Grupo Pataxó invadiu o Paqrque Nacional do Descobrimento-BA

Um grupo de cerca de 20 famílias que se apresentam como indígenas da etnia Pataxó invadiu no último final de semana o setor leste do Parque Nacional do Descobrimento, no Extremo Sul da Bahia. Os índios fecharam o acesso à região em litígio e não admitem a

  
  

Um grupo de cerca de 20 famílias que se apresentam como indígenas da etnia Pataxó invadiu no último final de semana o setor leste do Parque Nacional do Descobrimento, no Extremo Sul da Bahia. Os índios fecharam o acesso à região em litígio e não admitem a entrada de representantes do Ibama no local.

Esta é a segunda invasão neste ano na unidade de conservação. Outras seis famílias de descendentes indígenas ocuparam a região norte do parque no último mês dejunho.

As famílias que ocupam o Parque Nacional do Descobrimento estavam antes no distrito de Cumuruxatiba, onde aguardavam o desfecho de Grupo de Trabalho da Fundação Nacional do Índio (Funai), que está definindo os limites do território Pataxó no Extremo Sul da Bahia.

A ocupação surpreendeu os representantes do Ibama no Extremo Sul da Bahia, que vinham mantendo diálogo com os grupos indígenas do entorno da unidade de conservação, com a Funai e com organizações não governamentais em busca de alternativas sustentáveis para diversos grupos descendentes de Pataxós localizados na região.

Desde a última segunda-feira, o Ibama tem repassado informação e solicitado apoio a autoridades governamentais, em busca de uma solução para a ocupação.

Ao mesmo tempo, a Procuradoria do Ibama, atendendo a obrigação legal, prepara ação judicial em que solicita a reintegração de posse da área invadida.

A ocupação humana, além de ser proibida por lei, traz sérios riscos ao Parque Nacional do Descobrimento, que é o maior fragmento protegido de Mata Atlântica do Nordeste Brasileiro, com área de 21.129 hectares.

A unidade de conservação é tombada pela Unesco como Sítio do Patrimônio Mundial Natural e é zona núcleo da Reserva da Biosfera da Mata Atlântica.

Os títulos reconhecem o grande número de espécies endêmicas (que só ocorrem naquela região) e ameaçadas de extinção que habitam seu interior. Boa parte de sua biodiversidade não é sequer conhecida.

A unidade de conservação destaca-se também por ser uma das únicas áreas de florestas de tabuleiro ainda preservadas no Brasil e por ser um dos últimos abrigos disponíveis no Nordeste para grandes mamíferos, como a onça pintada e o macaco-prego, que necessitam de áreas superiores a 20 mil hectares para se reproduzirem.

Estima-se hoje que restem apenas cerca de 7,3% da cobertura original da Mata Atlântica, uma das regiões com maior número de espécies endêmicas do mundo, muitas seriamente ameaçadas de extinção. A diminuição de habitats, resultado da atividade humana predatória, é hoje a principal causa da sensível diminuição de espécies endêmicas na região.

Fonte: Ibama

  
  

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