Lançada a `Coalizão Carvão Não!`, que visa a combater a construção de novas usinas a carvão

Um dia após o anúncio da compra de uma termelétrica a carvão pelo governo brasileiro na China, começou a ser articulado um movimento nacional para impedir a construção de novas usinas térmicas na região Sul do país. Sob o nome `Coalizão Carvão Não!`,

  
  

Um dia após o anúncio da compra de uma termelétrica a carvão pelo governo brasileiro na China, começou a ser articulado um movimento nacional para impedir a construção de novas usinas térmicas na região Sul do país.

Sob o nome `Coalizão Carvão Não!`, estão trabalhando em conjunto as entidades Greenpeace, Amigos da Terra Brasil, Associação Gaúcha de Proteção ao Ambiente Natural (Agapan) e Sócios da Natureza, com o apoio do Fórum Brasileiro de Ongs e Movimentos Sociais (Fboms) e da Federação de Entidades Ecológicas Catarinenses (Feec).

Para o Greenpeace, as usinas a carvão poluem o ar e colaboram para o aquecimento global, além de afetarem a saúde de seus trabalhadores.

`Há um poderoso lobby da indústria do carvão atuando junto ao governo federal e o Congresso Nacional. Precisamos somar nossos esforços aos de outros setores da sociedade para evitarmos o avanço dessa energia ultrapassada, principalmente no momento em que o mundo todo se reúne para promover as fontes renováveis, na Conferência de Bonn, na próxima semana`,disse o coordenador da Campanha de Energia do Greenpeace, Sérgio Dialetachi.

Entre as usinas a carvão em vias de instalação ou licenciamento estão as de Jacuí, Candiota III e Seival (RS), Usitesc (SC) e Figueira II (PR). Também entre as usinas está a de Cachoeira do Sul (RS), cujo contrato foi assinado ontem com a China.

Embora as nossas reservas de carvão se concentrem nos três Estados do Sul, os problemas eonômicos, sociais e ambientais causados por essa indústria se espalham para outras áreas, inclusive de países vizinhos, como o Uruguai.

`A mineração do carvão e a sua queima em termelétricas causam graves impactos ambientais, que vão das poeiras criadas na detonação (e que provocam sérias doenças do aparelho respiratório) até a chuva ácida e o aquecimento global`, afirmou a coordenadora executiva dos Amigos da Terra Brasil, Kathia Monteiro.

Para Edi Fonseca, presidente da Agapan, é `difícil acreditar que projetos como Jacuí e Candiota III, paralisados há mais de 20 anos por inviabilidade econômica e ambiental, e até considerados já parte da história do movimento ambientalista gaúcho, retornem numa época de esforços evidentes para a expansão das energias renováveis`.

Em países como a Inglaterra, França e Alemanha, o carvão tem sido substituído por outras fontes de energia. Entre as razões para essa troca estão o legado de destruição ambiental e os impactos sobre a saúde humana deixados pela indústria carbonífera.

`O carvão é o combustível fóssil que emite a maior quantidade de gases que causam o efeito estufa por unidade de energia gerada`, disse a coordenadora do GT Energia do Fórum Brasileiro de ONGs e Movimentos Sociais, Lucia Ortiz.

Segundo Tadeu Santos, da Federação de Entidades Ecológicas Catarinenses, `os efeitos nocivos da indústria carbonífera em Santa Catarina são óbvios: a bacia do rio Araranguá está entre as mais poluídas do Brasil em decorrência da mineração de carvão`.

Primeiros passos da `Coalizão Carvão Não!`Como parte das atividades de divulgação do problema, as entidades da coalizão lançarão hoje (25/05), às 19h, no Café da Usina (dentro da Usina do Gasômetro, na av. João Goulart 551), em Porto Alegre (RS), o livro `Carvão, combustível do
passado`.

A obra relata os malefícios do uso do carvão mineral para a geração de eletricidade, e fornece detalhes sobre a situação das usinas já construídas e ainda propostas para o Brasil.

Nesta quarta-feira (26/05), o livro será entregue às autoridades e imprensa gaúchas. O primeiro a receber um exemplar será o Secretário de Minas, Energia e Comunicação do Rio Grande do Sul, Valdir Andrés, às 10h30, na sede da secretaria (avenida Borges de Medeiros, 1501), na capital gaúcha.

Fonte: Greenpeace

  
  

Publicado por em