No Carnaval ecologicamente correto de São Paulo

Pela primeira vez, haverá compensação para o gás carbônico emitido durante o evento, por meio do plantio de árvores em áreas de reflorestamento da Mata Atlântica. Além disso, foram destacadas eq

  
  

Pela primeira vez, haverá compensação para o gás carbônico emitido durante o evento, por meio do plantio de árvores em áreas de reflorestamento da Mata Atlântica. Além disso, foram destacadas equipes do Limpurb para fazer a coleta seletiva do lixo do desfile. ====

O grande campeão do Carnaval 2007 em São Paulo foi o meio ambiente. Pela primeira vez, haverá compensação para o gás carbônico emitido durante o evento, por meio do plantio de árvores em áreas de reflorestamento da Mata Atlântica. Além disso, a Prefeitura destacou equipes do Departamento de Limpeza Urbana (Limpurb) para fazer a coleta seletiva do lixo produzido durante o desfile das escolas de samba no Sambódromo do Anhembi. E o tema em defesa do meio ambiente também invadiu a passarela do samba, nos enredos das escolas.

Quatro das 14 escolas que compõem a elite do Carnaval paulistano, ou cerca de 30% do total, escolheram como tema a necessidade de consciência ambiental, de preservação de recursos naturais, de reciclagem de materiais, de renovação sem poluição, de busca de soluções para as novas gerações.

Significa que, muito antes de o relatório sobre a responsabilidade do homem nas alterações climáticas mundiais ser divulgado no início de fevereiro pelo IPCC (Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas), a vice-campeã Unidos de Vila Maria, Acadêmicos do Tucuruvi, Vai-Vai e Rosas de Ouro já haviam escolhido seu enredo para cantar questões tão importantes no Sambódromo.

Com o enredo "Renovar é preciso para que o viver seja preciso", a Acadêmicos do Tucuruvi cantou coisas como "Alternativas o homem buscou / Nos elementos, a renovação / Sem poluição / É natural, produto 100% nacional / Nosso país criando soluções / Pra novas gerações". Já a Unidos de Vila Maria levou à passarela aquela que já foi o maior símbolo dos problemas do progresso e da poluição – a cidade de Cubatão. Com o enredo "Canta, Encanta Com Minha História... Cubatão Rainha Das Serras", a escola mostra como a cidade deu a volta por cima e toca em pontos como "E a mão que deixou as cores sem vida / Na tela fria de um céu cinzento / Hoje mostra a arte colorida da esperança / Emoldurada pelo azul de um novo tempo. / És para o mundo um espelho, sua fauna, sua flora / E a exuberância do guará vermelho".

Com o enredo "O 4º Reino, O Reino Do Absurdo", a Vai-Vai mandou a galera "se ligar" e fez um alerta: "A água pra vegetação (pra vida) é fundamental / o vegetal, pro animal é alimento, é proteção / e o homem em sua evolução / criou o reino da contradição". Com carros que utilizam material reciclado, como 100 mil garrafas de plástico PET, pediu ao povo conscientização: "É preciso preservar, o negócio é reciclar".

A Rosas de Ouro também não deixou por menos. Seu enredo fala sobre "Tellus Mater, o cio da Terra" e atenta para o fato de que o planeta é fonte de energia natural. "Porém como simples mortal / Lutarei contra o mal, chega de destruição / Preservar sua essência / Reciclar a consciência, contra a devastação / Brasil, das verdes matas e florestas / A esperança é o que nos resta / O pulmão do mundo é você / Ouça o clamor da Rosas de Ouro".

Além do samba-enredo

A preocupação com o meio ambiente no Carnaval não ficou apenas nas palavras. Seguindo o conceito de responsabilidade social e considerando a importância de minimizar os impactos do aquecimento global, a São Paulo Turismo (SPTuris), a Fundação SOS Mata Atlântica e a Key Associados se uniram para uma ação inédita. As emissões de gás carbônico geradas nos quatro dias de desfile das escolas de samba de São Paulo serão compensadas pelo plantio de mais de 1.500 mudas de árvores em áreas de reflorestamento de Mata Atlântica.

Ao inserir o evento carnavalesco no Sambódromo do Anhembi no método de compensação ambiental que a Prefeitura vai exigir em todos os demais eventos realizados nos parques da Cidade a partir de março, a administração municipal, por meio da SPTuris, pretende dar o exemplo para que outras iniciativas compensatórias sejam apresentadas espontaneamente pela iniciativa privada em São Paulo. A iniciativa também reforça a importância da discussão do tema em todas as esferas sociais, principalmente por se tratar da maior festa popular do País.

