Instituto de Pesca faz diagnóstico da pesca artesanal no Rio Tietê em São Paulo

A pesca artesanal no médio e baixo rio Tietê ainda representa uma parcela importante no fornecimento de alimento e na geração de renda para comunidades ribeirinhas, portanto ela precisa ser desenvolvida de forma racional e sustentada. Paula Maria Gêno

  
  

A pesca artesanal no médio e baixo rio Tietê ainda representa uma parcela importante no fornecimento de alimento e na geração de renda para comunidades ribeirinhas, portanto ela precisa ser desenvolvida de forma racional e sustentada.

Paula Maria Gênova de Castro, pesquisadora do Instituto de Pesca, explica que as alterações ambientais ocorridas, principalmente a partir da construção de sucessivas barragens, e em decorrência da poluição agroindustrial e urbana, causaram alterações na cadeia alimentar dos peixes.

Essas alterações, segundo a pesquisadora, provocaram variações na fauna ictiológica desse trecho do rio e mudanças significativas na atividade pesqueira. Com o objetivo de elaborar um diagnóstico sócio-econômico sobre o pescador e a pesca na região, bem como, promover a melhoria dessa atividade, o Instituto de Pesca iniciou, em maio de 2001, um projeto de pesquisa em parceria com a unidade de pesquisa da Apta - Agência Paulista de Tecnologia dos Agronegócios em Barra Bonita.

Segundo Paula Gênova, a estratégia do trabalho envolve a identificação e mapeamento dos principais pontos de desembarque e de concentração de pescadores e suas comunidades. Obteve-se a caracterização sócio-econômica das comunidades de pescadores por meio de 201 entrevistas, observações in loco e relatos espontâneos de casos.

Foram identificados 49 núcleos pesqueiros, situados nas represas de Barra Bonita (12), Bariri (5), Ibitinga (6), Promissão (11), Nova Avanhandava (3) e Três Irmãos (12), totalizando cerca de 1.200 pescadores. Os principais problemas enfocados por aquelas comunidades são: roubo e destruição de redes de pesca, inclusive por turistas; despreparo dos órgãos públicos ligados à fiscalização e ao repasse de informações sobre a legislação pesqueira; dificuldades para a comercialização do pescado; poluição das águas e carência de informações sobre financiamento de equipamentos de pesca.

A pesquisadora assinala ainda que, além dos problemas destacados pelos pescadores, há uma ausência de políticas públicas de incentivo, bem como a necessidade da implantação de entrepostos pesqueiros com infra-estrutura mínima para limpeza, processamento e comercialização do pescado.

Paula Gênova aponta também a higiene precária no preparo e conservação do pescado e o desconhecimento da possível utilização econômica de resíduos do pescado.

Finalmente, a pesquisadora enfatiza que o incremento da pesca artesanal no médio e baixo Tietê ocorrerá a partir da organização da própria comunidade pesqueira em cooperativas e/ou sindicatos que defendam os seus interesses, e da implantação de uma política de desenvolvimento e manejo sustentável da atividade.

Fonte: Instituto de Pesca

São Paulo

  
  

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