Fundação Cúpula Mundial da Mulher premiou método de ecoagricultura brasileira

Rosa e Glaico Sell são ecoagricultores que cultivam a terra em Paulo Lopes, a 55 km de distância de Florianópolis. Seu mérito primeiro é, sem dúvida, resgatar métodos tradicionais de agricultura, cultivando com elementos orgânicos e respeitando o tempo e

  
  

Rosa e Glaico Sell são ecoagricultores que cultivam a terra em Paulo Lopes, a 55 km de distância de Florianópolis. Seu mérito primeiro é, sem dúvida, resgatar métodos tradicionais de agricultura, cultivando com elementos orgânicos e respeitando o tempo e as necessidades da natureza.

Mas não é fácil pensar de forma ecológica em um mundo onde os orgânicos ainda são alimentos considerados caros e inacessíveis. Apesar de crescer cerca de 30% ao ano, o mercado de orgânicos ainda é vinculado a preços mais altos e a um modo de vida alternativo.

“A demanda é muito maior do que a oferta, nesse mercado de orgânicos”, quem afirma é a agrônoma Maria José Guazzelli, pioneira em agricultura ecológica no Brasil. Para ela, “os pequenos agricultores são agentes de mudança”, são eles que estão modificando o modo de vida das pessoas e criando, aos poucos, um sistema que garante agricultura com sustento e estabilidade.

Rosa e Glaico utilizam métodos para muitos considerados obsoletos, num mundo onde usar pesticidas e GMOs é considerado ideal, e fogem da escala de comercialização que encarece o produto, o que resultou na busca de lugares alternativos para vender seus produtos e garantir o sustento da família. Uma saída foi montar, junto com outros produtores, a Feira Ecológica, a primeira de Santa Catarina.

A Ecofeira funcionava no Centro de Ciências Agrárias da Universidade Federal de Santa Catarina e teve apoio do reitor da época. Hoje, acontece na Lagoa da Conceição. Com essa iniciativa, o casal caminha na direção inversa e quebra uma hegemonia de mercado e dá certo comercializando diretamente com o consumidor. Esse foi um dos motivos que levou Rosa a ser indicada para a premiação internacional.

Reconhecimento internacional

O prêmio Criatividade da Mulher no Meio Rural foi entregue através da Fundação Cúpula Mundial da Mulher, situada em Genebra, Suíça. Entre pessoas e organizações do mundo inteiro, do Brasil foram premiados Rosa e o Grupo de Mulheres Decididas a Vencer, que também trabalha com alimentos orgânicos.

Relações internacionais do Movimento Global das Ecovilas, foi May East quem mostrou o trabalho de Rosa e Glaico Sell para o mundo.Indicação endossada por quatro entidades: a Fundação Gaia, a Ecosust e a Ecosol e os integrantes da EcoFeira.

O movimento das ecovilas foi designado pela ONU, em 1998, como uma das 100 melhores práticas para promover um modo de vida sustentável. Neste modelo, estão previstas algumas das iniciativas do casal, que vive da agricultura ecológica em um sítio na Grande Florianópolis.

A principal delas é a permacultura, um método agrícola que consiste na reciclagem e no reaproveitamento de tudo, inclusive das águas utilizadas, procurando se aproximar ao máximo dos ciclos da natureza.

Adquirido através do programa Fundo de Terras, do governo estadual, em 1996, o sítio possui apenas 15mil m2.A terra de Rosa e Glaico era uma área semi-desértica, com solo pobre, de composição granulométrica aproximada de: 90% areia, 5% argila e 5% silte, com teores insignificantes de matéria orgânica (0,6%). No entanto, o bom manejo do solo transformou a paisagem local e, hoje, a prosperidade pode ser vista nas cores das verduras e frutas produzidas.

“Hoje, ainda tem coisa prá fazer, e muitas vezes falta recurso, equipamento ou pessoal”, conta Rosa.

No entanto, os produtos são elogiados e os fregueses são fiéis e ditam o que e em que quantidade deve ser cultivado. Nesse cardápio de produtos naturais estão frutas diferentes, como várias espécies de bananas, difíceis de serem encontradas, como a vinho, a coco e a dedo-de-moça.

