Greenpeace divulga inventário de emissões de gases efeito estufa pelo governo brasileiro

A comunicação nacional das emissões brasileiras feita ontem pela manhã no Ministério de Ciência e tecnologia é um passo importante no cumprimento das obrigações assumidas pelo Brasil na Convenção de Mudanças do Clima. Este é um sinal político muito im

  
  

A comunicação nacional das emissões brasileiras feita ontem pela manhã no Ministério de Ciência e tecnologia é um passo importante no cumprimento das obrigações assumidas pelo Brasil na Convenção de Mudanças do Clima.

Este é um sinal político muito importante para garantir que um dos maiores desafios ambientais de nossa era, as mudanças climáticas, faça parte da agenda de trabalho deste governo. Entretanto, a prioridade deve estar na implementação de medidas efetivas e não no discurso.

Os dados divulgados naquela manha são antigos (1990-1994)e não apresentam nenhuma novidade: o desmatamento é a principal fonte de emissões no Brasil. Os dados mais recentes mostram apenas uma piora deste cenário e confirma a inabilidade histórica do governo no combate ao desmatamento.

Os impactos das mudanças climáticas vão muito além da dimensão ambiental. Os impactos socioeconômicos são facilmente identificados na agricultura, disponibilidade de água, geração de energia e saúde pública.

Se o governo está realmente decidido a tomar a questão seriamente é necessário agir imediatamente nos seguintes pontos :

- Elaboração de uma política nacional de mudança climática para regulamentar os compromissos assumidos no Protocolo de Kyoto;

- Estudos de vulnerabilidade e resposta emergencial a impactos climáticos. O País não conta com estudos e estratégias de resposta para enchentes, ciclones, aumento do nível do mar, desertificação de florestas tropicais e áreas de plantio.

É fundamental que o País esteja preparado para responder a esta demanda cada vez mais presente em nossa realidade em função do aquecimento global;

- Implementação imediata da fase 2 do Proinfa (Programa de Incentivo às Fontes Alternativas de Energia) estimulando um aumento significativo da participação das energias renováveis (solar, eólica, biomassa e pequenas hidroelétricas) na matriz energética brasileira;

- Abandono do investimento na construção de usinas nucleares para geração de energia e, portanto, o desvio de recursos que poderiam ser melhor empregados em fontes alternativas;

- Fortalecimento de programas e instrumentos públicos para a conservação de florestas e combate ao desmatamento;

Dados do Ipam (Instituto de Pesquisas da Amazônia), divulgados em 2000, mostraram que o desmatamento e as queimadas na Amazônia adicionam à atmosfera cerca de 200 milhões de toneladas de C02 por ano, contra 95 milhões vindos da queima de combustíveis fósseis.

Os dados se referem a um período em que as taxas de desmatamento anual oscilavam em torno de 17.000 km2/ano.

Desde então a destruição da Amazônia só tem aumentado, tendo atingido entre 25.000 e 30.000 km2 no período agosto-2003 a agosto de 2004 – número que só será definitivamente confirmado em março, quando o Inpe terminar de processar e analisar as imagens de satélite usadas pelo sistema Prodes.

Esse crescimento da área desmatada (entre 46% e 75% com relação a 1997-1998) resulta em óbvio aumento na participação do desmatamento no total das emissões brasileiras.

Fica claro que o caminho mais curto para o Brasil reduzir sua contribuição no aquecimento global passa fundamentalmente por uma mudança no processo de ocupação e uso do solo na Amazônia.

Para assumir um papel de liderança internacional na questão climática, o País precisa começar a fazer a lição de casa, enfrentando com coragem as causas dos desmatamento, inclusive a expansão descontrolada da frente agropecuária que financia o crescimento econômico recente e as grandes obras de infra-estrutura que impulsionam o desmatamento, como está ocorrendo neste momento ao longo da BR-163, a rodovia Cuiabá-Santarém, que o governo Lula quer pavimentar em 2005.

O governo já tem o diagnóstico do problema e até fórmulas - tais como o Plano de Combate ao Desmatamento, o programa `BR-163 Sustentável`, entre outros. Falta o que sempre é escasso no Brasil: agilidade, vontade política e capacidade de implementação.

O Brasil tem a responsabilidade de garantir que irá assumir seu compromisso na eliminação de suas emissões e pelo desenvolvimento sustentável.

Fonte: Greenpeace

  
  

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Sonia zau

Sonia zau

12/12/2009 00:55:02
Eu acho que está faltando o povo ir pra a rua e passar a EXIGIR, afinal, o país é nosso, o planeta é de todos. Como iniciar uma campanha assim?

Josuila Leão e Adressa Pacheco

Josuila Leão e Adressa Pacheco

08/04/2009 08:35:01
Eu acho que o governo ainda esta investido pouco, ele tinha que investir ainda mais, para que o nosso Brasil seja um pais livre da poluição.