de Ferraz foi gerado com dados coletados a partir da captura de mais de 40 mil aves em fragmentos florestais de tamanhos diversos, entre 1979 e 1992. A demora em processar a informação ocorreu, em parte, pela dificuldade em desenvolver um método de estatística confiável para lidar com populações de aves mais raras. O problema foi contornado coma colaboração do cientista James Nichols, do Centro Patuxent (EUA), que deu tratamento matemático mais confiável aos registros.

Por: Rafael Garcia/Folha de São Paulo

Editoria: Guto Bertagnolli

  
  

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