Inpa reforça uso de sistemas agroflorestais na Amazônia

O uso de sistemas agroflorestais (SAFs) como forma mais adequada para o desenvolvimento sustentável da agricultura de pequeno porte na região amazônica dispõe agora de base científica para a sua exploração a longo prazo. Uma pesquisa, custeada pelo Ba

  
  

O uso de sistemas agroflorestais (SAFs) como forma mais adequada para o desenvolvimento sustentável da agricultura de pequeno porte na região amazônica dispõe agora de base científica para a sua exploração a longo prazo.

Uma pesquisa, custeada pelo Basa - Banco da Amazônia e recentemente concluída pelo Inpa - Instituto Nacional de Pesquisa da Amazônia, fornece suporte tecnológico para aumentar e consolidar a produtividade dos SAFs, com o manejo apropriado do solo e o controle de pragas e doenças.

O trabalho do Inpa, que envolveu 22 pesquisadores, foi desenvolvido, de março de 2000 a dezembro de 2002, no Projeto Reca (Reflorestamento Econômico Consorciado e Adensado), em Vila Califórnia, na divisa do Acre com Rondônia.

A inciativa foi inciada entre 1988 e 1989 por uma associação de pequenos agrossilvicultores, abrangendo uma área total de 1.800 hectares e cerca de 300 famílias.

Elas se dedicam basicamente ao cultivo consorciado e beneficiamento de cupuaçu, pupunha e castanha-do-brasil, essa foi a primeira iniciativa comunitária regional que adotou os SAFs como principal modelo de uso e manejo do solo na região amazônica.

Nos primeiros anos, os resultados foram excelentes, o que levou outras comunidades a aderirem aos sistemas agroflorestais.

A partir da segunda metade da década de 90, a produtividade começou a cair e surgiram pragas (principal a broca do fruto do cupuaçuzeiro), deixando os integrantes do Reca preocupados com a sustentação do projeto.

Graças à pesquisa, que também teve apoio do Programa Piloto para Proteção de Florestas Tropicais (PPD/PPG-7) e se desenvolveu com ampla participação e treinamento da comunidade envolvida no projeto, foram dissecados os fatores físicos, químicos e biológicos que afetam a produtividade dos SAFs, o que apontou para alternativas de fertilização do solo, priorizando-se a adubação orgânica com resíduos da própria produção (cascas de cupuaçu e folhas de pupunha, ricas em nutrientes) e leguminosas.

Quanto à praga, com o estudo biológico, químico e comportamental da broca e sua inter-relação com a planta hospedeira, métodos alternativos foram experimentados por alguns agrossilvicultores, com registros muito promissores, o que originou uma cartilha para disseminação dos procedimentos que podem manter a infestação abaixo do nível de dano econômico.

O estudo do Inpa, que se realizou nas condições concretas de uma área já explorada, na produção, com sistemas agroflorestais, pode ser considerado como referência para o estudo da viabilidade de SAFs na Amazônia, principalmente sob o aspecto de sua sustentabilidade a longo prazo, um tema sobre o qual não existiam até agora suficientes informações científicas.

Fonte: Radiobras

  
  

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