Mico-leão-dourado se recupera em lista de espécies ameaçadas

A conservação do mico-leão-dourado (Leontopithecus rosalia) recebeu um importante reconhecimento depois que a IUCN - União Internacional para a Conservação da Natureza divulgou a atualização de sua Lista Vermelha de Espécies Ameaçadas de Extinção. Na

  
  

A conservação do mico-leão-dourado (Leontopithecus rosalia) recebeu um importante reconhecimento depois que a IUCN - União Internacional para a Conservação da Natureza divulgou a atualização de sua Lista Vermelha de Espécies Ameaçadas de Extinção.

Na nova lista, que inclui espécies ameaçadas de todo o mundo, o mico passou de Criticamente Ameaçado de Extinção (no levantamento de 2000) para Ameaçado de Extinção.

O mico-leão-dourado, que só vive na Mata Atlântica de baixada costeira na bacia do rio São João e Região dos Lagos no Rio de Janeiro, foi a única espécie de primata que conseguiu passar para uma categoria de menor ameaça na nova Lista Vermelha.

Quando o WWF, o Smithsonian Institution e outros parceiros começaram a trabalhar com a proteção desta espécie ameaçada, em 1971, restavam apenas cerca de 200 indivíduos da espécie vivendo na natureza.

Em 30 anos de cooperação internacional e um árduo trabalho de campo, a população de micos-leões atingiu uma importante conquista em março de 2001, quando o milésimo mico nasceu na natureza.

O Programa de Conservação do Mico-Leão-Dourado é o primeiro e mais antigo projeto apoiado pelo WWF no Brasil, sendo executado pela AMLD - Associação Mico-Leão-Dourado, criada para coordenar todos os trabalhos de conservação da espécie.

Desde então, com o uso de técnicas como a reintrodução na natureza de animais nascidos em cativeiro, a translocação de animais vivendo em áreas isoladas, a educação ambiental e a proteção e restauração de habitat para a espécie, o programa tornou-se um exemplo único de parceria internacional envolvendo 40 organizações e 148 zoológicos.

O resultado desse esforço pode ser medido pelo fato que cerca de um terço da população de micos-leões-dourados vivendo na natureza é resultado direto do programa de reintrodução, que tem repovoado florestas onde a espécie estava extinta, envolvendo mais de duas dezenas de propriedades particulares em Silva Jardim, Rio Bonito e Casimiro de Abreu, no Rio de Janeiro.

Apesar da nova classificação da IUCN, a espécie continua ameaçada, uma vez que estudos concluíram que são necessários pelo menos 2 mil micos vivendo na natureza para garantir a sobrevivência a longo prazo da espécie.

Contudo, para chegar à essa população, o habitat do mico precisa aumentar dos cerca de 17 mil hectares atuais para 25 mil hectares de Mata Atlântica contínua na região, até o ano 2025.

Com poucas chances do aumento rápido da população vivendo na natureza, devido à fragmentação do pouco que resta da Mata Atlântica na região, a AMLD junto com o WWF e outros parceiros precisam continuar lutando para recuperar e proteger o hábitat do mico.

Um importante passo para atingir o objetivo de salvar o mico do risco de extinção foi alcançado em junho de 2002, quando uma APA - Área de Proteção Ambiental de 145 mil hectares foi criada na Bacia do Rio São João, no Rio de Janeiro, incluindo as únicas áreas de Mata Atlântica onde vive o mico-leão-dourado.

Com a criação da área, foram estabelecidos critérios específicos para a ocupação e uso da terra, garantindo a integridade da biodiversidade local e a qualidade ambiental da bacia.

A Lista Vermelha da IUCN é a lista mais completa sobre a situação de espécies da flora e fauna de todo o mundo. A lista usa uma série de critérios científicos para avaliar o risco de extinção de milhares de espécies e subespécies.

Há nove categorias avaliando o nível de ameaça de extinção enfrentado pela espécie: extinto, extinto na natureza, criticamente ameaçado, ameaçado, vulnerável, quase ameaçado, mínimo de preocupação, dados insuficientes ou não avaliado. Uma espécie é considerada ameaçada de extinção se ficar nas categorias Perigosamente Ameaçado, Ameaçado ou Vulnerável.

Fonte: AssCom.WWF-Brasil

  
  

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