Mossoró é transformada na capital cultural do Rio Grande do Norte

Mossoró, no Rio Grande do Norte, realiza mais uma edição da grande festa popular que acontece de 26 a 30 de setembro. Para lembrar os fatos históricos que fizeram da cidade um território atípico na história da liberdade (o Motim das Mulheres, o 1º Voto Fe

  
  

Mossoró, no Rio Grande do Norte, realiza mais uma edição da grande festa popular que acontece de 26 a 30 de setembro. Para lembrar os fatos históricos que fizeram da cidade um território atípico na história da liberdade (o Motim das Mulheres, o 1º Voto Feminino da América Latina, a Resistência ao Bando de Lampião e a Libertação dos Escravos, cinco anos antes da Lei Áurea), a comemoração inclui o desfile O Grande Cortejo da Cultura Popular pelas ruas e o espetáculo Auto da Liberdade, realizado ao ar livre, com 86 artistas da região, dirigidos pelo diretor mineiro Gabriel Villela.

Com cerca de 250 mil habitantes e localização privilegiada - distante 277 km de Natal e 260 de Fortaleza, com ligações rodoviárias e aéreas -, a cidade é transformada na capital cultural do Rio Grande do Norte.

A proposta da Prefeitura, que promove os eventos, é resgatar a história do município, que aposta no charme de, além de ter petróleo no solo, valorizar a cultura e incentivar a auto-estima de seu povo, preservar o meio ambiente, promovendo grandes festas populares para celebrar a liberdade.

Os quatro temas históricos:

Com temperatura média de 29 graus, clima semi-árido, a cidade ímpar do Nordeste traz em sua história a marca do pioneirismo e da luta pela liberdade. Antecipou-se à libertação da escravatura, libertando seus escravos cinco anos antes da Lei Áurea. Foi berço da primeira eleitora da América Latina, a professora Celina Guimarães Viana, em 1928.

Apoiada em um passado recheado de histórias de resistência, também foi a única cidade do Nordeste a resistir ao bando de Lampião e hoje abriga o túmulo do famigerado cangaceiro Jararaca, braço direito de Lampião, ferido em combate no ataque mal-sucedido de Lampião a Mossoró, em 1927. Depois de enterrado vivo, diz a lenda que foi coroado santo pelo povo. Hoje seu túmulo é o mais visitado da cidade.

Mossoró foi, ainda, palco do Motim das Mulheres, em setembro de 1875. Como forma de revolta contra o alistamento militar, na Guerra do Paraguai, as mulheres da região promoveram um panelaço na cidade. Tomaram o escrivão de paz e rasgaram em praça pública o livro e os papéis com a relação dos mossoroenses sorteados para engrossar as fileiras da armada.

O espetáculo :

Sede do primeiro sindicato trabalhista do Brasil, Mossoró investe em cultura e preservação ambiental, de dois em dois anos, convida um grande diretor brasileiro para assinar a direção de seu mais tradicional espetáculo, o AUTO DA LIBERDADE. Este ano é o diretor mineiro Gabriel Villela quem fará a sua leitura do evento.

Para tanto, está instalado há dois meses na cidade, onde montou oficinas de criação (interpretação, figurino e cenografia), absorvendo artistas da cidade (86 pessoas – 61 atores e 25 bailarinos), num trabalho social junto às comunidades locais.

Maior evento artístico-cultural da cidade de Mossoró, o Auto retrata o heroísmo e a cidadania do povo mossoroense, por meio dos quatro eventos históricos citados acima. Nascido do cortejo, que acontece na cidade há 50 anos, o Auto – realizado há 5 anos – retrata o espírito feminino organizado.

Amir Haddad e Fernando Bicudo já dirigiram o espetáculo, tendo sido o primeiro quem encomendou o texto do Auto ao poeta Crispiniano Neto.

Investimento em cultura e auto-estima :

`A idéia de trazer diretores de fora é para capacitar sempre mais os nossos artistas, diz a prefeita, que fala com orgulho da festa, marcada pelo cortejo/desfile, num percurso de 2 km, com mais de 8 mil pessoas nas ruas. `Faz parte da política cultural do município contar a história por meio da visão de vários diretores. Acreditamos que a cultura é o caminho para a conscientização`.

De acordo com a prefeita Rosalba Ciarlini, o povo foi quem legitimou a festa, comemorada há 119 anos. Mossoró ferve no mês de setembro – `a cidade se movimenta nos 30 dias, a maçonaria celebra sua sessão magnânima, são lançados livros de autores da região e reeditadas obras raras.

A Universidade Estadual também faz aniversário em setembro. Uma semana de seminários sobre as novas liberdades também acontece em setembro e até o Governo do Estado se instala aqui`.

