Greenpeace faz inspeção em navio suspeito de carregar soja transgênica

Ativistas do Greenpeace estão neste momento realizando uma inspeção de biossegurança no navio Saturn V, no porto de Rio Grande (RS). O barco está sendo carregado no terminal da empresa Bianchini com soja suspeita de ser geneticamente modificada, que e

  
  

Ativistas do Greenpeace estão neste momento
realizando uma inspeção de biossegurança no navio Saturn V, no porto de Rio Grande (RS).

O barco está sendo carregado no terminal da empresa Bianchini com soja suspeita de ser geneticamente modificada, que está sendo exportada para Coréia de Sul.

A organização ambientalista pretende solicitar a documentação sobre a origem da carga, que pela legislação nacional e internacional deve ser identificada como transgênica ou não transgênica. A atividade é o marco inicial da expedição do navio Arctic Sunrise no Brasil,intitulada “Brasil melhor sem transgênicos”.

“A falta de identificação desrespeita o direito do consumidor brasileiro e de todo o mundo de saber o que está consumindo”, disse a coordenadora da Campanha de Engenharia Genética do Greenpeace, Mariana Paoli.

“O Greenpeace está aqui em Rio Grande defendendo o direito do consumidor de saber o que está comendo e de dizer não aos transgênicos”, complementou.

A grande maioria da soja geneticamente modificada plantada no Brasil está concentrada no Rio Grande do Sul. Embora as legislações brasileira e internacional sejam bem claras quanto à exigência de rotulagem, muitas vezes essa determinação não é respeitada pelas empresas ou fiscalizada pelos governos.

Segundo as leis, a rotulagem deve ser garantida em todas as etapas da cadeia produtiva, desde a plantação até o produto final. A falta de identificação desrespeita igualmente o Protocolo de Cartagena sobre Biossegurança, acordo internacional já ratificado pelo Brasil e por mais 90 países, que exige identificação sobre transporte de transgênicos entre os países.

Ação na Espanha:

Desde às 2h da madrugada (horário de Brasília) de hoje, ativistas do Greenpeace estão ocupando as instalações da empresa Bunge, em Cartagena, na Espanha. O objetivo da ação é convencer a multinacional a adotar uma postura contra o uso de produtos transgênicos em todas as suas unidades.

A indústria holandesa, que fatura R$ 12 bilhões por ano no Brasil, é detentora das marcas Soya, Delícia, Mila, Primor, Sol e Suprema, entre outras. Aqui no Brasil, a empresa não faz nenhum tipo de verificação em relação aos transgênicos para os produtos que coloca nas prateleiras dos supermercados.

O mercado europeu está praticamente 100% fechado para o consumo de alimentos transgênicos e a demanda por ração não transgênica para animais, inclusive, é cada vez maior. A forte rejeição dos consumidores ficou ainda mais evidente com a entrada em vigor de regras mais rígidas de rotulagem na União Européia, a partir do último dia 18.

Outros mercados importantes para a soja brasileira, como a China e a Coréia do Sul,também exigem a rotulagem. Na China, o óleo de soja fabricado a partir de transgênicos deve ser rotulado. Na Coréia do Sul, a falsificação ou ausência de rotulagem pode ser penalizada com até três anos de prisão e uma multa de aproximadamente R$ 75 mil.

O Brasil é o maior país exportador de soja não transgênica do mundo. “Como a demanda por não transgênicos no mercado internacional só tem crescido, o plantio de soja geneticamente modificada no país é um suicídio ambiental (4) e comercial”, afirmou Mariana.

A demanda por soja não transgênica no Brasil também tem sido cada vez maior graças à pressão e mobilização do consumidor brasileiro. Os agricultores gaúchos que
optaram pelo plantio de soja transgênica estão fazendo um negócio arriscado, não apenas pela rejeição do mercado, mas pelas falsas promessas da Monsanto quanto a esta tecnologia.

Fonte: Greenpeace

  
  

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