Ibama apóia a criação de Rede de Monitoramento Permanente em Áreas de Manejo de Floresta Amazônica

Só a exploração manejada de forma sustentável garantirá que os estimados 45 bilhões de metros cúbicos de madeira da Floresta Amazônica continuem em pé e permitam ao Brasil dominar o comércio internacional de madeira tropical neste século, tendo em vista

  
  


"Só a exploração manejada de forma sustentável garantirá que os estimados 45 bilhões de metros cúbicos de madeira da Floresta Amazônica continuem em pé e permitam ao Brasil dominar o comércio internacional de madeira tropical neste século, tendo em vista o declínio do estoque do produto asiático", alertou o diretor de Florestas do Ibama - Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis, Antônio Carlos Hummel.

Para atingir esta meta, no entanto, o Ibama precisa conhecer o padrão e a dinâmica de crescimento da floresta explorada por plano de manejo sustentável – indispensável para desenvolver modelos de utilização adequada dos recursos florestais, adiantou Hummel.

Com este objetivo, o MMA/Ibama traçou três linhas de ação: implantar uma rede de IFC - Inventário Florestal Contínuo; divulgar e atualizar a base técnica sobre o comportamento da floresta pós-exploração manejada; e revisar e aperfeiçoar a metodologia para o manejo florestal sustentável.

Estas diretrizes permitirão à diretoria de Florestas do Ibama informar com exatidão:

-Por que a floresta é mais rentável em pé do que no chão?

-Como ocorre a recuperação da floresta para os próximos cortes de árvores depois da exploração manejada?

-Quais as técnicas de manejo mais adequadas para garantir a sustentabilidade da exploração e a perenidade das madeiras?

-Que métodos adotar para evitar a extinção local e a erosão genética das espécies, apressar o ciclo de crescimento e a intensidade de corte das árvores?

-Quais as modificações ecológicas pós-exploração e o tempo correto para novos cortes?

-Qual a intensidade ideal de exploração manejada para garantir a sustentabilidade da floresta e a continuidade de geração de benefícios ecológicos, econômicos e sociais por ela proporcionados?

-Por que o manejo é indispensável para garantir que as árvores continuem em pé?

São algumas das muitas respostas que deverão estar disponíveis para a sociedade dentro de cinco anos com a criação da Rede de Inventário Florestal Contínuo – um esforço pioneiro do Ministério do Meio Ambiente/Ibama, através do programa ProManejo (PPG-7), para aperfeiçoar, unificar e padronizar as normas e os procedimentos técnicos do manejo florestal, tornando-o economicamente viável, desde que ecologicamente aceitável, anunciou o diretor de Florestas do Ibama.

Para tanto, serão monitoradas diversas áreas da Amazônia submetidas a manejo florestal – base para o aperfeiçoamento das metodologias do uso sustentável da floresta e de subsídios de políticas públicas coerentes para o setor.

As pesquisas sustentarão o primeiro banco de dados com informações unificadas de todos os parceiros envolvidos na rede para permitir ao governo revisar e aperfeiçoar constantemente as normas técnicas para manejo florestal, adequando-as às peculiaridades de cada microrregião amazônica.

Para gerenciar a rede, que deverá estar totalmente implantada em dois anos, a diretoria de Florestas, através do ProManejo, criou um grupo de trabalho integrado por instituições com grande experiência em monitoramento de florestas pós-exploração: Embrapa (AM, PA e AC), Inpa - Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia, Imazon - Instituto do Meio Ambiente e do Homem da Amazônia, Universidade Federal do Amazonas (Departamento de Ciências Florestais), Faculdade de Ciências Agrárias do Pará e consultores independentes representados por empresas madeireiras certificadas.

Hummel admitiu que, embora várias instituições venham fazendo pesquisas neste sentido, como a Embrapa, as informações são fragmentadas, comprometendo a troca e a disseminação dos seus resultados.

Ele reconhece que apesar do grande avanço dos estudos em manejo realizados há mais de duas décadas na Amazônia, ainda falta suporte técnico para embasar aspectos ecológicos inerentes ao processo de recuperação da floresta manejada para os próximos ciclos de corte das árvores. Falta estabelecer, por exemplo, intensidades de exploração manejada que sejam economicamente viáveis, informou Hummel.

Por outro lado, dependendo da intensidade do corte e do sistema de exploração adotado, podem ocorrer mudanças dramáticas na estrutura e na composição da flora manejada, ressaltou o diretor de Florestas.

As pesquisas também responderão por que a abertura de trilhas e de clareiras em diferentes escalas aumentam o ritmo de crescimento e de mortalidade das árvores, provocando mudanças na dinâmica de toda a floresta. Mesmo a Embrapa, que monitora a Floresta Amazônica há 23 anos em suas regionais do Amazonas, Pará e Acre, não se arrisca a afirmar, com exatidão, qual o comportamento da mata pós-exploração manejada. Mas está certa dos benefícios dos planos de manejo.

Seu representante no Pará e na rede de monitoramento, Natalino Silva, garante: "a árvore manejada cresce muito mais rápido que a explorada de forma predatória". O mesmo assegura o representante do Imazon na rede, Edson Vidal.

"A longo prazo, a exploração com plano de manejo sustentável fica até 13 por cento mais barata que a predatória, além de permitir o crescimento mais rápido das espécies cortadas corretamente".

Com isto também concorda a Eco Florestal Ltda., da qual faz parte a Mil Madeireiras – a primeira indústria certificada do País a trabalhar e lucrar com manejo empresarial. Seu representante no grupo de trabalho, Delman Gonçalves, admite que "a árvore manejada cresce 5,5 vezes mais que a derrubada com corte raso e predatório", resultado de sua tese de pós-graduação em engenharia florestal.

MONITORAMENTO :

Para um planejamento eficiente das atividades florestais e um bom manejo, a rede de monitoramento espera obter informações confiáveis para abastecer o banco de dados e definir modelos de crescimento e de produção da Floresta Amazônica: identificação correta e distribuição espacial das espécies, estrutura da vegetação, auto-ecologia das espécies, parâmetros demográficos da regeneração natural, biologia e dinâmica reprodutiva, que deverão ser obtidas em cada área ou formação vegetal da Amazônia delimitada para a minuciosa pesquisa de campo.

Para a análise de crescimento, as árvores acima de 5 cm serão medidas e identificadas com plaquetas, e até a iluminação de suas copas será considerada. As espécies serão estudadas em pé, viva quebrada, morta e cortada.

Para a definição da estrutura da floresta, os pesquisadores a analisarão sob quatro aspectos: madura, em construção, explorada e clareira natural. As formas de copa das árvores serão observadas: em círculo completo, meio círculo, menos que meio círculo, rebrota e sem copa.

O grau de comercialização das espécies será obtido pela análise: 100 por cento aproveitáveis, parcialmente aproveitáveis e sem aproveitamento comercial. Danos: aparentes, físicos de causas naturais, biológicos e causados por exploração. E até a presença de cipós será considerada: sem e com cipós fortemente atados às árvores, afetando o seu crescimento.

O Brasil possui um terço das florestas tropicais do mundo. A Amazônia Legal abrange uma área de 4,8 milhões de quilômetros quadrados cobertos com 285 milhões de hectares de floresta nativa, dos quais 246 milhões de hectares são produtivos. É a maior riqueza extrativa da Amazônia.

Fonte: Ibama

  
  

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