Museu de Zoologia da Usp apresenta exposição inédita de Margaret Mee

Uma das mais extraordinárias ilustradoras botânicas do século XX, Margaret Mee tornou-se referência mundial, ao retratar a flora amazônica utilizando técnicas científicas dentro de um contexto artístico. A exposição `Do Esboço à Natureza` acontece de 10 d

  
  

Uma das mais extraordinárias ilustradoras botânicas do século XX, Margaret Mee tornou-se referência mundial, ao retratar a flora amazônica utilizando técnicas científicas dentro de um contexto artístico. A exposição `Do Esboço à Natureza` acontece de 10 de novembro de 2004 a 27 de fevereiro de 2005.

A coleção de aquarelas e esboços da artista inglesa Margaret Mee, pertencente ao Banco Bradesco, será apresentada pela primeira vez em São Paulo, no histórico prédio do Museu de Zoologia da USP, no bairro do Ipiranga. Ainda que não retrate animais, mas exclusivamente pinturas botânicas, a mostra, inédita para o público, se enquadra na proposta da Galeria de Exposições Temporárias do Museu.

`Essa exposição de ilustrações da Margaret Mee reúne características científicas e estéticas, atendendo à nossa intenção de ampliar o diálogo entre as diversas áreas do conhecimento que tenham sinergia com o Museu,` conta o diretor do Museu de Zoologia e curador da mostra, Carlos Roberto Ferreira Brandão.

O conjunto de 49 obras de Margaret Mee é apresentado numa ordem que aproxima esboços e trabalhos acabados sobre o mesmo tema. Detalhando as técnicas da ilustradora, os esboços incluem traços sobre papel, apenas sugerindo folhas e flores, trabalhos incompletos, mas já com formas bem definidas e detalhes aquarelados. A transformação do traço em partes da natureza, que parecem então vivas, são os trabalhos acabados, considerados prontos, pois trazem a assinatura de Mee.

`O recorte proposto pela curadoria permite acompanhar todo o processo de construção: do traço nervoso que mal indica as formas vegetais, ao resultado fiel à natureza que as obras pretendem descrever, pressupondo virtuosismo, rigor técnico e extremo controle dos meios, aliados à sensibilidade e poder de síntese`, explica Brandão.

Maior obra da exposição, com quase 1,5 metro de largura, a aquarela Cattleya guttata mostra orquídeas e bromélias, especial interesse de Mee. `Esta obra é uma oportunidade para identificar, em detalhes toda a riqueza e sofisticação dos trabalhos da Margaret Mee`, recomenda o museólogo Maurício Cândido da Silva, que também destaca as obras Clusia grandiflora e Laelia purpurata, onde se pode perceber aspectos relevantes do processo de construção utilizado pela artista.

Margaret Mee (1909-1988)

Referência mundial em pintura botânica, Margaret Mee nasceu em Chesham, na Inglaterra. Começou os estudos de arte em 1947 e radicou-se no Brasil em 1952, onde seu talento realmente floresceu. A natureza brasileira a cativou imediatamente.

O que deveria ter sido uma rápida passagem por São Paulo, acabou por transformar-se em permanência definitiva. Passou a conhecer a Mata Atlântica, imortalizando com sua arte as várias espécies da flora, com especial interesse pelas bromélias.

Em 1956 fez a primeira de suas quinze viagens à Amazônia, algo que marcaria profundamente sua vida. Despertada a paixão pela região, documentou, através de dezenas de desenhos, muitas espécies conhecidas, e algumas ainda desconhecidas que receberam o seu nome.

Em sua última viagem, em 1988, procurou particularmente uma espécie rara de cactos, o Selenicereus wittii, com flores brancas noturnas - a Flor da Lua. Aos seus olhos e sensibilidade de artista, a natureza revelava-se, como ela bem sintetizou: `Enquanto eu me postava ali, com a orla escura da floresta ao meu redor, sentia-me enfeitiçada. Então, a primeira pétala começou a se mexer, depois outra e mais outra, e a flor explodiu para a vida`.

Em paralelo, vitrine trata de ilustração na zoologia, antecipando próxima exposição .Ao lado das obras de Margaret Mee, estará uma vitrine de livros ilustrados da coleção de obras raras da biblioteca do Museu. Além de introduzir à próxima exposição temporária, prevista para março de 2005, exemplificará ao público como as técnicas, em especial desenho, gravura e aquarela, evoluíram como resposta à necessidade de ilustrar o mundo natural.

Museu de Zoologia da USP, uma referência mundial Considerada a maior instituição zoológica brasileira e detentora do mais bem organizado e completo acervo da fauna neotropical do planeta, o Museu de Zoologia da Universidade de São Paulo oferece aos visitantes - além das mostras que ocupam o espaço da Galeria de Exposições Temporárias - a exposição de longa duração, `Pesquisa em Zoologia: a biodiversidade sob o olhar do zoólogo`, relançada em 2002. Este conjunto exposto faz parte de magnífico acervo da instituição, cuja organização foi iniciada há 109 anos e retrata a evolução da pesquisa sobre a Biodiversidade.

Serviço:

Exposição Margaret Mee: Do Esboço à Natureza

Curadoria: Carlos Roberto Ferreira Brandão

Abertura para convidados: 09 de novembro às 19h

Para o público: de 10 de novembro de 2004 a 27 de fevereiro de 2005 de terça a domingo, das 10h às 17h Ingresso: R$ 2,00. Grátis para escolas públicas, visitantes menores de 6 anos e acima de 60; estudantes pagam meia-entrada.

Galeria de Exposições Temporárias
Museu de Zoologia da Universidade de São Paulo
Av. Nazaré, 481 -Ipiranga - São Paulo - tel (11) 6165 8100

Fonte: Clara Comunicação

  
  

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