Governos precisam barrar a destruição das florestas e da vida marinha

O Greenpeace fez hoje um pedido urgente aos delegados reunidos na Cúpula pela Vida na Terra, a 7a Conferência das Partes (COP 7) da Convenção das Nações Unidas sobre Diversidade Biológica (CDB), para proteger a vida no planeta em toda a sua diversidade, n

  
  

O Greenpeace fez hoje um pedido urgente aos delegados reunidos na Cúpula pela Vida na Terra, a 7a Conferência das Partes (COP 7) da Convenção das Nações Unidas sobre Diversidade Biológica (CDB), para proteger a vida no planeta em toda a sua diversidade, na terra e nos oceanos.

Governos de várias partes do mundo precisam disponibilizar recursos financeiros adicionais suficientes para barrar a destruição das florestas primárias e da vida marinha, banir atividades industriais em larga escala em todas as áreas intactas extensas, e estabelecer uma rede de áreas protegidas com efetivo manejo e cumprimento da lei. A COP 7 começa hoje em Kuala Lumpur, Malásia, e tem duração de duas semanas.

O Brasil estará presente à reunião da CDB com uma delegação de 13 integrantes do Ministério do Meio Ambiente (MMA), além de membros do Itamaraty. A ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, deverá presidir a delegação brasileira na fase final da reunião de Kuala Lumpur.

Em reuniões na semana passada em Brasília (DF), o Greenpeace pediu ao governo brasileiro que assuma o papel de liderança que cabe ao país - que detém a maior biodiversidade do mundo - e trabalhe para que a reunião da CDB aprove um programa de trabalho para áreas protegidas que seja forte e consistente com os compromissos assumidos por governos de todo o mundo, de parar e reduzir a alarmante perda de biodiversidade até 2010. A discussão sobre áreas protegidas, um dos temas da CDB, deve começou hoje.

A organização ambientalista entregou ao MMA um texto alternativo com sugestões para que o programa de trabalho a ser discutido em Kuala Lumpur cumpra sua função de proteger a biodiversidade .

O texto sugerido inclui o reconhecimento formal da necessidade de mais dinheiro para a criação, implementação, fiscalização e manejo de áreas protegidas, e o compromisso formal com metas e calendários.

O texto proposto pelo Greenpeace defende a criação de um grupo encarregado de monitorar o cumprimento dos compromissos e desenvolver opções de apoio técnico e financeiro para a implementação das metas nos países em desenvolvimento carentes de recursos, além do reconhecimento de que a exploração e o comércio internacional de madeira ilegal representam uma ameaça à biodiversidade.

`Por seu carisma e sua história, e pela importância do Brasil na questão, a ministra Marina e sua equipe têm tudo para convencer os governos dos demais países participantes da CDB a trocar promessas e intenções por medidas concretas em defesa da biodiversidade em florestas e oceanos, o que inclui mais dinheiro a ser colocado na mesa principalmente por países ricos e grandes consumidores dos recursos naturais`, disse o coordenador da Campanha Amazônia do Greenpeace, Paulo Adário.

`Obviamente, o Brasil também tem de fazer sua lição de casa e ampliar e implementar sua rede de áreas protegidas, que precisa ser fiscalizada e manejada adequadamente. O governo Lula estaria, assim, resgatando uma dívida acumulada por administrações anteriores, já que na reunião da CDB de Haia, em 2002, o Brasil bloqueou avanços importantes e, por seu destaque negativo nos debates, acabou recebendo o troféu Motosserra de Ouro das ONGs presentes à Conferência`.

Dois representantes do projeto Jovens pela Floresta do Greenpeace, Clara Buer e Omani Sakapeson, da Alemanha e Papua Nova Guiné respectivamente, discursam hoje para os delegados de mais de 180 países presentes à CDB.

Eles fazem parte de uma delegação de mais de 30 jovens e crianças de vários países que participam do projeto e que chegarão em Kuala Lumpur na próxima semana.

Entre eles, dois brasileiros, João Paulo Vieira Furtado, de 15 anos, e Claudia Pimentel Maciel, de 16, ambos de Porto de Moz, Pará. Eles levarão à reunião da CDB a luta dos ribeirinhos da região pela criação da reserva extrativista Verde para Sempre .

O projeto de criação da reserva, resultado de quatro anos de mobilização e luta das comunidades locais, repousa na mesa do presidente do Ibama.

`Os governos têm uma grande responsabilidade pela frente nas próximas duas semanas`, disse Martin Kaiser, do Greenpeace.

`Chegou a hora de garantir o futuro das florestas e oceanos do planeta, e da vida que estes ecossistemas sustentam. Os governos devem honrar seus compromissos para barrar a perda de biodiversidade até 2010`.

Nos últimos meses, o Greenpeace tem denunciado a exploração ilegal e predatória de madeira no Pará, na África, no Pacífico Asiático, o massacre de golfinhos no Atlântico Norte e os planos de destruir as florestas da Patagônia, no Chile . Todos estes são exemplos de como a vida na Terra é rapidamente destruída.

As florestas primárias abrigam mais de 80% da diversidade de espécies de plantas e animais terrestres do planeta. Milhares de povos indígenas e comunidades tradicionais dependem delas para manter sua cultura e seu modo de vida.

Mas as florestas primárias não fornecem apenas bens e serviços para as populações locais. Elas também fornecem água para milhões de pessoas que vivem nas cidades, longe das florestas. Os ecossistemas florestais também são importantes para a manutenção dos ciclos de ar e da água em nível global.

Além disso, muitos produtos medicinais são baseados nos recursos genéticos e nas espécies provenientes das florestas primárias.Com a destruição da vida nos oceanos, grandes ecossistemas - que se pensavam inesgotáveis - estão desaparecendo.

Noventa por cento de todos os grandes peixes - tanto espécies que vivem em alto-mar, como atum, peixe-espada e merlin, quanto aquelas que vivem no fundo do oceano, como bacalhau, linguado e arraia - têm sido pescados em excesso desde 1950.

A redução destas espécies pode causar, entre outras coisas, grandes mudanças em todo o ecossistema oceânico, onde peixes com valor comercial são substituídos por organismos mais simples, como as águas-vivas.

`Já que a CDB é realmente uma convenção pela vida na Terra, governos precisam agir de forma global e urgente. Isso significa que, em vez de perder tempo falando, eles deveriam destinar o dinheiro necessário para garantir a proteção da vida no planeta`, disse Kaiser.

`Para impedir ainda mais devastação, eles deveriam barrar todas as atividades industriais em larga escala em extensas áreas intactas - tanto nas florestas quanto nos oceanos - até que o uso sustentável e a proteção de longo prazo e obrigatória sejam legalmente assegurados`.

Fonte: Greenpeace

  
  

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