Greenpeace realiza protesto contra sementes transgênicas no Fórum Social Mundial

O Greenpeace e a coalizão de organizações não governamentais protestaram contra a Monsanto, entregando milhares de mensagens estampadas em pratos de papel na segunda-feira(27/1). Ao mesmo tempo, voluntários do Greenpeace penduraram um enorme banner `Monsa

  
  

O Greenpeace e a coalizão de organizações não governamentais protestaram contra a Monsanto, entregando milhares de mensagens estampadas em pratos de papel na segunda-feira(27/1). Ao mesmo tempo, voluntários do Greenpeace penduraram um enorme banner `Monsanto fora do nosso prato` do teto da sede da empresa em Porto Alegre.

A demonstração aconteceu durante o Fórum Social Mundial. Mais de 100.000 pessoas de todos os países reuniram-se em Porto Alegre para discutir visões e estratégias para um mundo baseado em justiça e sustentabilidade, oposto a um dominado pelas corporações globais irresponsáveis.

`Monsanto criou sementes transgênicas, como a soja geneticamente modificada, para aumentar o volume de vendas de seus agroquímicos. Os cultivos transgênicos estão contaminando nossos estoques de semente, nossa agricultura e nossa comida`, argumenta Mariana Paoli, coordenadora da campanha de engenharia genética do Greenpeace Brasil.

`Enquanto a Monsanto ganha, somos nós e nosso meio ambiente que paga. Nós queremos a Monsanto fora das nossas sementes, fora dos nossos campos e fora dos nossos pratos`.

Monsanto não é a única empresa que produz sementes transgênicas, mas sozinha é responsável por mais de 90% da produção de transgênicos cultivados no mundo. A grande maioria (77%) destes cultivos é de plantas feitas para serem resistentes ao herbicida Roundup Ready, produzido pela empresa, que tem um assim chamado químico de amplo spectrum, que elimina todas as plantas do cultivo, com exceção da planta transgênica.

O herbicida Roundup, também conhecido pelo seu ingrediente ativo Glifosato, é hoje em dia o principal produto vendido pela empresa no mundo e sua principal fonte de lucros. Essa empresa está tentando conseguir uma aprovação legal no Brasil para o plantio comercial da sua soja transgênica há muitos anos, porém tal aprovação foi vetada pela Justiça graças à uma ação legal proposta pelo Greenpeace e o IDEC (Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor).

Apesar desta proibição, sabe-se que há a contaminação ilegal em algumas regiões e que já foram encontrados produtos contaminados comercializados no país. No entanto, esta situação deve mudar com a proposta de governo do Presidente Luis Inácio Lula da Silva, que comprometeu-se a fiscalizar a proibição legal de cultivos transgênicos.

A Monsanto gastou bilhões de dólares na compra de empresas sementeiras nos últimos anos e agora ela domina os mercados de semente de soja e milho nas Américas do Norte e do Sul e na Ásia. No Brasil, ela detém 60% do mercado de milho e é a segunda maior produtora de sementes de soja depois da Embrapa.

`Os transgênicos contaminam o meio ambiente e as práticas sustentáveis de agricultura que podem garantir a segurança alimentar e os modos de vida sustentáveis`, disse Flávia Londres, da Campanha por um Brasil Livre de Transgênicos.

`Os cultivos transgênicos são o ponto chave da Monsanto e de outras químicas que se preocupam mais em alimentar seus lucros a acabar com a fome. Nós queremos a Monsanto, seus cultivos transgênicos e seus químicos fora do nosso prato`.

`Nós não precisamos de sementes transgênicas e nós não queremos comer esta comida`, complementou Mariana Paoli, do Greenpeace. `A engenharia genética traz uma série de ameaças econômicas, sociais e ambientais. Ela contamina os grãos que são a base da nossa alimentação e amarra estas sementes ao nosso futuro e ao uso de agrotóxicos.

`Um mundo melhor é possível, mas para que isso aconteça é necessário que empresas como a Monsanto voltem ao controle da sociedade civil e da regulamentação governamental para evitar futuros danos ao meio ambiente e à saúde humana`.

Fonte: Greenpeace

  
  

Publicado por em