Geólogos comprovam origem de cinzas vulcânicas da Bacia do Paraná

Estudos recentes de geólogos da USP, em colaboração com pesquisadores da Universidade Nacional Australiana, em Canberra, e da Universidade Nacional de La Plata, Argentina, dentro do projeto Calibragem Geocronológica da Seqüência Neopalezóica da Bacia do P

  
  

Estudos recentes de geólogos da USP, em colaboração com pesquisadores da Universidade Nacional Australiana, em Canberra, e da Universidade Nacional de La Plata, Argentina, dentro do projeto Calibragem Geocronológica da Seqüência Neopalezóica da Bacia do Paraná, comprovam que os fragmentos de cinzas vulcânicas, localizados em rochas de idade permo-carbonífera, são provenientes do oeste da Argentina.

Assim, o que era apenas suposição, já pode ser considerada uma certeza. Há cerca de 300 milhões de anos, a Bacia do Paraná - região que compreende parte do Centro-Oeste, Sudeste e Sul do Brasil, desde parte do estado de Goiás, passando por Minas Gerais e chegando até o Rio Grande do Sul , foi atingida por grandes quantidades de cinzas vulcânicas de origem desconhecida.

`Alguns cientistas propuseram que elas teriam vindo daquela região, próxima aos Andes. Há mais ou menos 15 anos, um trabalho científico evidenciava a origem das camadas`, conta o professor Antonio Carlos Rocha-Campos, do Departamento de Geologia Sedimentar e Ambiental, do Instituto de Geociências (IGc) da USP que coordena o projeto.

`Por meio de novos métodos de datação, mais precisos, pudemos comparar as idades e composição de camadas de rochas vulcânicas do período Permiano na região da Argentina com as das cinzas vulcânicas da Bacia, o que nos deu a certeza da origem`, conta Rocha-Campos.

Com relação às rochas do período Carbonífero, localizadas mais abaixo, os cientistas ainda não conseguiram encontrar nenhuma similaridade.

`Mas acreditamos que é uma questão de tempo. Certamente devem possuir a mesma origem`, acredita.

Contradições

O uso da nova metodologia de datação das rochas, desenvolvida na Austrália, produziu resultados surpreendentes. De acordo com Rocha-Campos, pôde-se constatar, por exemplo, que os fenômenos glaciais na Bacia do Paraná ocorreram no período Carbonífero.

Outra descoberta é a de que este deslocamento das cinzas vulcânicas, a distâncias de até 3 mil quilômetros, ocorreu por longos períodos e foram de grandes proporções.

`Estas nuvens de cinzas não atingiam a Bacia do Paraná continuamente. Os fenômenos ocorriam com alguns intervalos de tempo`, conta Rocha-Campos. Estima-se que o fenômeno possa ter durado algumas dezenas de milhões de anos.

Os geólogos agora devem partir para estudos sobre a influência que estas nuvens teriam tido sobre a vida de animais e plantas na Bacia do Paraná .

`Certamente estas nuvens provocavam alterações na atmosfera e, conseqüentemente, no clima de toda a região`, avalia o pesquisador.

Os materiais coletados pelos geólogos brasileiros, na Argentina e na Bacia do Paraná, são enviados a laboratórios da universidade australiana. Lá, por meio de técnicas inéditas, os cientistas realizam a datação em porções de zircões (mineral altamente resistente) encontradas nas camadas das rochas.

Segundo Rocha-Campos, os cientistas usaram como estudo análogo, a descrição de uma explosão do vulcão Quizapu, localizado entre a Argentina e o Chile, ocorrida em 1932.

`Suas cinzas foram encontradas até a latitude do Rio de Janeiro e até mesmo na África do Sul`, conta o geólogo.

Fonte: Agência USP

  
  

Publicado por em

José

José

08/11/2008 05:49:00
realmente é uma notícia que empolga os estudantes de geociências, mostrando que o campo vem sendo estudado cada vez mais a fundo, e que novas tecnologias estão sendo empregadas para tais estudos(a exemplo do novo métedo australiano de datação através de zircões).