Franceses recomendarão soja convencional do Paraná para a Europa

A comitiva francesa que encerrou ontem sua visita ao Paraná aprovou o controle realizado pelo Estado para garantir a produção e comercialização de soja convencional. A vice-governadora da Bretanha, Pascale Loget, afirmou que recomendará para toda a Europa

  
  

A comitiva francesa que encerrou ontem sua visita ao Paraná aprovou o controle realizado pelo Estado para garantir a produção e comercialização de soja convencional. A vice-governadora da Bretanha, Pascale Loget, afirmou que recomendará para toda a Europa a compra do produto paranaense.

“Deixaremos claro, tanto na França como na Alemanha, na Bélgica e em outros países da Comunidade Européia, o trabalho sério e competente realizado pelo Paraná, que pode assegurar o fornecimento de soja livre de transgênicos”, disse Pascale, durante uma coletiva de imprensa no Centro de Referência em Agroecologia do Paraná, na manhã desta quinta-feira.

Yvan Le Mevel, assessor direto do presidente da Bretanha, também deu seu apoio ao Estado.

René Louail, representante da Confederação Camponesa Européia, declarou que fará a mesma recomendação para as 25 associações de produtores rurais da Europa que fazem parte da entidade.

Ele afirmou ainda que o Projeto de Lei de Biossegurança, em tramitação no Senado brasileiro, deveria levar em consideração a grande demanda por soja convencional
na Europa. Afinal, se o cultivo da soja geneticamente modificada for liberado no País, isso poderá comprometer as vantagens comerciais que o Brasil possui em relação aos países que exportam soja transgênica.

Dos três maiores exportadores mundiais de soja, o Brasil é o único capaz de atender à demanda do mercado internacional por produtos que não contenham organismos geneticamente modificados. A maior parte da produção dos outros dois grandes fornecedores (EUA e Argentina) é transgênica.

Com a visita, a comitiva tinha o objetivo de conhecer a cadeia produtiva paranaense da soja convencional e orgânica, além do controle de qualidade realizado no Estado para garantir que o produto não seja contaminado por soja transgênica.

O Paraná pode tornar-se o principal fornecedor mundial de soja convencional para a região francesa da Bretanha e do Pays de Loire, além da possibilidade de outros países seguirem o exemplo.

A proposta foi divulgada durante um seminário sobre a produção de soja convencional do Estado, promovido pelo Greenpeace e pelo Deser(Departamento de Estudos Socioeconômicos Rurais), no último dia 30, em Curitiba.

Durante a estadia, os franceses também se reuniram com o governador do Paraná, Roberto Requião (PMDB-PR), se encontraram com agricultores orgânicos da região de Capanema, conheceram o Porto de Paranaguá e as instalações da Conab (Companhia Nacional de Abastecimento) em Ponta Grossa.

Atualmente, a França importa 5 milhões de toneladas de soja, sendo grande parte destinada à alimentação animal. A região da Bretanha e do Pays de Loire responde sozinha por 65% da carne suína, 40% do leite e 50% dos ovos produzidos em toda a França.

Segundo René Louail e Pascale Loget, a França é dependente das importações de proteína de soja, uma vez que é deficitária deste produto em cerca de 80%. Toda a soja utilizada na produção de alimentos para consumo humano na França é convencional ou orgânica.

PROJETO DE LEI DE BIOSSEGURANÇA

O Tribunal Regional Federal de Brasília reconheceu ontem a autoridade da Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTN-Bio) para autorizar a liberação e comercialização de transgênicos sem uma avaliação dos ministérios do Meio Ambiente e Saúde.

A decisão abre um terrível precedente no Brasil porque, sem este licenciamento, a população, os consumidores e o meio ambiente podem estar expostos a riscos não considerados pelos cientistas.

Entretanto, esta não é uma decisão final sobre o caso e deverá ser apelada. A liberação ou não de transgênicos no mercado não se resume a uma questão meramente técnica, mas também tem conseqüências socioeconômicas e ambientais.

“Alguns juízes tomaram uma decisão contraditória e omissa. Esta é uma decisão transitória, e a questão da liberação dos transgênicos no Brasil deverá ser regulamentada através de lei que garanta o licenciamento ambiental, avaliação do Ministério da Saúde e apenas um caráter técnico-consultivo para a CTN-Bio,” disse Mariana Paoli, coordenadora da campanha de Engenharia Genética do Greenpeace.

Fonte: Greenpeace

  
  

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