Ameaçado o líder da revolta popular pela água em Cochabamba

Carlost Tautz - tautz@ecoagencia.com.br Uma das maiores referências internacionais na defesa da distribuição pública dos recursos hídricos, o boliviano Oscar Olivera está ameacado de morte. Desde o início do ano, circula entre os serviços de inteligênc

  
  

Carlost Tautz - tautz@ecoagencia.com.br

Uma das maiores referências internacionais na defesa da distribuição pública dos recursos hídricos, o boliviano Oscar Olivera está ameacado de morte. Desde o início do ano, circula entre os serviços de inteligência da Bolívia uma lista com os nomes de 30 lideranças sociais que serão presas, caso a situação econômica e política do País, que esteve sob estado de sítio em 2002, agrave-se mais.

Entre os alvos da repressão estariam Evo Morales, deputado federal e candidato derrotado no segudo turno da eleição presidencial do ano passado, e Olivera, que liderou entre 1999 e 2000 a revolta popular de 100 mil pessoas que desprivatizou a empresa de distribuição de água em Cochabamba. "O governo não dura mais um ano", aposta Olivera, que e diretor da Federação de Trabalhadores Fabris de Cochabamba e esteve até hoje em Quioto, participando do Fórum Mundial da Água. Junto com vários outros representantes de movimentos sociais, ele está elaborando uma plataforma de reformas política e econômica, para aplicar ao país em caso de aprofundamento da crise.

Olivera não descarta um golpe de estado e a conseqüente resistência popular. O sindicalista avalia que "vai haver um processo de mudança social no País e a eliminação dos dirigentes sociais ganhou força nos últimos tempos, com a presença de mais de 30 parlamentares indígenas e trabalhadores e pela disposição dos movimentos sociais de enfrentarem a política neoliberais e questionarem os interesses americanos no país".

Segundo Olivera, uma rede que o governo e o exército da Bolívia, além da Embaixada dos EUA, "há algum tempo considera que os problemas do país são causados por determinadas pessoas, todas ativistas sociais". "Ninguém respeitou o estado de sítio e a polícia fez greve, recusando-se a reprimir os manifestantes que tomaram as ruas", recorda. Na semana passada, ele descobriu no Fórum Mundial da Água, realizado em Quioto, no Japão, que a sua vitória transformou-se em referência mundial na luta contra a privatização dos recursos hídricos.

As medidas de emergencia passam por redefinir o papel das companhias transnacionais na Bolívia, incluindo a Petrobras, cuja subsidiaria naquele país andino produz o equivalente a 40% do Produto Interno Bruto da nação. Principal riqueza do país, as reservas monstro de gás natural foram vendidas a, entre outras empresas, falida Enron e `a Petrobras.

"Se o governo brasileiro confirmar a promessa de tentar baixar o preço do gás natural exportado da Bolívia para o Brasil, a situação vai se agravar mais ainda. Não há mais fontes de arrecadação de impostos e uma tentativa de taxar os salários em cerca de 25% resultou em novas agitações em janeiro, com a invasão e o incendio de prédios públicos em algumas cidades e a morte de mais de 30 pessoas", diz Olivera, que foi alertado por militares progressistas da existência da lista.

Água - A empresa Cemapa, que distribui água para um milhão de pessoas em Cochabamba, agora é dirigida por um conselho de sete cidadãos e seu gerente foi escolhido "em um processo transparente", observa Olivera. Expulsa de Cochabamba, a multinacional Bechtel, que distribuiu água no município por cinco meses após ter ganho uma licitação obscura, conta Olivera, cobra no tribuinal de arbitragem do Banco Mundial, sediado em Washington (EUA), uma indenização de 25 milhões de dólares pelos lucros que planejava conseguir em 40 anos da concessão concelada.

"Eu mesmo pedi e tive recusado o pedido para acompanhar a disputa", diz o sindicalista, que recebeu nos Estados Unidos em 2001 o prêmio ambiental Goldman, concedido a pessoas que, fora das manchetes dos jornais conseguem proezas na defesa do meio ambiente. Ele não gostou do que viu no Fórum de Quioto: "foi um teatro armado pelos interesses das transnacionais e do Banco Mundial", afirmou.

Fonte - EcoAgência de Notícias -

  
  

Publicado por em