Feijão resistente á seca depende de licença ambiental e recursos

Pesquisa com variedade de feijão geneticamente modificado para apresentar resistência à seca está à espera de licença ambiental e de recursos para que possa ser levada a campo. O experimento é uma parceria das universidades federais de Viçosa (UFV), do

  
  

Pesquisa com variedade de feijão geneticamente modificado para apresentar resistência à seca está à espera de licença ambiental e de recursos para que possa ser levada a campo.

O experimento é uma parceria das universidades federais de Viçosa (UFV), do Ceará (UFC) e da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), que há um ano montaram um colegiado para ampliar estudos de tolerância à seca da UFV em desenvolvimento há cinco anos.

Os pesquisadores da Embrapa envolvidos no projeto dizem que a variedade será uma opção de cultivo com produtividade para pequenos e médios produtores da região do semi-árido nordestino, além de alternativa de renda.

`Com essa variedade, o agricultor que utiliza o feijão como cultura de subsistência, poderá ter uma oferta maior de alimentos durante os períodos de seca. Nas regiões irrigadas, o produtor poderá gerenciar de maneira mais racional o uso dos recursos hídricos, economizando custos`, esclarece Eduardo Romano.

A primeira etapa da pesquisa consistiu na introdução de um gene de soja resistente à seca, já conhecido pelas suas propriedades de tolerância ao estresse hídrico, na planta do tabaco.

O tabaco, planta comumente utilizada como piloto em pesquisas com transgenia, mostrou-se capaz de ficar de quatro a cinco semanas sem receber água.

A partir daí, introduziu-se o mesmo gene no feijão. Agora, os técnicos querem isolar a seqüência de DNA que controla essa característica para que o gene seja `acionado` só quando não houver água em quantidade suficiente para a planta.

Romano espera desembaraço e celeridade na emissão da licença ambiental, condição imprescindível para a continuidade dos estudos com o feijão tolerante à seca. No momento, há duas variedades de plantas transgênicas desenvolvidas pela Embrapa cujos testes em campo deixaram de ser feitos, paralisando a pesquisa.

Um é a batata resistente a vírus e a outra é o feijão resistente à praga do mosaico dourado. A empresa realiza ainda outras pesquisas na busca de variedades geneticamente modificadas, como batata, mamão, cana-de-açúcar, milho, trigo, além de onze variedades de soja. Parte dos estudos são fruto de parceria com universidades federais ou estaduais.

O Brasil é o maior produtor de feijão no mundo. Segundo estimativas do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), a safra nacional de 2003 deve ultrapassar as 3,2 milhões de toneladas de grãos, equivalente a mais de 20% da produção mundial.

Alimento básico na dieta do brasileiro, o feijão é a principal fonte de proteína vegetal da maioria das famílias, sendo que seu consumo anual per capita é de 14 quilos. O teor de proteína das sementes varia de 20% a 33%.

O feijão é produzido maciçamente por pequenos produtores no país, 80% da produção e da área cultivada encontram-se em propriedades menores que 100 hectares. Romano afirma que os sistemas de irrigação são caros, o que onera o produtor e exige muito dos recursos hídricos. Com uma variedade resistente à seca, diminuiria a pressão pelos recursos d`água.

Fonte: AssCom Embrapa

  
  

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