Mato Grosso pleiteia a fabricação de carros a óleo vegetal

O governo de Mato Grosso poderá interceder junto ao governo federal para que seja concedida autorização para fabricação de carros de passeio que utilizem o biocombustível, produzido a partir de óleo vegetal. A única fábrica do país, a Ecológica Mato G

  
  

O governo de Mato Grosso poderá interceder junto ao governo federal para que seja concedida autorização para fabricação de carros de passeio que utilizem o biocombustível, produzido a partir de óleo vegetal.

A única fábrica do país, a Ecológica Mato Grosso (Ecomat), fica na cidade de Barra do Bugres, a 163 km de Cuiabá.`Nós não podemos deixar escapar essa oportunidade de ver Mato Grosso em destaque, não só como produtor de grãos, mas também como um estado que detém tecnologia de ponta`, disse o secretário da Indústria, Comércio, Minas e Energia, Alexandre Furlan, durante a demonstração de um carro que veio rodando de Curitiba a Cuiabá utilizando o biocombustível.

`É uma questão política. Vamos conversar com o governador Blairo Maggi para mostrar a importância de levar essa discussão até o presidente Lula`, disse Furlan.

A demonstração do veículo, um Golf TDI 1.9, fabricado em São José dos Pinhais - PR pela Audi-Volkswagen, foi no pátio da Federação das Indústrias de Mato Grosso. O carro, ano 2001, já rodou, desde novembro do ano passado, cerca de 40 mil quilômetros utilizando uma proporção de 20% do biodiesel (feito a partir do óleo de soja), mais 80% do diesel. Este combustível permite que o carro rode até 12 km por litro na cidade e de 14 a 16 km na estrada.

`Estes carros, produzidos no Paraná, são destinados apenas à exportação para os Estados Unidos e México`, explicou o professor José Carlos Laurindo, da Universidade Federal do Paraná (UFPR), que participa do projeto. Além desse tipo de combustível, a Ecomat produz também o Aditivo co-solvente AEP 102, que é utilizado para permitir a mistura álcool-diesel.

A proporção na mistura é de até 8% de álcool, 2,6% do AEP 102 e 89,4 de óleo diesel. Este combustível começou a ser usado há quatro anos em Curitiba e, atualmente, 20 ônibus da frota urbana estão utilizando-o. Cerca de 1,8 milhão de quilômetros já foram rodados pelos veículos.

A mistura está limitada a 8% de álcool, porque ao se aumentar este volume, as emissões de poluentes não são reduzidas ao mesmo tempo em que a potência do motor começa a diminuir.

De acordo com o professor Laurindo, da UFPR, a primeira vantagem na utilização do biocombustível é a diminuição da dependência na importação do óleo diesel, já que a capacidade de refino do país é menor do que a demanda. Outra vantagem é a redução de emissões poluentes em 30%, principalmente da fumaça negra.

`O biocombustível é um combustível oxigenado e na combustão faz com que as emissões sejam menores`, explicou o professor. Por uma questão de escala a atual planta da Ecomat não produz o suficiente (a proporção utilizada do biodiesel é de 20% mais 80% de óleo diesel).
Isso porque a se gasta por ano no país 40 bilhões de litros de diesel por ano.

Mas um carro poderia usar até 100% do biodiesel, de acordo com o professor Laurindo. Outro fator limitante é que no país ainda não existe autorização para que carros de passeios que utilizem o biocombustível sejam produzidos.

`Faltam plantas de refino do diesel, além disso, existe a questão do equilíbrio na utilização dos outros combustíveis como gasolina e álcool`, disse Laurindo.

De acordo com o presidente da Ecomat, João Nicolau Petroni, existe um projeto para aumentar a planta da fábrica permitindo a criação de mais seis produtos.

A empresa, pertencente ao Sindicato das Indústrias do Setor Sucroalcooleiro de Mato Grosso, produz atualmente 1,2 milhão de litros por mês do combustível ecológico AEP-102. O AEP é um solubilizante vegetal biodegradável feito a partir da soja e da cana-de-açúcar.

`A indústria foi montada pensando na atmosfera, já que os combustíveis tradicionais prejudicam 90% da camada de ozônio`, disse Petroni que anuncia o interesse pelo combustível por parte de outros países.

`Já temos propostas para montar fábricas na China, Japão e Alemanha, que também querem usar o produto`, disse Petroni, que espera, ainda, que não demore uma definição do governo brasileiro em conceder a licença para a utilização no Brasil. Caso contrário, ele não descarta vender a patente para o exterior.

O projeto começou a tomar corpo no final de 1997. Tomando como base estudos e experiências nacionais e internacionais, o setor sucroalcooleiro enviou proposta à Comissão de Minas e Energia da Câmara Federal sugerindo o desenvolvimento de um programa que avaliasse a possibilidade de utilizar misturas de álcool ao óleo diesel.

A proposta foi aceita e levada ao Conselho Interministerial do Açúcar e do Álcool [Cima] que incumbiu o Ministério da Ciência e Tecnologia [MTC] de coordenar os trabalhos.Um grupo de trabalho começou, então, a desenvolver o Programa Álcool e Diesel, resultando na produção do AEP 102.

Com investimento inicial da Associação dos Produtores de Álcool e Açúcar do Paraná e da Coligação das Entidades de Produtores de Álcool e Açúcar, completou-se o ciclo de avaliação técnica do combustível. Foi aí que os empresários da agroindústria de Mato Grosso decidiram criar a empresa Ecomat Indústria e Comércio, com o principal objetivo de suprir a potencial demanda do AEP 102 e permitindo a distribuição do combustível em todo o país. Além de contribuir com a redução da poluição ambiental, o projeto promove também o reaquecimento do setor com a criação de mais empregos.

Fonte: Estação Vida

  
  

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