Leite orgânico é uma oportunidade para o semi-árido

Os riscos climáticos por demais conhecidos, que inviabilizam a sustentabilidade da agricultura dependentes de chuvas, e afora a disponibilidade mais barata dos fatores de básicos de produção (terra e mão-de-obra de reconhecido valor), existem considerávei

  
  

Os riscos climáticos por demais conhecidos, que inviabilizam a sustentabilidade da agricultura dependentes de chuvas, e afora a disponibilidade mais barata dos fatores de básicos de produção (terra e mão-de-obra de reconhecido valor), existem consideráveis vantagens comparativas no ambiente físico semi-árido para produção animal em geral para atividade leiteira em particular.

Neste contexto, processos tecnológicos que asseguram a sustentabilidade da pequena produção de leite do semi-árido foram desenvolvidos pela Embrapa Semi-Árido encontram-se disponíveis e materializados em um modelo físico de sistema de produção agroecológicos localizados no semi-árido sergipano. Este sistema, que possibilita a produção de leite de alta qualidade microbiológica, sem resíduos tóxicos, com mínimo utilização de insumos externos e, portanto, a baixo custo, fundamenta-se em:

1- Infra-estrutura agrosilvipastoril assentada em espécies adaptadas ao ambiente simi-árido; capim buffel e urocloa,
leucena, gliricídia, palma forrageira, nim, sabiá e algoraba

2- Diversidade temporal e espacial dos subsistemas cultivados;

3- Uso de animais geneticamente compatíveis com o ambiente e que otimizam o padrão nutricional da infra-estrutura forrageira;

4- Manejo que assegure o bem-estar animal.

5- Reciclagem de resíduos vegetais para animais e de resíduos de cultivos;

6- Uso de métodos naturais nos controles fito e zoosanitários;

7- Recomposição do componente arbóreo com reflorestamentos, arborização de pastagens, cultivos em alamedas, cercas vivas forrageiras e cortinas de quebra-ventos.

Deste forma pode ser viabilizada, técnica e economicamente, a pequena produção de leite em base sustentáveis e competitivas.

Assim, enquanto a lógica "modernizante" do circuito industrial da cadeia produtiva do leite começa a excluir, de forma crescente, uma parcela incomensurável de produtores do setor formal, a produção orgânica e seus derivados, com alto valor agregado, surge como oportunidade sobretudo para produção familiar, sabidamente mais apropriada a sistemas de produção
menos danosos ao ambiente, particularmente no simi-árido, ainda não tão "intensificado" e intoxicado, onde certamente será mais fácil, pelas razões apontadas, produzir leite orgânico.

Fonte: Jornal da AEASE

  
  

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