Lançado selo de controle que vai garantir a segurança na destinação de resíduos

Um levantamento da Associação Brasileira de Empresas de Tratamento, Recuperação e Disposição de Resíduos Especiais - Abetre - revelou que dos 2,9 milhões de rejeitos industriais gerados por ano no Brasil apenas 600 mil to

  
  

Um levantamento da Associação Brasileira de Empresas de Tratamento, Recuperação e Disposição de Resíduos Especiais - Abetre - revelou que dos 2,9 milhões de rejeitos industriais gerados por ano no Brasil apenas 600 mil toneladas, ou cerca de 22% do total, recebem tratamento adequado. Isso significa que dos 78% restantes, por volta de 2 milhões de toneladas, são depositados em lixões clandestinos ou inapropriados, sem receber nenhum tipo de inertização.

Muitas vezes o problema acontece por conta do desvio dos resíduos das indústrias por transportadoras não idôneas que, em busca de melhores preços, acabam levando os resíduos para lixões clandestinos.

A facilidade em falsificar os documentos emitidos para controle de disposição de resíduos nos aterros é um dos motivos deste desvio, alerta o empresário Luis Roberto Peralta. Diretor da Boa Hora Central de Tratamento de Resíduos, ele destaca que muitas vezes as indústrias acreditam que seus resíduos estão recebendo a destinação correta enquanto na verdade estão sendo desviados.

Com o objetivo de garantir maior segurança para os seus clientes, a Boa Hora Central de Tratamento de Resíduos está lançando no mercado um selo de segurança holográfico, que será utilizado para controle de recebimento de resíduos dentro do aterro.

A idéia, destaca Peralta, é permitir que as indústrias tenham a certeza absoluta e a garantia de que seus resíduos estão sendo destinados de forma correta. O selo de segurança - que é numerado e traz associado à ele uma série de informações (certificados de destinação final) , vai ser também a base utilizada pela Boa Hora para emitir para os seus clientes as cartas de anuência contratos, além disso, será um importante aliado dos órgãos responsáveis pela fiscalização ambiental.

Criada em 1991, a Boa Hora está instalada em uma área de 210 mil metros quadrados, no município de Mauá, na Região Metropolitana de São Paulo. Com capacidade para operar 14 mil toneladas de resíduos por mês das classes II (areias de fundição, lodo de estação de tratamento, sucatas de plástico etc) e III (entulhos, refratários, vidros, certos tipos de plásticos e borrachas, etc), a Boa Hora recebeu a certificação que o seu sistema de gestão da qualidade está em conformidade com a norma ISO 9001:2000.

Em dezembro passado, a empresa foi uma das primeiras a receber o certificado do Programa de Conformidade da Abetre. O Programa tem por princípios checar a qualidade e a conformidade legal das operações para garantir aos clientes e à sociedade soluções seguras e confiáveis no tratamento e na destinação de resíduos.

A iniciativa do selo de segurança , que é inédita no Brasil - está sendo bem vista pelas associações que representam as empresas de destinação e tratamento de resíduos. Para Horácio Pedro Peralta, presidente da Apetres - Associação Paulista das Empresas de Tratamento e Destinação de Resíduos Urbanos, entidade que tem entre os seus objetivos difundir a prática do gerenciamento ambiental dos resíduos sólidos urbanos, a iniciativa vai coibir fraudes, fomentando entre as outras empresas do setor os procedimentos de controle de resíduos.

`Muitas vezes, uma empresa que enviou seu resíduo não tem como comprovar que ele foi destinado corretamente, já que os papéis e comprovantes emitidos atualmente pelos aterros podem ser facilmente falsificados`, destaca Horácio.

Ele também acredita que o selo de segurança será uma importante fonte de controle de destinação para a Cetesb - Companhia de Tecnologia de Saneamento Ambiental Ciência e Tecnologia, agência do Governo do Estado de São Paulo responsável pelo controle, fiscalização, monitoramento e licenciamento de atividades geradoras de poluição.

Para o diretor executivo da Abetre, Diógenes Delbel, a emissão do selo será um recurso adicional de segurança para o gerador de resíduos, que pela legislação brasileira mantém responsabilidade solidária e imprescritível sobre seus resíduos, mesmo que os tenha destinado através de empresa regularmente licenciada.

A Abetre reúne hoje empresas especializadas em tratamento de resíduos perigosos e não-perigosos, através de tecnologias de disposição em aterro, co-processamento, incineração e outras, e de serviços associados como gerenciamento, coleta, transporte, análises laboratoriais e reciclagem.

Fonte: AG Comunicação Ambiental

  
  

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