Melhoramento genético amplia oferta de alimentos enriquecidos

As pesquisas com oleaginosas e tubérculos desenvolvidas por pesquisadores brasileiros podem ajudar o programa Fome zero a erradicar a fome no país. Além de aumentar o conteúdo nutricional da população, o cultivo e o consumo de alimentos como amendoim, ger

  
  

As pesquisas com oleaginosas e tubérculos desenvolvidas por pesquisadores brasileiros podem ajudar o programa Fome zero a erradicar a fome no país. Além de aumentar o conteúdo nutricional da população, o cultivo e o consumo de alimentos como amendoim, gergelim e mandioca enriquecida, fortalece a agricultura familiar, uma das ações prioritárias do programa.

Ricos em proteínas, as sementes de amendoim e de gergelim produzidas pela Embrapa Algodão, em Campina Grande (PB) estão ganhando espaço na lavoura e nas escolas nordestinas, onde são utilizadas na composição do cardápio da merenda escolar.

Os pesquisadores da Embrapa também introduziram com sucesso 20% de farinha de gergelim em produtos panificáveis, como pães e biscoitos, reduzindo o teor de gordura vegetal e aumentando o valor nutritivo dos produtos.

Segundo os pesquisadores Paulo de Tarso Firmino e Marenilson Batista, as oleaginosas podem amenizar a carência de proteínas em regiões onde o consumo de proteína animal é reduzido ou mesmo impossível, devido ao seu alto preço.

“O amendoim contém cerca de 50% de proteína em suas sementes”, explica Batista, ressaltando que o produto faz parte da dieta alimentar de vários países.

No caso do gergelim, o índice de proteína é de 18,6% para cada 100 gramas do grão. O alimento também contém vitaminas A, B e C e apresenta bom teor de cálcio, fósforo e ferro, e seu óleo é rico em ácidos graxos e proteínas digestivas.

“O gergelim é um alimento de excelente qualidade”, garante Firmino.

Em Brasília, o professor da Universidade de Brasília (UnB) Nagib Nassar, já conseguiu aumentar o teor nutricional da mandioca de 1,5% para 4% cruzando espécies silvestres - que podem conter até 8% de proteína - com a mandioca comum - cujo teor máximo é de 1.5%.

O próximo passo é alcançar um produto com pelo menos 5% de proteínas e maior resistência a doenças, bactérias e vírus.Para tornar a mandioca mais produtiva e nutritiva, Nagib Nassar coletou mais de 40 espécies selvagens e desenvolveu 14 tipos de sementes híbridas.

Sua técnica de cruzamento genético natural entre espécies já lhe renderam cinco indicações ao Prêmio Mundial para a Alimentação (World Food Prize), considerado pela comunidade científica como o Nobel da Alimentação.

A técnica, conhecida como poliploidia, consiste em duplicar os cromossomos da planta original de forma a aumentar o conteúdo de proteína do vegetal. Nagib faz questão de ressaltar que a mandioca enriquecida não é um produto transgênico, proibido pela legislação brasileira, e sim um híbrido com alto conteúdo protéico produzido com técnicas tradicionais.

“Minha técnica não é a mesma utilizada em produtos geneticamente modificados”, garante o professor e agrônomo com PhD em genética e morfologia vegetal.

Segundo o professor, a farinha de mandioca enriquecida pode auxiliar a farinha de trigo na composição de vários produtos e ser usada em grande escala na luta contra a fome no Brasil.

“Ela pode, por exemplo, ser misturada à farinha de trigo na proporção de 70% de trigo e 30% de mandioca”, sugere Nagib Nassar.

A quantidade de proteína do trigo é de 7%. O cultivo da mandioca é uma prática antiga. No Brasil, o tubérculo é cultivado desde antes do descobrimento e até hoje é a principal fonte de alimentação dos indígenas. Resistente e capaz de germinar em qualquer tipo de terreno, ela está presente, em sua forma comum, em todas as lavouras da agricultura familiar.

“Se uma área não serve para plantar nada, serve para o cultivo da mandioca”, afirma Nagib.

Mandioca, aipim ou macaxeira. Qualquer que seja o nome, este tubérculo faz parte da dieta alimentar do brasileiro, mas ele pode ficar muito melhor se for nutricionalmente enriquecido com técnicas de melhoramento genético.

Nagib garante que a pesquisa para chegar ao teor de 5% e superar problemas de doenças e bactérias se encontra em fase avançada. “Será uma revolução na produção da mandioca”, garante o pesquisador.

Fonte: Agência Brasil

  
  

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Sabrina

Sabrina

07/07/2011 18:33:48
Legal...só acho que vocês deveriam falar mais sobre isso!

Decio Pilli

Decio Pilli

18/08/2009 13:50:28
continuando, o que pode-se fazer tambem e substituir o fuba de milho pela farinha de mandioca na produção do colorifico ou colorau, visto que o fuba e problematico em relação sua analise que vem no proprio rotulo.
E dessa forma alanvancar muito o consumo de farinha de mandioca.
gratos
Decio

Decio Pilli

Decio Pilli

16/08/2009 11:46:40
Um bom inicio seria a produção de um premix feito com farinha de mandioca, destinado as industrias de massas alimenticias, um corante especial de curcuma e urucum.
Devido a grande demanda de massas, o consumo da farinha de mandioca seria bem intensificado.
gratos
Decio