Fósseis de caramujos são indícios de lagoa extinta em Minas Gerais

Conchas fósseis de caramujos do gênero Biomphalaria glabrata, pertencentes ao filo Mollusca, coletadas em um sítio arqueológico de Janaúba (MG), indicam a ocorrência de uma grande mudança na geografia da região em relação à que existia há cerca de 9 mil a

  
  

Conchas fósseis de caramujos do gênero Biomphalaria glabrata, pertencentes ao filo Mollusca, coletadas em um sítio arqueológico de Janaúba (MG), indicam a ocorrência de uma grande mudança na geografia da região em relação à que existia há cerca de 9 mil anos. Como esses invertebrados não vivem em áreas sem água, acredita-se que ali tenha existido uma lagoa.

A pesquisadora Laïs Clark Lima, do departamento de Ciências Biológicas da ENSP - Escola Nacional de Saúde Pública, uma unidade técnica da Fiocruz - Fundação Oswaldo Cruz, pretende verificar, a partir dos fósseis de caramujos, o processo evolutivo das populações humanas em sítios arqueológicos na Bahia, Minas Gerais e Rio de Janeiro.

“A partir das evidências presentes nas conchas fosséis, é possível desvendar a história do mundo, o comportamento de civilizações antigas, além de descobrir como determinadas doenças foram introduzidas no Brasil”, disse Lima.

Os estudos com esses moluscos de água doce possibilitam descrever o clima e a vegetação de determinadas regiões em tempos históricos, além de identificar costumes e hábitos alimentares de povos primitivos.

“A idéia é, por meio dessas provas científicas, alertar a população com relação a problemas diversos como o desmatamento e o consumo excessivo de água”, disse Lima.

Para a pesquisadora, novas ferramentas devem surgir em breve, o que será bastante útil para os estudos com os fósseis. As técnicas de biologia molecular poderão permitir, por exemplo, detectar o DNA de parasitas nas conchas fossilizadas. Com a técnica, será possível identificar caramujos infectados, para descobrir se eles funcionam ou não como vetores de doenças.

“Com a evolução dos estudos utilizando técnicas de DNA em conchas antigas, será possível descobrir como uma doença foi introduzida no país e como se disseminou pelas regiões”, disse.

Fonte: Agência Fapesp

  
  

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