Mercado Consolidado

Por Thiago Romero Agência FAPESP - Pelo quinto ano consecutivo, o Brasil permaneceu na liderança do ranking mundial de reciclagem de latas de alumínio. Em 2005, foram reaproveitadas 96,2% das latas usadas, com um aumento de 0,5 ponto percentual em re

  
  

Por Thiago Romero

Agência FAPESP - Pelo quinto ano consecutivo, o Brasil permaneceu na liderança do ranking mundial de reciclagem de latas de alumínio. Em 2005, foram reaproveitadas 96,2% das latas usadas, com um aumento de 0,5 ponto percentual em relação ao ano anterior. O país atingiu a marca de 127,6 mil toneladas de latas recicladas por ano.

Os dados estão no ranking mundial de reciclagem de latas de alumínio divulgado pela Associação Brasileira de Alumínio (Abal) e pela Associação Brasileira dos Fabricantes de Latas de Alta Reciclabilidade (Abralatas).

O ranking reforça a crescente preocupação com a reciclagem em vários países. O Japão, por exemplo, aumentou o índice de reciclagem de 86,1%, em 2004, para 91,7%, em 2005. O país reaproveita cerca de 110 mil toneladas de latas por ano e está atrás apenas do Brasil, onde o processo tem forte motivação econômica devido ao preço de revenda do produto.

"Embora ainda não tenhamos leis que obriguem a reciclagem, o Brasil há 15 anos tem um mercado totalmente consolidado. São mais de 7 mil postos de compra de sucata em todo o país, que movimentaram em 2005 mais de R$ 400 milhões apenas na fase de coleta, a primeira etapa da cadeia produtiva", disse José Roberto Giosa, coordenador da Comissão de Reciclagem da Associação Brasileira de Alumínio, à Agência FAPESP. De acordo com ele, atualmente mais de 160 mil pessoas vivem exclusivamente da coleta de latas de alumínio no Brasil.

Além do mercado consolidado, outros fatores também contribuem para que o Brasil registre o maior índice mundial de reciclagem desde 2001, entre eles a maior profissionalização das cooperativas de catadores, a continuidade dos programas de educação ambiental mantidos pela indústria e, principalmente, a crescente adesão da classe média em todo o país. Levantamento realizado pelo setor mostra que, entre 2000 e 2005, a participação de condomínios e clubes na coleta de latas usadas passou de 10% para 24%.

"Finalmente, a reciclagem deixou de ser moda para virar um modo de vida civilizado. Como a classe média aderiu a esse mercado, temos o que chamamos de efeito demonstração, ou seja, outros segmentos sociais são atraídos para esse mercado, garantindo um maior volume de latas para as cooperativas de catadores", explica Giosa.

Nos últimos anos, o índice de reciclagem no Japão cresceu, em média, apenas 1 ponto percentual. O que explica o aumento de 5,6 pontos no ano passado é o alto investimento feito pelo governo japonês, sobretudo na região de Tóquio, com a instalação de máquinas automáticas de reciclagem em estações de metrô e rodoviárias. Basta o cidadão inserir as latas para retirar um vale-compra.

"Foram mais de US$ 50 milhões investidos nesse tipo de máquina em 2005. Além disso, o poder público está preparando um pacote de leis para tornar a reciclagem de latas obrigatória no Japão, a exemplo do que já ocorre em alguns países europeus e em 11 estados norte-americanos", disse.

Os números divulgados pela Abal e pela Abralatas mostram ainda o crescimento do desempenho nos Estados Unidos (de 51% para 52%) e Europa (de 48% para 52%). A valorização do alumínio no mercado internacional foi o principal fator desse crescimento: a elevação dos preços da matéria-prima aumentou a procura por sucata de latas, principalmente pelas indústrias automotiva e siderúrgica.

"É preciso ressaltar que o mercado norte-americano, por exemplo, é dez vezes maior do que o brasileiro. Os Estados Unidos produzem cerca de 100 bilhões de latas de alumínio para consumo e reciclam 52% desse volume. O Brasil fabrica bem menos, 10 bilhões de latas, mas recicla 96,2%", aponta Giosa.

  
  

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