Manguezais crescem 40% no Nordeste em 26 anos

Rio de Janeiro - Alterações ambientais ocorridas globalmente e em nível local provocaram um aumento de cerca de 40% no tamanho de manguezais da região Nordeste nos últimos 26 anos, de acordo com estudo apresentado no 1&o

  
  

Rio de Janeiro - Alterações ambientais ocorridas globalmente e em nível local provocaram um aumento de cerca de 40% no tamanho de manguezais da região Nordeste nos últimos 26 anos, de acordo com estudo apresentado no 1º Simpósio Brasileiro de Mudanças Ambientais Globais, que terminou ontem no Rio.

Análise realizada em manguezais dos Estados do Piauí, Ceará, Rio Grande do Norte, Paraíba e Pernambuco, em três diferentes épocas (1978, 1986-1992, 2001-2004), revelou um acréscimo de 158 km² na área total, sendo que os maiores aumentos foram registrados em Pernambuco (67%) e na Paraíba (40%).

Apesar de ser um ecossistema com enorme biodiversidade, o crescimento da área de mangue preocupa. “Isso causa apreensão por conta da salinização das águas e também por conta do aumento da concentração do mercúrio”, observa o biólogo Luiz Drude de Lacerda, professor-visitante da Universidade Federal do Ceará (UFC).

O mercúrio, explica o pesquisador, é um elemento usado há muitos séculos, e tem se tornado cada vez mais comum, não só por causa da mineração e dos grandes eventos vulcânicos, como também resultado da atividade industrial. E acaba sendo retido, por exemplo, nos mangues. O terreno é um grande concentrador de contaminantes, principalmente do metal.

“Está em tudo quanto é lugar. Nós importamos muito mercúrio na época do apagão, quando adquirimos lâmpadas da China, que traziam não 2 miligramas (de mercúrio), mas 10 mg cada. Foi um absurdo o que aconteceu”, lembra Lacerda.

Segundo ele, peixes retirados de manguezais do Nordeste estão apresentando níveis de mercúrio na forma orgânica (metilmercúrio) tão elevados quanto os encontrados em espécies pescadas no Sudeste ou nas regiões ribeirinhas da Amazônia, onde atividades como o garimpo explicam a maior concentração da substância. Para Lacerda, o fato de lugares com características tão distintas apresentarem quantidades semelhantes pode ser explicada pelas mudanças causadas pelo aquecimento global.

“Provavelmente, parte do mercúrio que é detectado em um peixe pescado em um manguezal do Ceará é resultado de ações locais, seja da agricultura ou das fazendas de camarão, por exemplo, mas também de ações globais. Só que não temos como identificar, porque o peixe não vem com um carimbo”, brinca o pesquisador.

Lacerda avalia que a única maneira de tentar evitar que ocorra contaminação pelo pescado é formulando regras para o consumo. Ele sugere, por exemplo, que peixes acima de determinado peso não sejam comercializados pois teriam uma quantidade maior do metal.

Por ser muito solúvel, o metilmercúrio é assimilado por peixes e mariscos e pode causar intoxicações nos consumidores. Pelo menos por enquanto, porém, o teor de mercúrio encontrado em espécies analisadas por Lacerda está abaixo do valor considerado aceitável pela Organização Mundial da Saúde (OMS), que é de 0,5 miligrama por kg de peixe. (Karine Rodrigues)

Fonte: Agência Estado

  
  

Publicado por em