Ministro da Ciência e Tecnologia diz que política nuclear tens fins pacíficos

O ministro da Ciência e Tecnologia, Roberto Amaral, ressaltou , durante o seminário `Tecnologia Nuclear - Soberania e Desenvolvimento`, na Câmara dos Deputados, que o Brasil tem autoridade moral e ética para cobrar dos países que dominam a tecnologia nucl

  
  

O ministro da Ciência e Tecnologia, Roberto Amaral, ressaltou , durante o seminário `Tecnologia Nuclear - Soberania e Desenvolvimento`, na Câmara dos Deputados, que o Brasil tem autoridade moral e ética para cobrar dos países que dominam a tecnologia nuclear a extinção de seus arsenais.

Para o ministro, o País tem condições de defender a paz por desenvolver uma política nuclear não relacionada com projetos militares. “O Programa Nuclear Brasileiro não é bomba atômica”, enfatizou. Ele explicou que o programa inclui a geração de energia elétrica, o desenvolvimento da medicina e o aumento da produtividade agrícola.

Desenvolvimento Científico e Tecnológico

O ministro afirmou que o País já alcançou alto nível de desenvolvimento científico na área, mas o programa precisa ser ampliado para alcançar “correspondente desenvolvimento tecnológico”.

Amaral lembrou que o Governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva é da inclusão social, e que isso não ocorrerá sem investimento maciço em educação, ciência e tecnologia.

O seminário, que ocorreu no Auditório Nereu Ramos, discutiu os aspectos políticos e sociais do Programa Nuclear Brasileiro. O objetivo do evento, organizado pelas comissões de Relações Exteriores e de Defesa Nacional; de Minas e Energia; e de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática da Câmara, é despertar a atenção das autoridades e da sociedade para o prosseguimento do Programa Nuclear Brasileiro.

O Seminário foi aberto pela deputada Zulaiê Cobra (PSBD-SP), presidente da Comissão de Relações Exteriores e de Defesa Nacional. `Nossa intenção com este encontro é ratificar o papel importante do Legislativo em pensar, refletir e interferir junto ao Governo Federal no sentido de estimular o desenvolvimento da tecnologia nuclear em nosso país`, disse a deputada.

Convidados defendem Programa de Energia Nuclear

O representante da Eletrobrás, Luiz Soares, defendeu durante o seminário a continuidade do Programa de Energia Nuclear. Ele lembrou que o Brasil tem a matéria-prima urânio – é o sexto produtor mundial -, tecnologia e pessoal especializado. Soares falou também sobre a necessidade de aprofundar e ampliar o debate em torno do setor nuclear.

`No atual cenário competitivo internacional, um fator preponderante para os países é conseguir desenvolver atividades onde o conhecimento seja a base da soberania e da evolução tecnológica. Na área nuclear vive-se sob um manto de invisibilidade onde o muito que foi feito se perde em críticas, que são importantes, mas tocam apenas a superfície da questão`, disse Luiz Soares.

O diretor lembrou ainda que o Brasil possui todas as condições materiais, tecnológicas e humanas para atender às expectativas de crescimento e justiça social existentes.O comandante da Marinha, almirante-de-esquadra Roberto de Guimarães Carvalho, ressaltou que precisa haver uma decisão de Governo sobre o assunto.

Para o comandante, o programa, em desenvolvimento há 23 anos pela Marinha, precisa receber recurso orçamentário de outras áreas, sob o risco de ficar estagnado pelas restrições orçamentárias.

O deputado Luiz Sérgio (PT-RJ), representante da Comissão de Minas e Energia no evento, enfatizou que não se pode acusar a política de energia nuclear de falta de transparência, uma vez que ela atravessou e sobreviveu a três CPIs no Congresso.

Luiz Sérgio explica que o objetivo do programa não é só focar a questão nuclear apenas na geração de energia, mas em suas várias aplicações, como na medicina, produção de alimentos e utilização na indústria.

“Nenhum custo é mais alto do que a indefinição”. Para o deputado, tendo o Brasil uma das maiores reservas de urânio do mundo, precisa debater o que fazer com ela. Ele espera que o seminário sirva para subsidiar as decisões do Governo.

Angra III

O deputado Jamil Murad (PCdoB-SP), que representa a Comissão de Ciência e Tecnologia no seminário, defendeu a continuidade da construção da usina Angra III, no estado do Rio de Janeiro. Para o deputado, o Brasil não pode “abrir mão” da energia nuclear desenvolvida no país por causa de impedimentos.

O presidente da CNEN - Comissão Nacional de Energia Nuclear, Odair Dias Gonçalves, sugeriu que o Governo faça uma campanha de esclarecimento à população sobre os verdadeiros objetivos do Programa Nuclear Brasileiro, para que se acabe com os mitos de que o programa nuclear está relacionado com bombas e guerra.

“O Brasil está fora de pesquisas nessa área e desenvolve seu programa para aplicação em várias setores, não só na energia elétrica.”

Dessalinização

A `dessalinização nuclear` - transformação da água do mar em potável através de reatores nucleares - foi defendida no seminário.

O capitão de reserva da Marinha Adolfo Braid afirmou que esse seria um dos meios mais viáveis e econômicos de resolver a escassez de água no Brasil, que tem a sexta maior reserva de urânio do Planeta. O processo já é adotado em países como Canadá, Rússia, Paquistão e Argentina.

“Temos combustível para 1 mil reatores/ano, o que significa aproximadamente 20 reatores trabalhando durante 50 anos sem parar”, afirmou Braid.

“Isso daria ao país controle total sobre o preço do combustível nuclear, o que não acontece em relação ao combustível fóssil, já que o Brasil ainda importa petróleo`.

O diretor de Pesquisa e Desenvolvimento do Comissão Nacional de Energia Nuclear, Alfredo Tranjan, defendeu maiores investimentos no setor nuclear para que o Brasil deixe de importar e passe a exportar energia. Entre os benefícios da utilização de usinas nucleares, ele citou a menor poluição atmosférica.

`Se trocássemos todas as usinas a carvão existentes hoje no mundo por usinas nucleares, deixaríamos de colocar no ambiente cerca de 5 bilhões de toneladas de dióxido de carbono, o responsável final pelo efeito estufa. Só com isso cumpriríamos todos os requisitos da agenda de Kyoto`, informou.Tranjan garantiu ainda a segurança do sistema nuclear.

Segundo ele, o trânsito de Brasília (DF) mata mais gente por dia do que o setor nuclear matou em toda a sua história.A presidente da Comissão de Relações Exteriores, deputada Zulaiê Cobra (PSDB-SP), defendeu a aprovação de emendas ao Orçamento para aumentar as verbas destinadas ao setor de energia nuclear.

Fonte: Agência Câmara

  
  

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