Greenpeace reage aos rumores de retomada da aventura nuclear brasileira

O Ministro de Ciência e Tecnologia vem, desde o final de semana passado, anunciando através de diferentes órgãos de imprensa a retomada e ampliação do programa nuclear brasileiro, desrespeitando a posição contrária de vários de seus colegas no ministério

  
  

O Ministro de Ciência e Tecnologia vem, desde o final de semana passado, anunciando através de diferentes órgãos de imprensa a retomada e ampliação do programa nuclear brasileiro, desrespeitando a posição contrária de vários de seus colegas no ministério federal e a opinião pública brasileira.

O ministro tem divulgado um pacote de pesados investimentos que vão do enriquecimento de urânio e desenvolvimento de submarinos nucleares à construção de Angra 3 e outras 4 usinas atômicas no País.

A pesquisa “Consultando a População de Sete Capitais sobre Meio Ambiente e Qualidade de Vida” , realizada a pedido do Greenpeace, pelo ISER – Instituto de Estudos da Religião , nos meses de maio e junho últimos, revelou que 82,3% dos brasileiros são contrários às usinas nucleares.

A maioria dos 2.300 entrevistados de São Paulo, Rio de Janeiro, Brasília, Porto Alegre, Belo Horizonte, Recife e Belém mostraram-se “radicalmente contra a construção de novas usinas”, entendendo que “o País dispõe de outras fontes de energia mais seguras e limpas”.

Esse índice de rejeição cresceu ainda mais quando foi perguntado se os entrevistados apoiariam a construção de usinas nucleares nas proximidades de suas residências: 84,8% dos entrevistados disseram que seriam contrários à proposta.

Outro dado importante da pesquisa é a falta de apoio popular que os políticos que estão por detrás do lobby nuclear enfrentam. Quando os entrevistados foram perguntados se votariam em candidatos que apoiassem a construção de usinas nucleares, 85,4% foram categóricos em dizer que “não votariam”.

Ao anunciar a construção de Angra 3 e outras 4 usinas nucleares no Nordeste brasileiro, o Ministro de Ciência e Tecnologia mais uma vez se apressa e tenta criar uma situação de fato consumado, como em maio passado, quando anunciou exportações de urânio enriquecido para a China, o que fere acordos internacionais e teve que ser posteriormente desmentido.

A decisão sobre a construção ou não de Angra 3 ainda não foi tomada pelo CNPE – Conselho Nacional de Política Energética, formado por representantes de diversos ministérios.

Na pressa de forçar o Governo Lula a enveredar novamente pela aventura atômica, os militares envolvidos no programa militar paralelo, os donos de empreiteiras interessados nas bilionárias obras e os “nucleocratas” das deficitárias Eletronuclear e INB – Indústrias Nucleares Brasileiras (que custam aos cofres públicos cerca de R$ 1,5 milhão por dia) ignoram a própria Ministra de Minas e Energia, Dilma Rousseff, responsável pela condução das discussões, e a Ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, a cargo do licenciamento dessas instalações.

Na contramão do mundo, o Ministro de Ciência e Tecnologia ignora o fato de que praticamente todos os países desenvolvidos estão se livrando de suas usinas nucleares, desativando gradualmente as já em funcionamento e desistindo de construir novas.

Estudos da Comunidade Européia divulgados hoje mostram que a participação da energia atômica na matriz energética de seus 25 países-membros será reduzida dos 14% de 2000 para somente 9% no ano de 2030.

O Brasil precisa de energia para se desenvolver. No entanto, para garantir que seu crescimento seja sustentável, o País precisa investir em fontes renováveis de energia mais seguras, baratas e limpas que a nuclear.

Fonte: Greenpeace

  
  

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