Ibama revitalizou o Rio Guará-BA permitindo o plantio de subsistência para milhares de ribeirinhos

O estouro de cinco barragens irregulares, a partir do dia 6/12/2002, num trecho de aproximadamente 60 quilômetros do Rio Guará, alimentador da margem esquerda do Rio São Francisco, município de Correntina (1044 Km de Salvador), no oeste da Bahia, devolveu

  
  

O estouro de cinco barragens irregulares, a partir do dia 6/12/2002, num trecho de aproximadamente 60 quilômetros do Rio Guará, alimentador da margem esquerda do Rio São Francisco, município de Correntina (1044 Km de Salvador), no oeste da Bahia, devolveu a vida ao rio e a milhares de ribeirinhos que dependem de suas águas para o plantio de subsistência e para o trato de criações domésticas.

As barragens para o represamento do rio eram construídas de areia e serviam à irrigação das plantações de soja existentes na região. Em meados de 2001, o Ministério do Meio Ambiente e Ibama, implantaram o Projeto de Revitalização e Conservação da Bacia Hidrográfica do Rio São Francisco, para recuperar o rio.

O projeto contribui para a valoração dos patrimônios naturais e culturais existentes no vale do São Francisco e de seus afluentes, e também, para a geração de novas atividades econômicas, melhorando os indicadores sociais no entorno de toda a bacia.

O dano ambiental havia sido constatado recentemente através de um levantamento aéreo realizado pelo Ibama nos afluentes da margem esquerda do Rio São Francisco, no oeste baiano. Após constatação feita no local pelo diretor de Proteção Ambiental do Instituto, Luciano de Meneses Evaristo, ele decidiu autuar e multar em R$ 20 milhões as propriedades infratoras, e destruir as barragens para permitir que a água volte a correr livremente pelo Rio Guará até o Rio do Meio, que deságua no Corrente, afluente direto do Rio São Francisco.

Durante esse percurso as águas que descem do Rio Guará, passam por diversos municípios e povoados, como Pedras, Inahúmas, Santa Clara, Santa Maria da Vitória e Porto Novo, entre outros.

"Constatamos um dano ambiental enorme. Após a primeira barragem visitada o rio continuava descendo num filete d`água até a barragem seguinte e assim sucessivamente. Isso impedia o desenvolvimento dos ecossistemas nos trechos onde a água praticamente desaparecia e, principalmente as populações ficavam muito prejudicadas.

Constatando que as barragens não possuíam licença ambiental, estamos autuando e multando os responsáveis. Além disso, usamos as máquinas da própria propriedade para romper as barragens", afirmou o diretor de Proteção Ambiental Luciano Evaristo.

Segundo ele, o trabalho foi desenvolvido em parceria entre o Ibama, as Polícias Militares da Bahia e de Minas Gerais - esta última por força de convênio cedeu os helicópteros para a ação - e a Secretaria Municipal de Meio Ambiente de Correntina.

"Primeiro fizemos um levantamento aéreo, quando constatamos durante os sobrevôos a irregularidade. Depois utilizamos 16 homens do Instituto e dos parceiros para realizar o trabalho de fiscalização nos locais previamente determinados", informou Evaristo.

Ele garantiu que o trabalho vai continuar na região e que em todos os locais onde foram construídas barragens irregulares, sem o licenciamento ambiental, o Ibama vai agir com rigor, autuando, multando e derrubando os diques para que a água volte a correr em direção ao Rio São Francisco. Revitalização do São FranciscoO Rio São Francisco nasce na Serra da Canastra, em Minas Gerais e percorre 2.700 quilômetros até a sua foz, no Oceano Atlântico.

Conhecido entre os barranqueiros de suas margens por Velho Chico e por Rio da Integração Nacional entre os estudantes do ensino fundamental, as águas do São Francisco levam a vida às comunidades ribeirinhas das regiões dos Sertões das Gerais, da Bahia, passando por Pernambuco, até desembocar no mar na divisa entre os estados de Sergipe e Alagoas.

Os afluentes permanentes do São Francisco localizam-se principalmente em Minas Gerais. Na Bahia, exatamente na sua margem esquerda, está o Rio Corrente, um dos poucos afluentes perenes do Velho Chico no Estado da Bahia. É exatamente ele que agora está ameaçado pela construção de barragens irregulares no Rio Guará.

"Caso este tipo de agressão ambiental continue sendo perpetrado na bacia do Rio São Francisco, em alguns anos o prejuízo já existente hoje ao longo de seu curso, acabará acarretando maiores danos tanto ao meio ambiente quanto às populações residentes em suas margens", afirma o diretor do Ibama.

Para assegurar a vida do Velho Chico, inclusive, como fonte de desenvolvimento para a região Nordeste do País, foi criado o Projeto de Revitalização e Conservação da Bacia Hidrográfica do Rio São Francisco, que envolve recursos do MMA - Ministério do Meio Ambiente, do Ministério da Integração Nacional, da ANA - Agência Nacional de Águas e do Ibama - Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis.

Até o ano de 2010, a estimativa é de que os investimentos aplicados no projeto de revitalização ultrapassem a casa de R$ 1,2 bilhão de reais. Na etapa atual da revitalização do Velho Chico estão recebendo prioridade os investimentos em oito áreas, entre elas, a despoluição do rio e de seus afluentes, a recuperação dos solos e das matas ciliares, a gestão e o monitoramento da vegetação, a gestão integrada de resíduos sólidos, a preservação da biodiversidade, o desenvolvimento visando à convivência com a seca e a educação ambiental.

Fonte: Ibama

  
  

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