Estudo propõe transformação de aterros em áreas de lazer

Das 19 áreas utilizadas como aterros sanitários na Região Metropolitana de Campinas, apenas sete estão devidamente licenciadas pelos órgãos ambientais. Isto significa que as demais áreas funcionam sem licença de operação e em locais que poderiam ser consi

  
  

Das 19 áreas utilizadas como aterros sanitários na Região Metropolitana de Campinas, apenas sete estão devidamente licenciadas pelos órgãos ambientais. Isto significa que as demais áreas funcionam sem licença de operação e em locais que poderiam ser considerados inadequados para o descarte.

“São depósitos de lixo a céu aberto, que não seguem qualquer regra de funcionamento”, alerta o biólogo Cauê Nascimento de Oliveira, que realizou um levantamento dos aterros que foram licenciados nos últimos dez anos.

Na verdade, o motivo pelo qual o biólogo, que também é diretor nacional do Grupo de Ecologia Ativa (GEA), realizou o levantamento foi outro. Em sua dissertação de mestrado “Recuperação ambiental de aterros sanitários na Região Metropolitana de Campinas: Revegetação e uso futuro”, apresentada na Faculdade de Engenharia Civil, Arquitetura e Urbanismo (FEC), ele propõe que as áreas utilizadas por aterros sanitários sejam transformadas em áreas verdes, voltadas à conservação ambiental e ao lazer.

“Existem soluções viáveis, mas dependem da mudança de mentalidade dos proprietários dos aterros e das autoridades governamentais”, defende Oliveira.

Em geral, após finalizar as atividades, os espaços se tornam passivos ambientais e são inutilizados. O máximo que ocorre é a revegetação do entorno e não há nenhuma preocupação com a área do aterro em si, no que diz respeito à sua utilização futura.

Desta forma, Oliveira defende que as áreas sejam aproveitadas para a plantação de espécies arbustivas e arbóreas e para a construção de quadras e vestiários.

Segundo ele, logo após os devidos cuidados com a impermeabilização do local, poderiam ser aplicadas técnicas para a revegetação.

Para amparar sua proposta, o biólogo fez uma extensa revisão bibliográfica e resgatou informações das alternativas utilizadas no Brasil e no exterior.

O caso que mais chamou a atenção do pesquisador foi o ocorrido em aterro sanitário localizado no bairro paulistano de Santo Amaro, São Paulo.

Em conjunto com a Embrapa, pesquisadores do Rio de Janeiro desenvolveram uma técnica em que foram inoculadas micorrizas (substância preparada em laboratório) na raiz da planta para torná-la resistente às condições adversas do solo.

“A pesquisa conseguiu firmar diversas espécies no local, que havia sido fechado há apenas sete anos. Tempo relativamente curto para transformações no solo”.

Em sua jornada de conscientização ambiental, Oliveira explica que visitou aterros, entrevistou responsáveis e autoridades legais. E, por isso, percebeu que o trabalho de mudança de cultura é árduo.

`Sabe-se que a área contaminada nunca será a mesma, mas ações deste tipo podem contribuir e bastante para o meio ambiente social e urbano. É algo simples e sem sofisticação, mas que depende da disposição de ambas as partes`, conclui.

Fonte: Jornal da Unicamp

  
  

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