Gaúchos são as maiores vítimas da contaminação transgênica

Um dossiê com denúncias de contaminação de soja convencional e orgânica pelo cultivo transgênico foi entregue na terça-feira (20/7) pelo Greenpeace à Procuradora de Justiça do Ministério Público Estadual, Silvia Cappelli, e a outras autoridades gaúchas na

  
  

Um dossiê com denúncias de contaminação de soja convencional e orgânica pelo cultivo transgênico foi entregue na terça-feira (20/7) pelo Greenpeace à Procuradora de Justiça do Ministério Público Estadual, Silvia Cappelli, e a outras autoridades gaúchas na Assembléia Legislativa do Rio Grande do Sul.

O objetivo da entrega do dossiê, segundo o Greenpeace, é exigir proteção para os agricultores gaúchos que plantam soja convencional e a garantia dos direitos destes produtores de cultivarem soja não-transgênica sem terem de arcar com custos extras.

O material, composto por relatórios e vídeo , demonstra que o maior risco de contaminação está nas máquinas de cultivar, plantar e colher a soja, nos caminhões utilizados para o transporte do produto e nos silos de armazenamento.

Além da contaminação, outro prejuízo para os agricultores que não plantam soja transgênica é a obrigação do pagamento de royalties quando a safra não é segregada ou quando há erros nos testes de transgenia.

Segundo o Greenpeace, foi o que aconteceu com a agricultora gaúcha Ângela Marlene Tavares Azevedo.

“Quando fui entregar minha safra de soja convencional, o teste indicou que era transgênica. Mas não aceitei pagar os royalties. Acionei a Secretaria da Agricultura para exigir um novo teste, que comprovou que minha soja não era transgênica”, conta.

“É fundamental que o governo estadual proteja a produção da soja gaúcha contra a contaminação transgênica. Além disso, as autoridades devem defender os agricultores que plantam soja convencional e orgânica dos interesses da Monsanto para a cobrança irregular de royalties”, afirmou o engenheiro agrônomo Ventura Barbeiro, da Campanha de Engenharia Genética do Greenpeace.

De acordo com a assessoria de imprensa da Monsanto, a soja geneticamente modificada não contamina outras lavouras convencionais. Ela é uma espécie predominantemente autopolinizável o que praticamente inviabiliza a possibilidade de cruzamento com outras plantas de soja ou de qualquer outra espécie.

Segundo a Monsanto, o pagamento pelo uso da tecnologia é um procedimento normal para qualquer produto do mercado e visa reconhecer os investimentos feitos em pesquisas e estudos realizados para seu desenvolvimento, além de garantir a continuidade de novas pesquisas para o desenvolvimento de produtos cada vez melhores.

Comercialização :

De acordo com o Greenpeace, com a safra contaminada por transgênicos, o agricultor fica impossibilitado de vender sua produção como soja convencional para as cooperativas, como a Cotrimaio (localizada no município de Três de Maio, RS), que paga preços melhores pelo produto convencional .

Além disso, caso seja detectada a contaminação, o agricultor será obrigado a pagar royalties por uma tecnologia que não utilizou voluntariamente. A entidade ambientalista aponta que, de acordo com o contrato firmado pela Monsanto e as cooperativas e indústrias processadoras de soja, esse pagamento deve ser feito sobre a colheita.

Evitar a contaminação também gera um custo extra para o produtor, aponta o Greenpeace, que tem de arcar com a limpeza do maquinário e a separação entre sementes transgênicas e não-transgênicas para a comercialização da safra.

A Monsanto afirma que fechou acordo com entidades do Rio Grande do Sul e apenas os produtores que entregaram grãos de soja Roundup Ready tiveram descontados o valor pelo uso da tecnologia.

`Os pouquíssimos agricultores que declararam não terem plantado soja RR, realizaram testes e quem não plantou soja RR não pagou royalties.`

A assessoria de imprensa da multinacional também lembra que `o agricultor pode, e sempre poderá, optar pela soja geneticamente modificada ou pela convencional, segundo suas avaliações de custos, facilidade de manejo e rentabilidade`.

Segundo o Greenpeace, dos cerca de 83 mil agricultores que cultivaram soja transgênica na safra 2003/2004, mais de 81 mil estão no Rio Grande do Sul.

Ervas daninhas :

O Greenpeace aponta outro sério problema acarretado pela soja Roundup Ready, da Monsanto, que é o surgimento de ervas daninhas tolerantes ao glifosato, provocando maior uso de herbicida .

`Esse aumento já ocorre nos cultivos convencionais de soja e é potencializado nas lavouras transgênicas. Isto acontece porque a soja geneticamente modificada, que é resistente ao glifosato, exige, a cada aplicação, uma quantidade maior de herbicida para exterminar as ervas daninhas da plantação`, informa a organização ambientalista.

Cientistas independentes, afirma o Greenpeace, detectaram fragmentos desconhecidos de DNA na soja transgênica que podem se manifestar de maneira desconhecida, com conseqüências imprevisíveis ao ser humano e ao meio ambiente .

A Monsanto afirma que os agricultores lidam com plantas daninhas resistentes a herbicidas desde os anos 50 e sabem como tratar essa questão fazendo rotação não só de culturas, mas também dos produtos utilizados em suas lavouras.

`A resistência de plantas daninhas a herbicidas, de forma geral, é um fenômeno completamente controlado pelos agricultores. Isso acontece por causa de vários fatores, como a maneira utilizada para aplicar o produto, a quantidade de herbicida utilizado, o número de aplicações, uso de outros produtos, combinados ou não, além das próprias características biológicas das plantas daninhas e as práticas agrícolas utilizadas pelos agricultores`, informa a assessoria da multinacional.

A Monsanto alerta que existem hoje, no Brasil, 18 empresas nacionais e multinacionais que comercializam herbicidas à base de glifosato e mais de 20 marcas.

`A Monsanto é uma das empresas que disputam este mercado, com a marca Roundup. O glifosato, presente no mercado há 30 anos, é um dos mais seguros e eficientes herbicidas usados pelos produtores para controlar as plantas daninhas das lavouras.

De acordo com a classificação toxicológica de herbicidas estabelecida pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária, órgão ligado ao Ministério da Saúde, as versões registradas de Roundup encontram-se nos patamares mais baixos quando comparadas aos demais produtos existentes.

O Roundup é o único produto utilizado na reserva ecológica de Galápagos e para controle de plantas daninhas em patrimônios da humanidade como Pompéia, na Itália`, informa a multinacional.

`O agronegócio é fundamental para o desenvolvimento socioeconômico do Brasil. O Greenpeace defende a agroecologia como modelo de agricultura sustentável para o País. Eliminar o uso de agrotóxicos é essencial para a proteção da biodiversidade”, afirma Barbeiro, da Campanha de Engenharia Genética do Greenpeace.

O lançamento do dossiê também teve a participação do agricultor gaúcho Luiz Antônio Schio e do presidente da Associação Xavante Warã, Hiparidi Top’ Tiro, do Mato Grosso.

Segundo Hiparidi, para o povo Xavante a agricultura orgânica e sustentável é a única forma de boa convivência entre os agronegócios e as comunidades indígenas.

Fonte: Greenpeace

  
  

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