Renda per capita de US$ 2.600,00, PIB de US$556.090.773,15, densidade demográfica de 118.59 hab/km2, área total de 2.108 km2 e considerada uma das 100 melhores cidades para se viver no Brasil, segundo o IDH – Índice de Desenvolvimento Humano.Mossoró investe em cultura, na preservação de raízes e na auto-estima do povo. As autoridades locais entendem a cultura como agente transformador social.

Proximidade com o litoral :

Porta de entrada para as praias de Tibau (42 km), Ponta do Mel (53 km), Areia Branca (45 km) e Upanema (48 km), na região da Costa Branca (denominação alusiva às salinas que circundam a região), Mossoró tem sua economia baseada no tripé sal (maior produtor do País, com 95% da produção nacional), petróleo (segundo maior produtor em volume do País e primeiro em produção terrestre – 110 mil barris/ dia) e fruticultura tropical irrigada (produz 14 toneladas de frutas – melão, mamão, banana e melancia.

Mossoró é uma cidade conhecida por abrigar mulheres fortes, com vocação para o poder. A prefeita está no seu terceiro mandato, o segundo consecutivo e tem mais de 92% de aceitação popular.

Além dela, são sete as mulheres a ocupar as secretarias do município. O Rio Grande do Norte é governado por uma mulher. A próxima eleição à Prefeitura deverá ser disputada por mulheres.Dos deputados federais do Rio Grande do Norte, dois são mulheres.

Detalhes da Montagem :

A encenação do Auto da Liberdade será ao ar livre, em uma arena de 23 metros, com piso revestido por areia, ao estilo do teatro grego. Parte da encenação acontece na entrada da Estação das Artes Elizeu Ventania (antiga estação ferroviária), que foi maquiada para se tornar um proscênio (a entrada do palco) grego.

Para lembrar os cinco episódios da história da humanidade em que a liberdade foi o elemento diferencial, Gabriel está apostando na cultura popular com linguagens cênicas, que domina.

Escudado por três assistentes (Kaju Ribeiro, Fábio Elias e Ricardo Rizzo), o diretor montou na cidade oficinas de criação, que funcionam como um centro de capacitação profissional, e aconteceram em um galpão, sob a supervisão dos assistentes de figurino, cenografia e adereços, Márcio Vinicius e Mônica Pompeo - que dão apoio a Gabriel na criação das peças.

Dessas oficinas, eles selecionaram artistas da comunidade para trabalhar no Auto - 11 pessoas na parte de adereços, 8 na de figurinos e 7 no cenário.

`O mais importante é liberar a criatividade do artista. A transgressão é fundamental para se fazer arte popular`, fala Gabriel.

`O espetáculo concebido por mim para o ano de 2003 surgirá a partir do texto do poeta Crispiniano Neto (Auto da Liberdade) e traçará uma reciprocidade histórica entre os feitos de Mossoró e os seguintes instantes: a liberdade filha do classicismo grego (Prometeu Acorrentado), a liberdade atravessando com os Hebreus o Mar Vermelho, a liberdade guiando o povo na Revolução Francesa, a Inconfidência Mineira e a estátua da Liberdade`, explica Gabriel Villela.

Elenco e cenário :

Depois de audição com mais de 400 candidatos, foi selecionado um elenco de 80 atores – são jovens e adolescentes que estão sendo treinados pela equipe de Gabriel. A personagem principal será interpretada pela atriz mossoroense Tony Silva, que será a contadora de história. Um anfiteatro grego vai abrigar parte da encenação. Por isso, a Estação das Artes Elizeu Ventania será maquiada para se tornar um proscênio grego.

Projetado para ser encaixado na fachada da Estação das Artes, o cenário é formado por colunas estilizadas, de quatro metros de altura, construídas em revestimento de fibra e emolduradas por tecidos, para serem iluminadas. Os figurinos e adereços somam mais de 300 peças. 70 toalhas de mesa foram cortadas para se transformar nas saias do coro grego, cujo figurino é composto,ainda, por blusas de renda de bilro e gravatas. A trilha sonora, com base em ritmos nordestinos e afros, será composta e adaptada, mesclando música original e hinos, com inserções de Bella Ciao (representando a Itália), Marselhesa (representando a resistência francesa), Beethoven e Caetano Veloso.

Fonte: Arteplural Comunicação – São Paulo

  
  

Publicado por em

Shirley Dayane

Shirley Dayane

13/12/2011 19:24:03
Esses eventos são ótimos, pois além de quem mora na cidade conhecer mais e mais da nossas história, os visitantes também tem essa oportunidade!

Joao Fernandes

Joao Fernandes

20/11/2008 22:36:26
Eu ? o que acho? eu acho Mossoró MARA ! Pois moro nela ;D e não tenho do que reclamar .