Muita emoção foi manifestada na despedida da irmã Dorothy, assassinada no Pará

Uma missa de corpo presente foi realizada no Centro de Treinamento dos Trabalhadores Rurais de Anapu, onde a missionária americana Dorothy Stang, 74 anos, foi sepultada. Irmã Dorothy, como era conhecida, foi assassinada por pistoleiros no sábado (12/02) n

  
  

Uma missa de corpo presente foi realizada no Centro de Treinamento dos Trabalhadores Rurais de Anapu, onde a missionária americana Dorothy Stang, 74 anos, foi sepultada. Irmã Dorothy, como era conhecida, foi assassinada por pistoleiros no sábado (12/02) no Travessão do Santana, em Anapu, na região da Transamazônica, no Pará.

O caso será o primeiro crime de violação dos direitos humanos a ser transferido para a Justiça Federal. A decisão foi anunciada ontem pelo Procurador Geral da República, Cláudio Fontelles. Isso significa que a responsabilidade pela investigação será transferida para a Polícia Federal e a competência para o julgamento será de juízes federais.

No entanto, o Procurador Federal da República, Felício Pontes, denunciou a falta de estrutura da Polícia Federal para realizar o trabalho de investigação com eficiência.

“Os agentes da Polícia Federal estão hospedados em um barracão emprestado do sindicato, usando computadores que também são emprestados.Eles precisam de um helicóptero aqui, já que não conseguem chegar de carro ao local do crime”, disse Pontes.

“A melhor estrutura disponível neste momento para o trabalho de investigação é da polícia estadual”.

Antes do cortejo em direção ao Centro de Treinamento, pessoas ligadas à Irmã Dorothy prestaram suas últimas homenagens na igreja da cidade. Um dos depoimentos mais emocionados foi de Maria Federicci, víuva do líder sindical Ademir Federicci,o Dema. Ela declarou que a luta continua e conclamou todos os presentes a continuar o trabalho de irmã Dorothy.

Irmã Dorothy acreditava num futuro pacífico e sustentável. Defendia como poucos o patrimônio nacional dos ataques de grileiros e era incansável defensora de uma forte presença do Estado na Amazônia. Há mais de 30 anos vivia na região da Transamazônica e dedicou quase metade de sua vida para dar voz às comunidades rurais, defendendo o direito à terra e lutando por um modelo de desenvolvimento sem destruição da floresta.

Trabalhava intensamente na tentativa de minimizar os conflitos fundiários, principalmente a grilagem de terras e a extração ilegal de madeira. Por causa disso, chegou a ser acusada, em 2001, de instigar a violência no município e recebeu inúmeras ameaças de morte nos últimos anos por causa de sua luta pela preservação da Amazônia. Também fez diversas denúncias sobre a participação de policiais civis e militares na expulsão de trabalhadores a mando de fazendeiros e grileiros da região.

Durante a missa, o Procurador Felício Pontes declarou: “Os madeireiros e grileiros que operam ilegalmente em Amazônia vão ter que matar cada um de nós. Nós não vamos desistir; vamos continuar lutando. Vamos expulsar cada madeireiro e grileiro de terra que continuar desafiando o Estado de Direito na Amazônia”.

`É indiscutível que o crime contra irmã Dorothy deve ser investigado e punido exemplarmente. Porém, é fundamental resolver as causas da violência em regiões remotas da Amazônia e frequente no estado do Pará.

O governo precisa adotar medidas efetivas para resolução de conflitos fundiários decorrentes da invasão e grilagem de terras e florestas públicas e a consequente
exploração predatória dos recursos naturais`, afirmou Paulo Adário, coordenador da Campanha Amazônia do Greenpeace.

Entre as propostas já encaminhadas pelo Greenpeace ao governo, destacam-se a realização urgente do zoneamento
econômico ecológico na Amazônia com amplo processo de consulta às comunidades, para garantir a posse da terra e uso sustentável dos recursos naturais às populações tradicionais e assentados rurais da região e a criação de unidades de conservação de proteção integral e uso sustentável. Além disso, faz-se necessária uma maior presença do Estado, com o fortalecimento de instituições como a Polícia Federal, o Ibama e o Incra.

Fonte: Greenpeace

  
  

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