Ilha do Bananal e entorno fazem parte do novo corredor de biodiversidade do Araguaia

As organizações não-governamentais (ONGs) Conservation International do Brasil (CI-Brasil) e Instituto Ecológica acabam de firmar parceria para planejar e implementar o novo Corredor de Biodiversidade do Araguaia, na Ilha do Bananal e adjacências. O p

  
  

As organizações não-governamentais (ONGs) Conservation International do Brasil (CI-Brasil) e Instituto Ecológica acabam de firmar parceria para planejar e implementar o novo Corredor de Biodiversidade do Araguaia, na Ilha do Bananal e adjacências.

O projeto visa complementar uma ação já iniciada pelo IBAMA para a região. A estratégia de corredores vem sendo adotada por governos e instituições especialistas em conservação da biodiversidade para vencer o isolamento das áreas protegidas, garantindo o trânsito de espécies por um mosaico de unidades ambientalmente sustentáveis.

Assim, várias categorias de uso da terra compõem o esforço de conservação de um corredor, dentre elas: parques, reservas públicas ou privadas, terras indígenas, além de propriedades que praticam sistemas agroflorestais ou ecoturismo.

`Depois de implementado, esse novo Corredor vai garantir a conservação de um importante centro de endemismo do Cerrado, com espécies que só existem aqui e em nenhuma outra parte do planeta, como o papa-capim-do-araguaia (Sporophila melanops) e ratinho do bananal (Calomys tocantinsi)”, explica Ricardo Bomfim Machado, diretor da CI-Brasil para o Cerrado.

“Apesar da Ilha do Bananal estar relativamente conservada, seu entorno vem sendo rapidamente destruído com o avanço da última fronteira agrícola do Cerrado. A dinâmica natural de deslocamentos das espécies, que segue o ritmo de inundações periódicas, já está comprometida”.

O novo Corredor vai abranger o Estado do Tocantins, o nordeste do Mato Grosso e o sudeste do Pará. A Ilha do Bananal é o coração do Corredor. É a maior ilha fluvial do mundo e está localizada no sudoeste do estado do Tocantins. Cobre uma área de quase 20 mil km2.

A parceria entre as duas organizações se inicia com o mapeamento da dinâmica de ocupação da terra no entorno da Ilha do Bananal, a realização de inventários da biodiversidade local, com ênfase em espécies endêmicas e ameaçadas, a interação com órgãos estaduais e federais para auxiliar a implantação das unidades de conservação existentes e a criação de uma infra-estrutura local capaz de apoiar o desenvolvimento sustentável das comunidades locais.

“Temos buscado alternativas de desenvolvimento sustentável para a região, disseminando o conceito do carbono social e implementando projetos que mostram às comunidades locais como obter benefícios a partir de uma série de atividades que ajudam a reduzir as emissões de carbono na atmosfera”, diz Dilvado Rezende, presidente do Instituto Ecológica.

Dentre os benefícios sociais e de conservação gerados pelo carbono social estão: os sistemas agroflorestais, a redução de queimadas e a geração de renda e emprego a partir da exploração sustentável dos recursos naturais da região. Atividades como essas já foram implementadas e refinadas em cinco municípios da Ilha do Bananal – Pium, Cristalândia, Caseara, Lagoa da Confusão e Dueré – e seguem sendo o centro da metodologia do carbono social.

“Quando o valor econômico de tais recursos é compreendido pela população local, então ela pára de cortar as árvores, destruir e queimar suas florestas”, conclui Rezende.

A união desses dois conceitos inovadores, o corredor de conservação da biodiversidade e o carbono social, possibilita a integração da conservação com o desenvolvimento sustentável.

“Se os procedimentos de recuperação ambiental, necessários para evitar que a biodiversidade entre em colapso, puderem ser associados ao seqüestro de carbono em grande escala, então teremos feito um enorme avanço na conjugação dos atuais esforços mundiais de conservação da biodiversidade e atenuação das mudanças climáticas”, comenta o diretor de política ambiental da CI-Brasil, Paulo Gustavo do Prado Pereira.Além do Instituto Ecológica, faz parte da parceria o Centro Universitário Luterano de Palmas-ULBRA.

A instituição tem responsabilidade sobre o mapeamento e tratamento de imagens de satélite da região, por meio de seu moderno laboratório de geoprocessamento estruturado com o apoio do CI-Brasil.

No início de dezembro, Divaldo Rezende e Stefano Merlin lançam, em Brasília, o livro Carbono Social, agregando valor ao desenvolvimento sustentável, que relata a visão das comunidades atingidas pelo Projeto; a metodologia e os conceitos teóricos envolvidos; além das perspectivas futuras para projetos do gênero, associadas à visão de corredores de biodiversidade.

Fonte: Estação Vida

  
  

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