Existe ainda uma ênfase no resgate de alimentos cultivados pela gente mais velha da terra e que quase desapareceram do mercado, como a batata-abóbora, rica em betacaroteno e que pode virar um prato sofisticado, e a batata-roxa, cuja polpa escurece ao ser cozida.

A compostagem criada por Rosa e feita na própria plantação já está servindo de modelo para outros agricultores no estado: “sem mudar o adubo de lugar, aproveita-se mais da vida que ele produz”, garante ela.

Para comprovar o que na prática já começava a dar resultados, Rosa e Glaico foram participar de cursos que desenvolvessem um pensamento mais sólido e didático sobre o assunto. Algo que pudesse ajuda-los a, num futuro, passar esse conhecimento adiante e promover um modo de vida mais ligado à natureza e pautado no respeito mútuo e para com a terra.

Exemplo de vida em harmonia

Com 40 anos muito bem vividos, Rosa hoje trabalha a terra pensando no futuro do planeta. Junto com o marido, Glaico, e os quatro filhos, Rosa obteve destaque na região, pela sua dedicação à agricultura ecológica e pelo envolvimento em movimentos que têm como objetivo promover uma vida mais saudável para todos.

O casal participa, por exemplo, da Rede Ecovida de Agroecologia, uma iniciativa que congrega várias entidades democráticas e populares que atuam em todo o Sul do Brasil. E participou pela segunda vez da feira anual de economia solidária e também do segundo Ecosust – rede de pessoas interessadas nas técnicas de sustentabilidade do planeta.

Essas informações seriam suficientes para se ter uma idéia da abrangência do pensamento e das ações de Rosa, e entender porque May East se impressionou tanto com a garra e o empreendedorismo dessa mulher.

No entanto, não pára por aí: é possível ver o casal , quinzenalmente, nas feiras promovidas pelo Clube de Trocas Ecosol, um grupo de economia solidária que se reúne para troca de produtos e serviços ou conhecimento.

A pequena propriedade está inserida, também, na rede da Agreco, que prevê a troca da merenda escolar atual por alimentos produzidos de forma ecológica. Rosa pretende inserir Paulo Lopes na rede e vai além, acredita que o mesmo deveria ser feito inclusive em hospitais.

O futuro :

Rosa acredita que o prêmio só veio assinar o trabalho realizado. “provar que estamos no caminho certo”, ela enfatiza. Mas ele continua e não tem um fim.

“Quem sabe no futuro, quando nossa pequena fazenda estiver nas mãos dos filhos, possamos reunir um grupo de pessoas em um trailer e sair por esse Brasil ensinando a ecoagricultura e divulgando a ecologia, o respeito à natureza e uma forma de vida mais saudável e feliz”.

Fonte: Rosa e Glaico Sell

  
  

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Mariluci Paula Nottar

Mariluci Paula Nottar

12/08/2010 11:04:22
Oi
Sou a Mariluci de Concórdia-SC, tenho formação técnica em agropecuária ecológica, mas infelizmente não atuo nesse ramo devido a falta de incentivo na minha região quanto a produção ecológica. Para isso fico contente em saber que tem locais onde a prática já está sendo realizada, e o que é melhor com sucesso. Espero que um dia eu possa aplicar todos os meus conhecimentos teóricos, para ajudar e fazer com que famílias do meu município tbém trabalhem pensando na saúde das pessoas e do planeta, que por sinal está pedindo socorro já faz tempo!

Sonia de Fatima Arruda

Sonia de Fatima Arruda

27/05/2009 22:24:33
Ótimo, pois relata uma experiência inovadora e sustentavel. Mostra tambem que é possivel ter qualidade de vida no meio rural a partir do conhecimento e das experiencias consideradas ultrapassadas.tive a oportunidade de conhecer o sítio e o belo trabalho desenvolvido.Considerei uma arte, um cuidado como se fosse um bebe.Parabens não esqueço o trabalho cientifico que vcs desenvolvem.

Paloma Sell

Paloma Sell

06/09/2008 19:30:36
Oi
Sou filha da Rosa
E Gostaria de saber quem digitou esse testo,
Por que ficou muito bom por sinal!