Greenpeace lança campanha e vídeo que retratam a violência na Amazônia brasileira

Violência no campo, trabalho escravo, ameaças de morte, destruição florestal. Estes são os temas da campanha publicitária `Amazônia em Conflito` que o Greenpeace apresenta esta noite em um evento em São Paulo. Os sete anúncios foram desenvolvidos pela

  
  

Violência no campo, trabalho escravo, ameaças de morte, destruição florestal. Estes são os temas da campanha publicitária `Amazônia em Conflito` que o Greenpeace apresenta esta noite em um evento em São Paulo.

Os sete anúncios foram desenvolvidos pela agência Young & Rubicam para veiculação principalmente na mídia impressa.

`Nosso objetivo é mostrar que a exploração madeireira ilegal e o desmatamento criminoso estão diretamente relacionados com crimes contra os direitos humanos, como a violência contra trabalhadores rurais e o trabalho escravo, e com a grilagem de terras públicas na Amazônia`, diz Rebeca Lerer, da campanha da Amazônia do Greenpeace.

`Queremos informar o público sobre a cruel realidade da floresta`.

O Greenpeace também lançou, ontem à noite o vídeo `Vozes da Floresta - a luta pela criação da Resex Verde para Sempre`.

O lançamento aconteceu durante a abertura do Tribunal Internacional de Crimes do Latifúndio, na Praça do Mercado de São Bráz, em Belém, que reuniu diversas organizações não-governamentais e movimentos sociais.

O vídeo mostra que a luta pela terra tornou-se mais intensa - e muitas vezes violenta - em regiões remotas da Amazônia, principalmente no estado do Pará. Com a crescente demanda por novas áreas de terra para exploração dos recursos florestais ou pecuária extensiva, madeireiros, pecuaristas e outros especuladores estão transformando estas regiões em novas fronteiras sem lei.

A falta de controle na questão fundiária acirra a luta pela terra e leva o Pará a apresentar o maior índice de assassinatos ligados às disputas de terra. Entre 1985 e 2001, quase 40% das 1237 mortes ocorridas no Brasil aconteceram no Pará, de acordo com dados da CPT (Comissão Pastoral da Terra).

A entidade também divulgou uma lista de pessoas ameaçadas de morte. Dos 78 nomes listados no Pará, oito são de Porto de Moz, um dos focos de conflito entre madeireiros e comunitários.

Porto de Moz é uma pequena cidade localizada na margem direita do rio Xingu, no Pará. Cerca de 15 mil pessoas vivem em mais de 125 comunidades rurais na área do município, cuja sobrevivência depende dos recursos florestais.

Nos últimos anos, a chegada de madeireiros e a disputa pelos recursos comunitários têm gerado conflitos violentos. Muitos casos e ameaças de morte já foram
denunciados.

De acordo com lideranças comunitárias, o primeiro passo para resolver o problema seria o controle da questão fundiária.

`Já que o governo não assumiu sua responsabilidade de controlar a situação, as comunidades ribeirinhas decidiram lutar por seu futuro`, disse Paulo Adário, coordenador da campanha da Amazônia,do Greenpeace.

`Desde abril de 2000, elas lutam pela criação de uma
reserva extrativista na área, que recebeu o nome de Verde para Sempre`.

A área da reserva proposta pelas comunidades de Porto
de Moz tem aproximadamente 1,3 milhão de hectares e vai abrigar cerca de 15 mil pessoas.

A campanha publicitária e o vídeo integram as ações da expedição do navio MV Arctic Sunrise, que está atracado no porto de Belém (PA) desde 24 de outubro e deve permanecer por mais de um mês na região amazônica.

A presença do navio deve estimular uma reflexão sobre a destruição indiscriminada das florestas e promover
o uso responsável dos recursos naturais como o manejo florestal comunitário.

A proposta central do Greenpeace é a criação de uma rede de áreas protegidas na Amazônia, em particular em áreas
críticas como a bacia do rio Xingu (aonde está localizado o
município de Porto de Moz) e a região conhecida como Terra do Meio, ambas no estado do Pará.

Fonte: Assessoria de Imprensa do Greenpeace

  
  

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