O diretor da Fundação SOS Mata Atlântica, Adauto Basílio, destacou o grande ganho que o projeto traz. "Com este tipo de ação podemos diminuir o impacto de gases como o dióxido de carbono (CO2), que são emitidos na natureza, gerando o efeito estufa e as mudanças climáticas, problemas atuais no planeta", observou.

A elevação do nível dos oceanos, os incêndios mais freqüentes em áreas florestais e as alterações nas correntes marítimas são alguns dos resultados já aparentes. Para conscientizar a população sobre a necessidade de tomar atitudes no sentido de diminuir o impacto das mudanças climáticas, a Fundação colocou faixas e banners no Sambódromo durante o Carnaval. Uma bandeira de 100 m2 da ONG também foi aberta na sexta-feira, dia 16, primeiro dia de desfiles das escolas do Grupo Especial. As árvores correspondentes serão plantadas na Grande São Paulo.

Os cálculos da neutralização de carbono no Carnaval foram feitos pela consultoria Key Associados. Dados sobre consumo de energia elétrica, gás, transporte e lixo produzido pelo evento foram levantados pelos especialistas para chegar ao cálculo aproximado de 700 toneladas de carbono.

No programa “Florestas do Futuro”, da Fundação SOS Mata Atlântica, as árvores relativas à neutralização são plantadas em áreas de reflorestamento com mudas nativas, privilegiando regiões de mata ciliar às margens dos rios. Todo o processo é de responsabilidade da ONG, que contata proprietários de terra, viveiros de mudas nativas, realiza e acompanha o plantio por cinco anos, com auditoria da Price Waterhouse.

Assim como várias empresas já aderiram à campanha pela neutralização de carbono, qualquer cidadão pode calcular quanto emite de CO2 na natureza e quantas árvores deve plantar. Basta entrar no site www.florestasdofuturo.org.br e clicar na “Calculadora de CO2”.

Além dos 580 banheiros fixos e 70 químicos, este ano o Sambódromo colocou em teste um novo conceito de sanitários ecologicamente corretos, que consiste em um sistema de tratamento de esgoto e reaproveitamento de água, visando à economia do recurso natural e à preservação ambiental.

Chamado de DBR Móbil, o novo sanitário possui um sistema de tratamento de esgoto acoplado aos boxes de banheiro, onde o esgoto gerado é tratado e a água das torneiras é reutilizada para a descarga.

Seis unidades do DBR Móbil, contendo seis cabines de banheiro cada uma, foram instaladas no camarote dos patrocinadores (setor I), no camarote do Bar Brahma e na área de dispersão do Sambódromo. No total, 36 boxes de banheiros ecologicamente corretos atenderam cerca de 3 mil pessoas por dia de evento.

O destino do lixo é outro assunto preocupante. Por isso, a Limpurb realizou, entre os dias 16 e 21 e também no dia 23 de fevereiro, a Coleta Seletiva durante os desfiles das escolas de samba no Sambódromo do Anhembi.

Participaram da coleta 34 pessoas, divididas em equipes de dois ou três trabalhadores, que recolheram os produtos recicláveis nas lanchonetes e arquibancadas de todos os setores do Sambódromo. Os resíduos recolhidos foram levados para uma das 15 Centrais de Triagem da Prefeitura, onde serão separados, prensados e encaminhados para comercialização. A estimativa é que tenham sido coletadas cerca de 15 toneladas de material nos seis dias do evento, gerando rendimento extra para os cooperados.

Banco de Alimentos

Numa atitude inédita, a Liga Independente das Escolas de Samba de São Paulo e a Prefeitura Municipal, por meio do seu Banco de Alimentos da Cidade de São Paulo, firmaram uma parceria durante o Carnaval 2007 que beneficia cerca de 950 entidades carentes.

Os ingressos para a entrada na Apuração do Carnaval SP 2007, que ocorreu na terça-feira, dia 20, no Sambódromo do Anhembi, foram trocados por alimentos.

Toda a arrecadação beneficia as entidades cadastradas oficialmente pelo Banco de Alimentos, criado pela Lei Municipal nº 13.327, regulamentada pelo Decreto nº 42.177.

FONTE: Portal da Prefeitura de São Paulo

  
  

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