Greenpeace alerta para falta de segurança nuclear no Brasil

O Greenpeace projetou hoje à noite, na parede externa do Ministério da Ciência eTecnologia, uma versão reduzida do documentário “Césio 137 – O Brilho da Morte”, que relata a situação atual das vítimas do acidente radioativo de Goiânia, o

  
  

O Greenpeace projetou hoje à noite, na parede externa do Ministério da Ciência eTecnologia, uma versão reduzida do documentário “Césio 137 – O Brilho da Morte”, que relata a situação atual das vítimas do acidente radioativo de Goiânia, ocorrido em 1987.

O objetivo do protesto era alertar para a insegurança nuclear no Brasil e exigir justiça para as vítimas do desastre. Estiveram presentes na projeção o presidente do Conselho Regional de Psicologia de Goiás-Tocantins, Dr. Júlio Oliveira Nascimento, o presidente da Associação das Vítimas do Césio 137, Odesson Alves Ferreira, e o promotor de Justiça do Estado de Goiás, Dr. Marcus Antônio Ferreira Alves.

A atividade marcou também os 59 anos da explosão da bomba de Hiroshima, ocorrida no Japão em 6 de agosto de 1945.

“Antes dos ministérios de Defesa e de Ciência e Tecnologia pleitearem a expansão das atividades nucleares no País, eles deveriam garantir que as fontes radioativas já existentes estivessem sob controle absoluto”, disse Sérgio Dialetachi, da Campanha de Energia do Greenpeace Brasil.

Os equipamentos e as instalações nucleares em operação no Brasil estão sem controle e não são adequadamente fiscalizados.

O desastre ocorrido em Goiânia há mais de uma década é a prova real dessa falta de fiscalização. Na época, a Comissão Nacional de Energia Nuclear(CNEN), órgão do Ministério de Ciência e Tecnologia responsável pela fiscalização de materiais e instalações nucleares, não conseguiu impedir a contaminação ocorrida quando o Césio 137, um subproduto das usinas nucleares presente nos aparelhos de radioterapia, foi retirado de um equipamento que estava em um depósito do Instituto Goiano de Radioterapia.

“Nós exigimos que o governo federal reative a Fundação Leide das Neves Ferreira para que ela possa fornecer assistência médica, psicológica e social, até a terceira geração das vítimas. Também é necessário que a Fundação tenha participação nas três esferas do poder público”, afirmou Odesson Alvez Ferreira, presidente da Associação das Vítimas do Césio 137.

Para Júlio Oliveira Nascimento, presidente do Conselho Regional de Psicologia de Goiás-Tocantins , que tem prestado assistência às vítimas do Césio 137 , é preciso que o governo federal assuma sua responsabilidade pelo episódio de Goiânia.

“O governo tem de se comprometer a desenvolver políticas públicas de saúde e resgate da cidadania das vítimas”.

Atualmente, de acordo com o deputado Edson Duarte (PV-BA), a CNEN desconhece a localização de mais de 30 mil fontes radioativas e tampouco sabe as condições em que essas fontes se encontram .

“No mundo inteiro a preocupação com contaminação refere-se a depósitos de materiais radioativos, pára-raios ionizantes, submarinos nucleares e a possibilidade de
atentados terroristas contra comboios e instalações nucleares.

No Brasil a situação é muito pior, pois não temos sequer um cuidado mínimo com aparelhos de radioterapia em nossos hospitais, e de radiografia em nossas fábricas e canteiros de obras”, completou Dialetachi.

“É necessário que o governo federal estabeleça uma política de controle das instalações nucleares no País para que um episódio como o de Goiânia não se repita”, concordou Nascimento.

Uma outra constatação preocupante, que agrava ainda mais a falta de segurança e de fiscalização das instalações nucleares no País, é a denúncia feita pela Associação dos Fiscais de Radioproteção, e avalizada pelo Tribunal de Contas da União, sobre redução de pessoal e verbas destinados ao controle das atividades nucleares no País .

Em caso de acidente, não há planos, pessoal capacitado e equipamentos adequados para lidar com emergências nas usinas Angra 1 e 2 (RJ), na mina de urânio de Caetité (BA), nem no transporte e armazenagem de material radioativo durante a utilização de energia atômica na medicina, na engenharia e na indústria.

Hoje (06/08), às 14hs, será entregue ao Secretário Nacional de Direitos Humanos do Ministério da Justiça, Nilmário Miranda, um pedido para que o presidente Lula receba as vítimas de Goiânia e solucione o caso.

Além de ativistas do Greenpeace, estarão presentes também os representantes da Associação de Vítimas do Acidente do Césio 137 e do Conselho Regional de Psicologia (GO-TO), que tem prestado assistência a essas pessoas.

Uma cópia do vídeo “Césio 137 O Brilho da Morte” será protocolada para o ministro da Ciência e Tecnologia, Eduardo Campos. Uma versão editada do filme “Césio 137 – O Brilho da Morte” está disponível na internet.

Fonte: Greenpeace

  
  

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