Greenpeace protesta contra Medida Provisória que libera transgênicos

Ativistas do Greenpeace protestaram hoje contra a Medida Provisória 113, que libera comercialmente a safra de soja transgênica gaúcha no mercado interno. A medida publicada pelo governo em 26 de março de 2003, deverá ser votada no Congresso Nacional em br

  
  

Ativistas do Greenpeace protestaram hoje contra a Medida Provisória 113, que libera comercialmente a safra de soja transgênica gaúcha no mercado interno. A medida publicada pelo governo em 26 de março de 2003, deverá ser votada no Congresso Nacional em breve.

Durante a manifestação, um trator representando a Monsanto derrubou diversas placas que simbolizavam a agressão da MP ao meio ambiente,à opinião pública, à exportação agrícola, à segurança alimentar, à legislação brasileira, aos pequenos agricultores, além de não respeitar o Consea (Conselho Nacional de Segurança Alimentar).

Ao final do protesto, o trator foi barrado por um grupo de ativistas que carregavam uma faixa com os dizeres Congresso Nacional: não deixe a Monsanto passar por cima do Brasil.

`A Medida Provisória beneficia a Monsanto por conseguir colocar no mercado interno um produto que não passou por qualquer tipo de avaliação e desrespeita uma sentença judicial que exige o Estudo de Impacto Ambiental (EIA/RIMA) e de saúde humana, normas de rotulagem plena e rastreabilidade antes da liberação comercial de qualquer transgênico`), afirma Mariana Paoli,
coordenadora da campanha de engenharia genética do Greenpeace.

A MP favorece uma minoria dos agricultores que cometeram uma ilegalidade. A contaminação da safra está numa área restrita do país e sua liberação no mercado interno poderá minar iniciativas de sucesso, como vem acontecendo no Paraná . Perdem com a medida provisória, a maioria dos agricultores e os consumidores
brasileiros, que terão que engolir soja transgênica plantada ilegalmente no Rio Grande do Sul.A liberação da safra gaúcha contaminada no mercado interno também afronta a maioria dos brasileiros.

Segundo uma pesquisa de opinião do IBOPE realizada em dezembro de 2002, 71% da população preferem consumir um alimento não transgênico, e 65% são favoráveis à proibição do plantio comercial enquanto não há consenso na comunidade científica sobre a segurança ambiental e alimentar destes organismos.

A soja transgênica também é um risco para a segurança alimentar do país, pois os produtos da Monsanto são responsáveis por mais de 90% do total da área plantada com cultivos transgênicos no mundo, e a empresa já está ameaçando tomar medidas contra os produtores brasileiros que plantaram a soja Roundup Ready sem pagar royalties.

O Brasil é o único grande produtor de soja capaz de atender à demanda crescente no mercado internacional pelo grão não transgênico, e vem exportando cada vez mais. A falta de controle e fiscalização, e a liberação da safra contaminada podem prejudicar esta vantagem comparativa que o Brasil tem em relação a seus concorrentes diretos, como Argentina e Estados Unidos.

O Greenpeace lançou uma campanha de envio de mensagens às lideranças da Câmara dos Deputados demandando que os parlamentares cumpram com sua responsabilidade em zelar pelo meio ambiente, a saúde da população e a economia do país.

`É inaceitável que esta soja seja liberada para o mercado interno. O uso de grãos transgênicos representa um risco desnecessário`, conclui Paoli.

Fonte: Ass. Imprensa do Greenpeace Brasil

  
  

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