Estudo relaciona mortes em São Paulo com mudanças nas temperaturas

As mudanças bruscas de temperaturas na cidade de São Paulo estão associadas com os índices de mortalidade do município. Um estudo epidemiológico realizado pelo Prof. Dr. Nélson da Cruz Gouveia, do Departamento de Medicina Preventiva da Faculdade de Medici

  
  

As mudanças bruscas de temperaturas na cidade de São Paulo estão associadas com os índices de mortalidade do município. Um estudo epidemiológico realizado pelo Prof. Dr. Nélson da Cruz Gouveia, do Departamento de Medicina Preventiva da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP), entre os anos de 2001 e 2002, reforçou as evidências já observadas em países europeus mais frios de que tanto as “ondas de frio” quanto “ondas de calor” têm efeitos negativos sobre a saúde da população, refletindo diretamente nas taxas de mortalidade. O estudo será publicado ainda este mês no “International Journal of Epidemiology”.

O efeito da temperatura foi observado em todas as faixas etárias, mas com maior freqüência entre crianças e idosos. O estudo também concluiu que o efeito da mortalidade é maior nos períodos de queda de temperatura, diferentemente dos países europeus onde o efeito maior acontece com as “ondas de calor”.

O epidemiologista Nélson Gouveia analisou as mortes ocorridas em São Paulo, entre os anos de 1991 e 1994. Para cada aumento de 1° C na temperatura ambiente, acima de 20° C, observou-se um aumento de 1,5% na mortalidade geral em adultos, de 2,6% em crianças e de 2,5% em idosos. E para cada diminuição de um grau abaixo de 20° C, observou-se um aumento de 2,6% da mortalidade de adultos, 4% de crianças e 5,5% de idosos.

“O estudo buscou investigar o impacto da temperatura ambiente na mortalidade na cidade de São Paulo e identificar os grupos mais vulneráveis em termos de idade e condição socioeconômica”, afirma Gouveia. No estudo, porém, não foi encontrada diferença no efeito da temperatura na mortalidade de acordo com a condição socioeconômica.

As temperaturas mais frias estiveram associadas com mortalidade total e por doenças respiratórias e cardiovasculares, mas com efeitos um pouco maior para causas respiratórias. Nas temperaturas mais altas, observou-se que o efeito teve magnitude semelhante para as diferentes causas.

Para o Prof. Dr. Nélson Gouveia, a magnitude dos efeitos das temperaturas, embora não tão grandes em termos de riscos relativos, tem importância do ponto de vista da saúde pública.

“Como conseqüência das mudanças climáticas globais, prevê-se que, em diversas partes do planeta, ocorrerão com maior freqüência e intensidade as chamadas ’ondas’ de calor e de frio, ou seja, períodos curtos com temperaturas extremas. Desse modo, sob o ponto de vista da saúde pública, é importante conhecer melhor o impacto imediato da temperatura ambiente na saúde da população”, alerta o epidemiologista.

Fonte: Agência de Comunicação da FMUSP

  
  

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